Memórias de um Pitbull: ídolo Vanderson conta histórias e bastidores do Vitória

e.c. vitória
01.08.2020, 05:02:00
Atualizado: 02.08.2020, 23:09:37
Vanderson agora é técnico; foto de quando treinava o Parauapebas, em 2019 (Acervo pessoal / Reprodução Instagram)

Memórias de um Pitbull: ídolo Vanderson conta histórias e bastidores do Vitória

Nesta entrevista exclusiva, o ex-volante revive com detalhes a campanha da Copa do Brasil 2010, que completa 10 anos nesta semana

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Aos 40 anos, Carlos Vanderson Aguiar da Silva, ou simplesmente 'Vanderson Pitbull', vive na cidade de Castanhal, a 70 km de Belém. O paraense fez história no Paysandu, do seu estado natal, e depois com a camisa do Vitória, onde jogou de 2006 até 2010. Foi titular em 11 dos 12 jogos da campanha do vice-campeonato da Copa do Brasil, feito que completa uma década no dia 4 de agosto.

Nas quatro temporadas e meia em que esteve no Barradão, o camisa 5 tornou-se um símbolo de dedicação ao Vitória. A começar pela sua chegada, quando trocou o Juventude, que estava na Série A, para jogar a Série C pelo Leão. Ao todo, foram 251 jogos, segundo o próprio, e uma idolatria duradoura, marcada por uma pintura no muro do estádio rubro-negro e uma faixa fixa nas arquibancadas em alusão a ele.

Hoje, Vanderson aposta na carreira de treinador. Trabalhou de 2015 até 2017 como coordenador de base do Paysandu e partiu para o campo em setembro de 2019. Já comandou Parauapebas, Independente e estava no Carajás, todos do Pará. Acabou demitido por causa da pausa forçada no futebol provocada pela pandemia da covid-19.

Nesta entrevista exclusiva ao CORREIO, o ídolo rubro-negro relembra com detalhes a campanha da Copa do Brasil de 2010, enaltece o comprometimento daquele elenco, critica decisões tomadas extracampo e explica os motivos do seu surpreendente afatamento na reta final daquele mesmo ano pelo técnico Antônio Lopes. Além disso, diz que se sente magoado pelo tratamento que recebeu do Leão na saída do clube.

Vanderson jogou no Vitória de 2006 a 2010 e se tornou ídolo do clube
Foto: Andréa Farias / CORREIO

Costuma vir ao Barradão para ver o Vitória? Quando foi a última visita?

Vai fazer dois anos em setembro. Fui a Salvador e matei a saudade do Barradão, claro. Não tem como não ir, né? Foi na Série A de 2018, jogo contra o Vasco (o Leão venceu por 1x0). Eu não imaginava ser tão bem recebido como fui. Os Imbatíveis me chamaram na arquibancada para que eu puxasse algumas músicas. Me disseram que fui o primeiro ex-jogador que eles colocaram para fazer isso, foi muito bom.

Dez anos depois, o que você pensa daquele grupo de 2010?

Foi o maior momento da minha carreira. Apesar do Vitória ter caído no final do ano, a campanha que nos levou para a final da Copa do Brasil foi muito espetacular, pô. O time estava voando. Olha, uma pena que a final não foi logo depois da semifinal, viu? Teve aquela parada para a Copa do Mundo. Isso aí atrapalhou muito o nosso ritmo, velho.

Nota da redação: a competição ficou mais de dois meses parada por causa da Copa do Mundo. O jogo da volta da semifinal foi no dia 19 de maio, e o de ida da final, em 28 de julho.

Se não tivesse aquela pausa, acha que o resultado poderia ser outro?

Seria outra história, pô. Sobretudo no jogo de ida, na Vila. Porque lá a gente jogou muito retrancado, com medo de não tomar gol. E antes, não, a gente estava no clima da competição. E teve o gol de cabeça (de Edu Dracena, do Santos) no começo do jogo da volta, né? Antes da pausa, a gente jogando no Barradão não perdeu nenhuma partida e não tinha nem tomado gol. O primeiro e único gol em casa foi o da final. E foi o que nos fez perder o título, né?

Nota da redação: o Vitória perdeu o jogo de ida para o Santos por 2x0, na Vila Belmiro, e venceu o de volta por 2x1 no Barradão.

Você foi titular em todos os jogos da campanha, menos a final no Barradão, suspenso. O que houve?

Eu levei o terceiro cartão amarelo no jogo de ida, da Vila. E eu estava tão preocupado com esse cartão no jogo de lá, velho… Você não tem noção, tomando tudo que é cuidado. E tu sabe como era meu jogo, né (risos)? Me segurar era difícil. Não tinha como não, o sangue sempre subia pra cabeça e não tinha ser humano que me aguentasse.

Suspenso na final, volante viu o jogo da arquibancada e ganhou até faixa de torcedor
Foto: Arisson Marinho/CORREIO

Você lembra como foi o lance do cartão? Foi uma falta?

Que nada, velho, lance bobo… Ganso, malandro, viu que eu estava com o braço aberto e jogou a bola na minha mão. Eu lembro até hoje, mano: Gaciba (o árbitro Leonardo Gaciba) veio com o cartão amarelo na minha direção e eu só faltei me ajoelhar na frente do juiz, pedindo pelo amor de Deus pra não tomar o cartão (risos). Acho que o Santos sabia que eu estava pendurado, eu senti que estavam me provocando. Mas aí, depois desse cartão, o pau comeu, velho. Antes eu estava com medo de tomar o cartão. Depois que já estava fora do jogo da volta, não tinha mais por que me segurar. Aí baixei o pau. Você sabe como eu era, né?

A campanha de 2010 coroou um momento de reconstrução do Vitória, que havia caído para a Série C em 2005 e se recuperou até uma final nacional em cinco anos. Naquela final, só você, Bida, Anderson Martins e Wallace haviam jogado a Série C. Como se sente?

A gente pegou o Vitória no osso duro, não foi, velho? Mas acho que aqueles jogadores que estavam em 2006 realmente queriam subir na vida junto com o Vitória. Isso é fundamental para um clube. Quando eu cheguei ao Vitória, tinha saído do Juventude, onde joguei a Série A. Muita gente me criticou, disse que eu estava maluco, que estava acabando com minha carreira. Mas eu sabia da grandeza do Vitória e sabia que a gente ia voltar ao patamar mais alto rapidamente. E assim foi. Olhe: eu fui titular no meu segundo jogo no Vitória. E continuei assim até a reta final de 2010. Só fiquei de fora por cartão.

Vanderson, com a camisa 5, e Ramon marcando Ganso no jogo de ida final da Copa do Brasil
Foto: Ricardo Saibun/Santos FC

Mas você realmente acreditava nisso quando chegou em 2006, na Série C?

O clube estava passando por uma dificuldade financeira enorme, e a torcida não estava acreditando em ninguém. Mas acho que isso começou a mudar quando ela viu a entrega de cada atleta. Eram jogadores que honravam a camisa do Vitória. Esse respeito pelo clube é fundamental. Ninguém conhecia ainda quem era Apodi, Alysson (lateral esquerdo), Bida, Índio. E hoje, não sei porque, o Vitória não consegue formar um time assim, de jogadores da casa ou que passaram pelo futebol do interior. Gente humilde, que quer crescer junto com o Vitória. Acho que depois daquele grupo ali não lembro mais de nenhum time do Vitória que honrasse tanto a camisa daquele jeito.

Você acha que falta compromisso aos atletas atuais do Vitória? Por quê?

Acho que faltam jogadores que tenham liderança no grupo. Aquele jogador que o garoto da base que está chegando ou os caras que estão vindo do interior olhem e percebam que podem contar com ele. Alguém que o cara olhe e fale: 'Opa, esse veterano aí tem história, ligação com o clube, é uma referência'. Caras como eu, Jackson, Sandro, Ramon, Viáfara. A gente tomava sempre a frente, sabe? Passava muita moral para os garotos, sabia que eles precisavam de tranquilidade para evoluir. E aí o cara jogava tranquilo, porque sabia que tinha um Ramon ali do lado no campo.

O que mais te incomoda como torcedor do Vitória?

Acho que falta sentimento, velho. Na minha época quando o time perdia todo mundo ficava puto, ficava triste. E quem não ficava, esses veteranos tratavam de dar a real. Hoje em dia o cara perde e parece que não aconteceu nada. Eu assisti à eliminação agora do Campeonato Baiano (contra o Doce Mel) e não vi nenhum jogador puto, irritado. Ou triste mesmo, de saber que a torcida está sofrendo. Também não vejo ninguém dando a cara pra bater. Ninguém vai dar entrevista, explicar o que aconteceu. Tem que ter alguém para dar satisfação à torcida, velho.

Mas aí tem outro problema: poucos jogadores ficam quatro anos no clube. Você foi um dos últimos. Depois só o goleiro Fernando Miguel, que ficou cinco anos.

Pois é, esse daí é um problema, mesmo. Quando eu estava no Vitória, recebi algumas propostas para sair pra ganhar mais. Só que eu me identifiquei tanto com a torcida, com Salvador, com o trabalho no Barradão e com todos os funcionários que eu não quis sair. Velho, tinha dia que o treino acabava às 18h e eu só voltava para casa às 22h. Tu acredita? Eu ficava lá no Barradão, resenhando com o porteiro, com a galera da manutenção. Direto eu almoçava com o pessoal. Era minha casa, pô. Eu me sentia bem, pra que eu ia sair? Hoje eu não vejo isso no futebol. O cara prefere ganhar um pouquinho a mais em outro clube e aí fica se mudando o tempo todo. Não cria ligação com lugar nenhum. Aí, quando se aposenta, ninguém lembra do cara. Eu, não. Até hoje recebo carinho não só da torcida do Vitória, mas de gente do Bahia também. Todos me respeitam pelo profissional que fui.

Em momento de descontração com o zagueiro Wallace, que hoje joga no Göztepe, da Turquia
Foto: Andréa Farias / CORREIO

Mas, apesar dessa ligação toda com o Vitória, sua saída foi muito fria, o clube não fez nenhuma menção ou despedida. O que houve?

Meu Deus do céu! Sabe o que eu queria, só? Só queria um 'obrigado' da diretoria, pô. Só isso. Mas pelo contrário, os caras viraram as costas para mim. Eu lembro até hoje do último jogo de 2010 (0x0 com o Atlético-GO no Barradão, jogo que decretou o rebaixamento). Eu fui o último a entrar no vestiário. Fiquei um tempão no banco de reservas chorando. No vestiário, o meu lugar era do lado do de Ramon. Lembro que me sentei, ele me abraçou, muito tristes. A gente sabia que ia sair do Vitória, e ninguém queria sair daquele jeito.

Naquele último jogo, já sabia que ia sair do Vitória?

Sabia. A gente sabe, né? Quando querem renovar, eles chamam dois, três meses antes. Ali era o último jogo da Série A e o presidente (Alexi Portela Júnior) nada de me chamar. Então eu já sabia que seria meu último jogo. Aquele Antônio Lopes (técnico da época) não queria nada comigo, também. E ele ficou, né? Mas se eu fosse o presidente, sabe o que eu faria? Eu bancava minha permanência, de Ramon, de Viáfara. E diria pro técnico: esses aqui têm compromisso com o Vitória e vão ficar porque ajudaram muito.

Você acha que a diretoria do Vitória foi injusta contigo?

Nessa época de 2010 eu saí muito magoado, muito triste, realmente. Falei para os meus amigos: eu só queria que alguém chegasse para mim e falasse: 'Vanderson, infelizmente não vamos ficar contigo por isso, isso e isso. Mas muito obrigado por tudo o que você fez pelo clube'. Eu ia entender, pô. Porque é do futebol, faz parte sair dos planos. Mas sair sem nem receber uma ligação da diretoria? Não teve nem alguém mandando uma mensagem assim: 'Vanderson, obrigado, mas tchau'. Era só isso que eu queria, um obrigado, mais nada. Parece até que eu fiz algum mal para o Vitória, sabe? No último jogo (Atlético-GO) um diretor chegou para mim e falou: 'Vanderson, o presidente quer falar contigo depois'. Eu achei que ia pra dizer isso, né? Mas passou uma semana, um mês, passaram-se anos e nada até hoje. Não recebi nem aperto de mão do presidente.

Ex-jogador afirma que não tratado como merecia em sua saída do clube
Foto: Andréa Farias / CORREIO

Você tinha 31 anos na época. Tinha esperança de renovar contrato?

Para ser sincero, eu queria era ficar no Vitória e disputar a Série B. Queria ajudar e acho que tinha tudo para ajudar. Eu ficaria mais tranquilo de sair com o time na Série A. Mas, infelizmente, não me deram a oportunidade. Te garanto que ninguém daquele grupo se incomodaria de jogar a Série B pelo Vitória. Nem Ramon, Viáfara. Até Série C eu jogaria de novo, velho.

Mas na reta final de 2010 seu espaço no Vitória já tinha sido reduzido. Você foi para o banco e chegou até a ser usado no time sub-23. Pode dizer o que ocorreu?

Antônio Lopes pegou no meu pé por besteira, velho. Ele chegou, me pôs no banco e depois nem relacionado mais eu era. Nesse período aí de afastamento para o sub-23 eu disputei a Copa do Nordeste daquele ano, lembra? Joguei a final (contra o ABC), fui campeão. Fui capitão e levantei a taça.

Mas o que aconteceu? Teve algum episódio para que ele te afastasse da equipe?

Eu fui pro casamento de um amigo. Na volta, encostei num posto de gasolina perto de casa. Aí alguém tirou uma foto minha e mandou pro Bocão (o apresentador Zé Eduardo). Aí Bocão fez a maior onda no rádio, dizendo que o Vitória estava naquela situação brigando para não cair e tinha jogador bebendo no posto. Disse que eu não tinha respeito pela torcida e pelo clube. E aí Antônio Lopes foi na onda. No dia seguinte eu cheguei pro presidente e falei: 'Tô aqui há quatro anos e vem esse cara dizendo que eu não tenho respeito pela torcida e pelo Vitória?'. Mas o presidente falou para eu ficar tranquilo, que entendia. Mas desde aí o Lopes me afastou do time. Os colegas não entenderam nada, expliquei, mas ninguém entendia nada. Diziam que não era justificativa.

E por que você voltou na reta final da Série A? Fizeram as pazes?

Faltando três rodadas pro final da Série A, o Ednílson (Sena, preparador físico) chegou para mim e falou: 'Pô, Vanderson, tô tentando conversar com Lopes porque tu é do grupo, todo mundo gosta de tu, os jogadores estão perguntando cadê tu que não tá no vestiário numa hora dessas para passar experiência e tranquilidade'. Aí pouco depois Lopes me chamou de volta, mas só para ficar no vestiário. Fiquei no banco nos três últimos jogos.

Como você encarou o afastamento?

Ouvir no rádio e falarem que eu não tinha identificação com o clube, pra mim, é sacanagem. É o fim, velho. Porque se fosse outra coisa, tudo bem. Se me dissessem: 'Vanderson, tu tá mal fisicamente, tá mal tecnicamente' eu ia entender, é claro. Eu ia pro banco, é do futebol. Mas não foi isso. Eu tava jogando, era titular, estava bem fisicamente e do nada eu fui jogar no sub-23.

O relacionamento do grupo com os técnicos da época não era dos melhores, né? Antes de Lopes passou Toninho Cecílio, que teve problemas também.

Aquele que brigou com Egídio, né? Aquele cara não existia não, velho. Acho que a diretoria teve muita culpa no rebaixamento do Vitória. Porque teve muita troca de treinador naquele segundo semestre. Vou te dizer uma coisa: se tivesse deixado Ricardo Silva (técnico da final da Copa do Brasil) até o final não teria caído não, pô. Aí tiraram Ricardo para colocar esse rapaz aí. Piorou ainda mais o clima da equipe. Aquilo que esse cara fez com Egídio não existe não, velho. Em ambiente nenhum. Com aquilo ali ele perdeu totalmente o grupo. Ele e a diretoria. Bagunçou muito o trabalho, se perdeu totalmente.

Nota da redação: Toninho Cecílio foi filmado dando um esporro cheio de palavrões dirigidos para o lateral esquerdo Egídio durante um treino.

Vanderson cumprimenta o técnico Ricardo Silva, demitido cinco dias após a final da Copa do Brasil
Foto: Andréa Farias / CORREIO

Você acha que a derrota na Copa do Brasil pesou para que o Vitória perdesse a confiança em Ricardo Silva e começasse a trocar de técnicos?

Pra ser sincero, vamos botar na balança aqui: entre Vitória e Santos, qual era o favorito? Aquele time do Santos era uma máquina, favorito total. E a gente bateu de frente com eles, pô. Aqui no Barradão a gente ganhou dos caras. Se não fosse o gol de cabeça (de Edu Dracena para o Santos) a gente teria ido para os pênaltis, 2x0 lá e 2x0 cá. Vê se isso acontece hoje em dia na Copa do Brasil? De buscar desvantagem assim? Muito difícil.

Qual foi o jogo mais marcante para você daquela Copa do Brasil?

Foi o jogo no Barradão contra o Atlético Goianiense (pela semifinal). Nós perdemos por 1x0 no Serra Dourada num vacilo, lembra? E aí aquele gol fortaleceu a gente mais ainda. Se a gente trouxesse 0x0 era capaz da gente entrar um pouco acomodado em casa. E aquele gol parece que acendeu uma chama, sabe? Lembro que a gente conversou muito no vestiário do Serra. Eu lembro até hoje o que falei: 'Esse gol veio para fortalecer a gente mais ainda. Vamos entrar mais ligados no Barradão, aquele estádio vai estar lotado e vamos nos classificar. Não chegamos até aqui à toa'. E foi dito e feito, não foi? 4x0 no jogo da volta. Jogamos muito bem, não teve espaço para ninguém.

No jogo de volta da semifinal, a torcida fez um espetáculo com sinalizadores que ficou conhecido como Barradão em chamas e empurrou o time para a final
Foto: Robson Mendes / CORREIO

Você não jogou a final no Barradão. Se tivesse jogado, esse da semifinal continuaria sendo o mais marcante?

Continuaria. Porque eu tinha um sentimento pelo clube e jogava como um torcedor em campo. Chegar à final da Copa do Brasil sendo que no começo da competição ninguém dava nada pelo Vitória? Chegar à final por um clube que eu peguei na Série C? Foi uma alegria imensa pra mim, velho. Me senti como um torcedor que desde a Série C vinha sofrendo com o time e foi ganhando confiança até viver aquela fase especial na vida. Passou um filme na minha cabeça no vestiário. Comecei a lembrar dos jogos na Série C, campo ruim, viagem longa, indo lá para Pelotas. Aquele jogo da Tuna Luso aqui em Belém, às 10h, com sol absurdo na cabeça.

Sabe quantos jogos fez pelo Vitória e quantos gols marcou? Qual foi o mais bonito?

Fiz 251 jogos e marquei 3 gols. Não era muito de fazer gol, né (risos)? O mais bonito foi na Série B de 2007 contra o Fortaleza, a gente ganhou de 6x0 e eu fiz o último. Um chute de fora da área. Lembro que falei para Sandro (zagueiro) no vestiário que ia fazer gol. Todo mundo ficou sacaneando, dizendo: 'Sai daí maluco, tu não chega nem perto da área, só se for do meio-campo, e tu nem chutar sabe' (risos). Na hora que fiz o gol fui direto pro banco pra sacanear com ele.

Aquele time de 2010 foi o melhor do Vitória em que você jogou?

Por incrível que pareça não, sabia? Eu considero que o de 2006 foi o melhor. Eu me identificava mais com o perfil daqueles atletas, era uma galera humilde, sem estrelas, era um grupo que queria subir junto com o Vitória. Todo mundo se entregava demais e tinha muita gente boa. Bida, Alysson, Apodi, Índio, Leandro Domingues, Marcelo Moreno, David Luiz, Wallace, Sandro, Preto Casagrande, Emerson.

O que deseja para o futuro do Vitória?

A gente como torcedor tem esperanças de ver nosso time lá em cima de novo, disputando Série A pau a pau com Flamengo e Corinthians. Espero sentir gosto de ver o Vitória jogar, ver que tem um grupo de jogadores compromissados. Tenho esperança que isso vai acontecer. Deixar de amar e torcer jamais. A gente só fica um pouco pé atrás porque vê que está uma bagunça, né? Trocando presidente, sem dinheiro, mas tenho fé que vai sair dessa situação.

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