'O último suspiro foi no meu colo', diz mãe de menina morta por padrasto

salvador
22.01.2019, 02:00:00
Atualizado: 23.01.2019, 12:46:26
Nilson Marinho/CORREIO

'O último suspiro foi no meu colo', diz mãe de menina morta por padrasto

Ágatha Sophia, de 2 anos, morreu a caminho da UPA

A mãe tentava buscar respostas para a morte de sua filha mais nova, de 2 anos. Era difícil entender como alguém tão próximo pudesse ser o principal suspeito por uma morte tão precoce. A diarista Jéssica de Jesus, 21 anos, chegou na manhã desta segunda-feira (21), acompanhada de pelo menos seis familiares, no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR), para liberar o corpo da filha para sepultamento, que acontecerá nesta terça (22), às 10h, no Cemitério Municipal de Pirajá.  

“O último suspiro foi no meu colo, tentou falar 'mamãe', mas não deu tempo, revirou os olhos. Eu quero a minha princesinha, eu quero minha princesa”, dizia Jéssica.

Ela estava aos prantos, enquanto aguardava ser atendida em uma das salas do IML. Alguns parentes tentavam acalmá-la, sabendo que nada podiam fazer para atender o pedido da jovem mãe.  

Ágatha Sophia morreu antes mesmo de chegar à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro de São Marcos, para onde a mãe a levou depois de ser avisada pelo padrasto de que a menina havia passado mal após uma refeição. O ajudante de pedreiro é o principal suspeito da morte. Edson Neris Barbosa, 27, namorava com a mãe de Ágatha há um ano e seis meses. Os três viviam juntos em um pequeno imóvel, sem reboco, localizado na Rua José Gomes de Aguiar, no bairro de Vila Canária, em Salvador.

Polícia Civil divulgou foto de Edson Neris Barbosa, 27: suspeito do crime (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

A mãe da menina conversou com o CORREIO e fez um desabafo emocionado. Ela disse que confiava no namorado e admitiu que quer que ele pague. 

“Eu confiava nele, mas ele foi capaz de fazer isso. Acabou com a minha vida. Eu quero justiça”, lamentou.

Assista à conversa de Jéssica com o CORREIO:

Abuso sexual
De acordo com assessoria de comunicação da Secretaria da Saúde de Salvador (SMS), Ágatha deu entrada na unidade de saúde na companhia da mãe e já sem sinais vitais. Uma equipe de médicos que estava de plantão realizou procedimentos a fim de reanimá-la, mas a menina já estava morta.

Ainda de acordo com a pasta, não há como saber a causa da morte. “A SMS esclarece que não realiza investigação da causa da morte, procedimento de anuência do IML, local para onde o corpo foi encaminhado”, disse em nota. 

Contudo, parentes afirmam que os próprios médicos da unidade os alertaram sobre a possibilidade da menina ter sido abusada sexualmente antes de sofrer uma parada cardiorrespiratória – o que teria sido a causa da sua morte.

De acordo com o Departamento de Polícia Técnica (DPT), o laudo que atesta o que matou a menina só deve ficar pronto em 15 dias, podendo ser prorrogado caso haja necessidade. O DPT não informou quais exames seriam realizados no corpo de Ágatha.

Jéssica, 21 anos, com a filha Ágatha Sophia (Foto: Reprodução)

Dia do crime
Jéssica disse ao CORREIO que saiu de casa no sábado (19), para realizar uma faxina. Depois do expediente, decidiu não voltar para casa e foi ao encontro de algumas amigas no bairro de Tancredo Neves, onde dormiu, retornando no dia seguinte, no final da tarde de domingo (20), depois de receber uma ligação do companheiro. 

"Ele me ligou e disse que a menina estava passando mal depois de comer arroz com feijão. Me contou que encontrou a minha filha na cama, de barriga pra cima, e vomitando. Com a barriga inchada e uma veia alterada", disse Jéssica. 

A mãe sequer chegou a entrar no imóvel. A alguns metros da sua residência, que fica no final da Rua José Gomes de Aguiar, encontrou com Edson carregando a menina nos braços, enrolada em um lençol. 

"Peguei minha filha desesperada e sai correndo atrás de ajuda. Um homem, que é pastor evangélico, me deu carona até a UPA. Minha filha já estava revirando os olhos. Olhou para mim, tentou falar 'mamãe', mas não deu tempo", completou a mãe. 

Casa onde Ágatha vivia com mãe e padrasto (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Fuga
Após entregar a criança, Edson retornou para o imóvel, mas não ficou lá por muito tempo. Após alguns minutos, o suspeito fugiu do local, deixando a porta da casa aberta e um dos seus documentos. A polícia, esteve na casa, no domingo, em busca dele, mas não o encontrou. Ele foi visto em um ponto de ônibus do bairro na manhã desta segunda, aparentemente nervoso, subindo em um coletivo que faz o itinerário até a Estação Pirajá.

Na manhã desta segunda, nenhum morador sabia sobre o crime. Afirmam não ter visto e ouvido nada vindo da casa que fica em uma parte não asfaltada da rua. A ajudante de pedreiro Jacinara da Silva Souza, 41, que mora a 100 metros da residência da família, ficou surpresa ao saber da morte da criança. Ela conta que Àgatha era vista sempre na companhia do padrasto e que costumava brincar com outras crianças do bairro. 

"Semana passada ela esteve na minha venda chorando. Queria um queimado que custava R$ 0,25, mas o padrasto só tinha R$ 0,20. Vendi. Se eu soubesse que a menina ficava em casa sozinha com ele, eu mesma teria pedido para a mãe que ela ficasse aqui comigo e meus filhos. Lamentável o que aconteceu", desabafou.

Violento
Se por um lado os vizinhos nunca haviam presenciado nenhuma cena que os fizesse duvidar da conduta do acusado, por outro, um primo da menina, que preferiu não se identificar, disse que Edson batia na criança. "Uma vez, a menina caiu. Quando ela se levantou, Edson deu um tapa nas costas dela e Ágatha caiu de novo, de cara no chão", lembra. A mãe também afirmou já ter apanhado dele.

Os três haviam se mudado há cerca de seis meses para a Vila Canária. Antes, moravam no bairro de Tancredo Neves. Jéssica tem um outro filho de 5 anos, que mora com a avó, no Subúrbio. Edson também é pai de um menino de 4 anos, de outro relacionamento. O pai de Ágatha morreu há cerca de dois anos.

Justamente por ser novato na rua, as pessoas pouco sabiam da rotina do suspeito. Na localidade, ele era conhecido como Grande. Na internet ele também apresentava um perfil discreto. Em uma das suas redes sociais há apenas uma única foto dele e com o rosto coberto por um emoji. "Como se quisesse esconder alguma coisa", afirmou o primo. 

Telefonema
Durante um telefonema para a companheira, na manhã desta segunda, Edson, tentou justificar o ocorrido. "Eu não mexi nela, não. Você acha que eu, que eu, vou... (inaudível). Eu só fiz bater. Bati sábado".

Edson está sendo procurado pela Polícia Civil desde a noite desse domingo. Nesta segunda, foi "apontado como o autor do estupro da enteada" pela polícia, que divulgou foto dele. 

O CORREIO teve acesso a dois áudios de um telefonema feito pelo suspeito para a mãe da vítima, além de uma série de mensagens de texto. Durante um trecho da ligação, Edson tenta argumentar que não foi o autor do estupro e que "não tocou na menina".

Em outro momento, ele pergunta à companheira se a polícia já tem conhecimento do caso e pede que ela não entregue os seus documentos. O ajudante de pedreiro sugere também um encontro entre os dois.

Já durante uma troca de mensagens, por volta das 9h, Edson pediu perdão à mãe da menina e tentou saber o estado de saúde da vítima.

"Por favor, atende. Estou sofrendo. Amo ela. Ela vai ficar boa. Estou sofrendo, amor. Não sei o que eu faço. Me ajuda, por favor. Me perdoa, amor", escreveu.

Jéssica tentou esconder do companheiro que a filha tinha morrido, como uma forma de tentar descobrir o paradeiro dele. A Polícia Civil informou que a 2ª Delegacia de Homicídios (DH/Central) investiga o caso. Em um primeiro momento, segundo a polícia, foram expedidas as guias para perícia e exames médicos.

A Polícia Civil informou que buscas estão sendo realizadas para localizar o suspeito. A Polícia Civil informou ainda que, após as primeiras providências do DHPP, o caso será encaminhado para a Delegacia de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente (Dercca).

Quem tiver informações sobre o paradeiro de Edson pode entrar em contato com o Disque Denúncia (71) 3235-0000, da Secretaria da Segurança Pública, e fazer a denúncia de forma anônima. 

*Com a supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier


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