Muito além da Praia do Forte: Imbassaí, Baixio e Subaúma viram novos horizontes da BA

entre
28.08.2021, 05:00:00
Atualizado: 29.08.2021, 16:54:31
Orla extensa e quase deserta faz de Subaúma um lugar ideal para quem quer descansar (Marina Silva)

Muito além da Praia do Forte: Imbassaí, Baixio e Subaúma viram novos horizontes da BA

Locais menos famosos melhoram suas estruturas e se juntam aos roteiros tradicionais do Litoral Norte

Há quem diga que foi Klaus Peter, com o seu sonho de tornar a Praia do Forte um polo de ecoturismo, o precursor do processo de expansão do Litoral Norte. A vila badalada é, provavelmente, o principal cartão de visitas entre os destinos nos nove municípios que integram a Costa dos Coqueiros, mas a verdade é que o movimento de expansão de domínio da área litorânea em direção à linha do Equador se dá praticamente desde a fundação da Cidade da Bahia.

Nesse movimento de crescimento contínuo que, guardadas as devidas proporções, lembra o próprio universo, sempre em expansão, novos points despontam, locais de moradia e formatos inovadores de negócios ampliam o horizonte de quem vive em Salvador, ou visita a Bahia, para cada vez mais perto de Sergipe. Mas não só isso. Além de caminhar, cada vez mais, para o norte da Costa dos Coqueiros, o desenvolvimento também está atravessando para o outro lado da BA-099.

Confira também o episódio especial do podcast O Que a Bahia Quer Saber! Você já conhece Subaúma, Baixio e os outros novos destinos 'de sonho' da região??

Clique no player abaixo para escutar o podcast:

Clique aqui e leia mais sobre o Boom do Litoral Norte

Locais como Baixio, em Esplanada, Subaúma, em Entre Rios, Imbassaí, em Mata de São João, ou mesmo a Reserva Sapiranga, próxima à Praia do Forte, mas do outro lado da Linha Verde, têm despertado o interesse de investidores do turismo e imobiliário.

Apenas em investimentos turísticos, estão previstos US$ 1,2 bilhão nos próximos anos, de acordo com levantamento realizado pela Secretaria do Turismo da Bahia (Setur). Oito novos empreendimentos vão ampliar em 5,4 mil o número de leitos disponíveis.

A descoberta de uma dessas novas fronteiras fez com que a funcionária pública Gilmaria Oliveira dos Santos, 45 anos, passasse a se sentir tão bem na pouco conhecida praia de Subaúma, em Entre Rios, quanto como em sua própria casa. “Nós costumamos ir lá pelo menos uma vez, a cada dois meses”, exemplifica, falando do local a 132 quilômetros de Salvador.

Foto: Subaúba  - Marina Silva - CORRREIO 

Há 12 anos, graças a uma oferta de estadia no Treebies, em um site de compras coletivas, ela conheceu o paraíso. Nesse período, ela viu o empreendimento passar de uma para cinco piscinas, sem perder o que ela considera ser a essência dele: “diversão para quem quer diversão e tranquilidade para quem quer tranquilidade”.

Potencial
 Presidente da Câmara de Turismo da Costa dos Coqueiros, Franklin Eusébio acredita que todo o impulso econômico que se verificou nos nove municípios baianos, graças à descoberta de suas belezas naturais e seus atrativos para quem busca diversão ou descanso, ainda é algo pequeno quando se leva em conta o potencial da região.  “O que se vê, na atualidade, é que continua crescendo no sentido norte, com novos destinos, mas os locais badalados seguem em expansão também”.

Franklin explica que locais como Praia do Forte, Sauipe, Imbassaí, Guarajuba e Itacimirim continuam a ser carros-chefes do turismo, mas contam com uma concorrência cada vez maior de localidades menos conhecidas, como a Praia da Siribinha e as Dunas de Mangue Seco. Ou Baixio, em Esplanada. Tem ainda uma redescoberta de Massarandupió, acrescenta.

“Se levamos as pessoas para conhecer mais da região, o turista fica mais tempo hospedado”, acredita. Para ele, o ideal seria cada vez mais apresentar a Costa dos Coqueiros como um grande destino, inclusive para quem passou a morar lá depois da pandemia. “Quem está hospedado em Sauípe, por exemplo, está a meia hora da Praia do Forte, mas também está a meia hora de Massarandupió”, compara.

Tânia Neres, supervisora do departamento de lazer da Salvatur Viagens, conta que o Litoral Norte representa, aproximadamente, 60% do potencial de vendas de pacotes da empresa. Segundo ela, a abertura de uma unidade do Fasano em Baixio é uma das grandes expectativas entre as agências de viagens baianas.

“A gente percebe uma demanda muito grande para os hotéis de lá e em Imbassaí, principalmente. Mas tem muita gente buscando coisas diferentes”, conta. É o caso de Subaúma, com sua vila de pescadores, destaca. Mas também do B Blue Beachouses, em Itacimirim. “Com a pandemia, esse formato do B Blue Beachouses passou a ser muito demandado, porque estamos falando de casas maravilhosas, mas que oferecem o serviço de hotéis”, explica.

A Setur destaca investimentos públicos realizados na região como parte da explicação para o processo de desenvolvimento evidenciado nos últimos anos. Em 2000 e 2001, o Prodetur Nordeste (Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste) viabilizou os sistemas de esgotamento sanitário em Sauipe e na Praia do Forte, nos anos 2000 e 2001, respectivamente. Na ocasião, foram investidos US$ 5,5 milhões que, na cotação atual, seriam equivalentes a quase R$ 30 milhões.

Na segunda etapa do programa, entre os anos de 2008 e 2011, outros US$ 3,7 milhões (equivalentes a quase R$ 20 milhões) foram investidos em projetos de urbanização e drenagem pluvial de Imbassaí.

“A Costa dos Coqueiros é a região turística do Brasil com os maiores investimentos em execução e planejados até 2033”, destaca o secretário estadual do Turismo, Mauricio Bacellar. 

Ele destaca que os recursos devem se reverter em benefícios à sociedade através da geração empregos e renda. Bacellar conta que, em virtude do volume de investimentos privados na região, o governo estuda propor uma nova rodada do Prodetur na Costa dos Coqueiros, assim que a rodada atual, na Baía de Todos os Santos, for concluída.

Nascida e criada no distrito de Subaúma, em Entre Rios, Keila Alves dos Santos Cutalo, 39 anos, conta que a implantação do hotel Treebies por lá lhe deu a possibilidade de se desenvolver profissionalmente sem ter que deixar sua terra, como acontece com muita gente. Há nove anos no local, atualmente atuando como assistente de reservas, só lamenta que a região ainda seja pouco conhecida, mesmo pelos baianos. 

“Antes da chegada do hotel aqui, o caminho que se tinha era buscar empregos nos resorts em outros lugares. Hoje, é possível permanecer e viver bem”, garante. Ela mesma diz ter recusado propostas para trabalhar em outros empreendimentos na Linha Verde. “Estou próxima de meus filhos, de minha mãe e isso não tem preço”, garante.

Mas não são apenas os funcionários do hotel que são impactados pelo turismo em Subaúma. Fábio Oliveira, diretor de operações do hotel que está completando 15 anos de atuação, destaca o compromisso dos investidores da Antuérpia, na Bélgica, em envolver a comunidade. O empreendimento, que atualmente conta com 86 unidades, está prestes a inaugurar uma segunda fase, com outras 96 no hotel, além de um loteamento residencial com espaço para 400 residências. De acordo com Fábio Oliveira, o ambiente propício para o descanso, com opções de lazer para famílias é o que encanta os hóspedes.

Imóveis: Aumento no valor dos espaços chega a 66%
A busca por um lugarzinho ao sol na Costa dos Coqueiros está promovendo valorização de até 66%  no metro quadrado (m²) dos empreendimentos, de acordo com relato de investidores. Nos locais mais badalados, o valor dos espaços se iguala aos pagos nos endereços mais caros de Salvador, como a Graça e o Corredor da Vitória.

Marcos Vieira Lima, diretor administrativo e financeiro da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário na Bahia (Ademi-Ba), conta que, antes da pandemia, estava há dois anos tentando vender um imóvel de uso particular em Itacimirim por R$ 400 mil. Com a chegada da crise sanitária, resolveu esperar, mas viu vizinhos de condomínio comercializarem unidades idênticas à dele por até R$ 750 mil.

“Há uma valorização natural, amplificada pela pandemia. Itacimirim era uma área onde se encontravam lançamentos de pequenos construtores na faixa dos R$ 300 mil. Hoje tem unidades que custam R$ 2,5 milhões”, compara.

Em termos de valorização, ele cita como exemplo o que aconteceu com um empreendimento lançado pela MVL, em 2016, o Tavaroz, com dois ou três quartos, entregue em 2018. As unidades maiores, que foram comercializadas por aproximadamente R$ 650 mil, hoje estão sendo vendidas por até R$ 1,4 milhão. 

O diretor-superintendente da OR Nordeste, Daniel Sampaio, acredita que o processo de expansão do Litoral Norte faz parte do movimento natural de crescimento de Salvador.

Além das melhorias na infraestrutura das cidades, ele complementa lembrando que a pandemia escancarou a possibilidade de se trabalhar a partir de qualquer local com o mesmo desempenho que se alcança num escritório.

A OR tem uma aposta de longo prazo em Sauípe, conta Sampaio, motivada pela busca por qualidade de vida na pandemia e os planos de investimentos da Aviva, proprietária da Costa do Sauipe.

Planejamento deve unir empresas e os governos locais
O desbravamento de uma nova fronteira de desenvolvimento traz uma série de impactos e desafios. Os principais movimentos de expansão urbana se deram por iniciativa privada, aponta o urbanista Ernesto Carvalho. Segundo ele, o ideal é que o planejamento e as ações de ordenamento se deem antes da expansão, mas esta não é a realidade. 

No Litoral Norte, analisa Carvalho, embora a natureza tenha sido generosa, há um quadro de infraestrutura ainda deficiente. Acontece que um grande contingente de pessoas percebeu, principalmente após a pandemia, que a região pode oferecer mais qualidade de vida, avalia o urbanista. “Somadas a questão da mobilidade, o gosto por morar próximo à praia e o fato de que nem todo mundo perdeu renda com a pandemia, criou-se um fluxo para o Litoral Norte”, explica. “Agora, é uma atividade aventureira, no sentido de que é necessário esperar ainda que a infraestrutura se desenvolva”, avalia.

“Toda a cadeia imobiliária e as construtoras precisam se unir com os municípios para gerar planos de desenvolvimentos”, recomenda. Apesar da existência desses planos ser facultativa para municípios muito pequenos, o investimento nisso pode evitar que o crescimento se dê de maneira predatória. “A partir do momento em que existe uma eminência de crescimento populacional acelerado, principalmente próximo à orla, planos diretores atualizados são um caminho para evitar um processo prejudicial”, avisa o urbanista.

O Boom do Litoral Norte é uma realização do jornal Correio com o patrocínio da Prima Empreendimentos.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas