Pela família, Edu Mariano jogaria nova prorrogação no basquete

e.c. vitória
17.04.2018, 07:05:00
Atualizado: 17.04.2018, 16:04:10
Edu com o filho, Dudu, e a esposa, Gardênia: Vitória foi um presente à família (Marina Silva / CORREIO)

Pela família, Edu Mariano jogaria nova prorrogação no basquete

Graças ao Universo/Vitória, jogador vive com o filho e esticou carreira; agora, torce para que parceria continue

No último sábado (14), os atletas de basquete do Universo/Vitória foram ovacionados no gramado do Barradão no intervalo de Vitória x Flamengo, estreia do rubro-negro no Brasileirão. “Time de guerreiros”, ouviram da torcida, numa reação em cadeia. Merecido: dois dias antes, na quinta-feira, eles batalharam até a terceira prorrogação contra o Minas, no Ginásio de Cajazeiras, pelas oitavas de final do NBB. A derrota virou só um detalhe.

O ala Edu Mariano, 34 anos, foi um dos destaques em quadra nas três prorrogações. Ele é o único remanescente do primeiro time do Universo/Vitória, formado em 2015. Por isso mesmo, surge novamente como um guerreiro na prorrogação que falta ser disputada: a do contrato entre a faculdade Universo, que financia o basquete, e o Vitória, que chega ao fim em junho, embora não tenha mais jogos a fazer.

Há exatamente três anos, em abril de 2015, o paulista Edu tomou uma atitude arriscada para quem vive do basquete: mudou-se para Salvador. Ainda não existia o Universo/Vitória. Sem um time profissional na capital baiana, o ala não teria outra opção senão encerrar a carreira. Àquela altura, havia mudado de prioridade. Prestes a ter o primeiro filho, só pensava em se dedicar à família, que havia passado por um susto.

Dudu está em todos os jogos do pai e se recusa a cortar o cabelo para ficar igual a ele (Foto: Marina Silva / CORREIO)

Primeiro, a família
Recém-casado, queria finalmente viver ao lado da esposa, Gardênia. Cearense, a representante farmacêutica trabalhava e morava em Salvador desde 2013. Por causa do trabalho de Edu, o início do relacionamento foi a distância. Quando ela se mudou, ele jogava no Espírito Santo. Quando se casaram, em 2014, ele defendia a Liga Sorocabana, do interior de São Paulo.

Após o casamento, veio a notícia mais especial: Gardênia estava grávida de Dudu, primeiro – e até agora único – filho do casal. Mas a melhor notícia da vida de Edu logo se transformaria em drama. A gravidez teve complicações e, para piorar, o ala não pôde estar perto, pois a temporada do NBB estava em andamento.

"Sangrei por dez semanas durante a gravidez. Achava que Dudu não ia chegar pra gente. Edu sofreu muito, pois estava em Sorocaba, sem poder viajar"

Gardênia, que teve de passar a gestação longe do marido

"Era a primeira experiência dele como pai e era uma criança que ele esperava muito”, completa. “Foi uma época com jogo e treino, jogo e treino… Fiquei três meses sem poder vir”, lembra Edu.

O casal sofreu especialmente porque não esperava que Gardênia engravidasse tão rápido. “Eu tinha feito alguns exames e a médica me disse que não teria a mesma facilidade de engravidar que tive aos 17 anos, com Lázaro (primeiro filho dela, de outro relacionamento). Quatro dias depois, para a nossa alegria, eu estava grávida. Mas fiquei com medo. Pensei ‘meu Deus, com ele jogando em outra cidade, como é que vai ser?’”, conta ela.

Edu foi forte. “A gente passou perrengue? Sim. Chorou muito, sofreu muito, mas sempre acreditando que daria certo”, afirma o jogador. Gardênia concorda: “Aquilo fortaleceu muito nosso relacionamento, deixou a gente mais forte. Quando ele se mudou em abril, nossa, foi uma alegria que não teve tamanho”.

"Claro que você pensa em largar (a carreira), mas surgem desafios na vida e você tem que acreditar"

Edu, que pensou em deixar Sorocaba para ajudar a esposa

Dudu chegou em agosto, com saúde plena. Agora, aos 2 anos, é presença certa na arquibancada de Cajazeiras a cada jogo. É fácil reconhecê-lo e saber de quem é filho. Primeiro, pelo cabelo cacheado e esvoaçante que se recusa a cortar para parecer com o pai. Segundo porque, em todo final de partida, Edu corre para pegar o filho no colo e levar para a quadra.

“Eu vivo pra ele. Hoje, antes de qualquer coisa, penso nele e faço por ele. Tento curtir ao máximo com ele agora porque não sei o dia de amanhã. A gente deixa nossa vida nas mãos de outras pessoas, então talvez não possa ficar perto da minha família”, diz Edu. “Meu sonho era meu filho poder me ver jogando e bater bola com ele. Hoje, eu posso fazer isso”, explica.

Lázaro, filho de Gardênia, e Fátima, mãe dela: família seguirá em Salvador (Foto: Marina Silva / CORREIO)

Família ou carreira?
De volta a agosto de 2015. Com uma nova temporada do NBB para começar, Edu teve que tomar uma importante decisão: buscar um novo time ou ficar em Salvador com o filho recém-nascido? O ala se manteve na capital baiana, ainda que aquilo pudesse comprometer a carreira.

Hoje, ele explica: “Só sairia de perto da minha família se fosse uma proposta de dois anos, algo assim. O trabalho dela é certo; o meu, incerto. Ela pode ficar em Salvador por dois, três anos e garantir o emprego. Eu, não. Pela idade, tem gente que nem acredita mais”.

"O que mais coloquei na minha cabeça foi ficar com a minha família. E estava decidido a parar, a não ser que surgisse uma proposta que valesse a pena a gente ir juntos"

Edu, decidido a ficar com a família. Meses depois, o Universo/Vitória foi criado

“Ele chegou a falar em parar e eu fiquei preocupada”, afirma Gardênia. “Ele faz isso desde os 13 anos, então não sei como seria Edu fora do basquete, se seria feliz. É um preço muito alto. Claro que tem a responsabilidade de assumir uma família, o amor pelo filho, mas seria muito ruim ele parar naquele momento da carreira”, detalha.

Parado, Edu tinha em mente concluir o curso de Educação Física. Havia começado em 2000 e trancado diversas vezes por causa das mudanças de cidade. Precisava de um estágio, pré-requisito para a formatura. Sem saber por onde começar, pegou alguns “babas” de basquete nas quadras da Ufba, em Ondina, para conhecer os soteropolitanos do meio.

>> Prestes a se formar em Educação Física, Edu sonha em abrir escolinha de basquete em Salvador

Dali, teve início uma série de boas coincidências. Foi orientado por um dos colegas de baba a procurar o Colégio Salesiano. Lá, não encontrou o diretor de Educação Física. Para não sair com as mãos abanando, um funcionário deu a ele o contato de Ives Costa, então diretor de basquete do Vitória. Uma semana depois da mudança para Salvador, Edu recebeu o convite para defender o Leão no Campeonato Baiano.

Edu em ação pelo Universo/Vitória contra o Minas (Foto: Maurícia da Matta / EC Vitória)

O telefonema
Era um time amador. Ou seja, Edu continuaria em busca de um emprego e de um estágio, mas pelo menos mataria a saudade do basquete. Foi jogando enquanto tentava desenrolar a vida. Uma semana depois, Ives telefonaria. O recado: a faculdade Universo estava trazendo seu time do NBB, que tinha sede em Uberlândia-MG, para Salvador. E havia perguntado por jogadores do Vitória.

Edu não acreditou. “Procurei na internet, no site da Universo, e não achava nada. Olhava no site do NBB e nada também”, lembra o ala, sobre a aflição. “Uns meses depois do Ives me ligar, Wellington Salgado (presidente da Universo) deu entrevista confirmando a mudança para cá. Mas aí eu já estava adiantado, né? Parei um mês de fazer qualquer outra coisa, era só basquete, basquete e basquete”, conta.

Com o intermédio de Ives e a dedicação aos treinos, Edu foi um dos seis atletas do time amador do Vitória selecionados pelo Universo/Vitória. Na verdade, foi uma escolha fácil para a equipe recém-criada. Edu era o único com vasta experiência no NBB, tendo disputado todas as sete edições realizadas até então. Além disso, havia sido vice-campeão pelo Araraquara no antigo Brasileiro, em 2002.

"Eu digo que o Universo/Vitória veio pra mim, né? Eu rezo 'meu Deus, quero muito que Edu se aposente nesse time!'"

Gardênia, agradecida ao time por três anos vivendo ao lado do marido

Foi um presente para a família. “Morar distante com um filho pequeno seria muito complicado, né? Não me vejo mais longe dele. Passo o dia de salto alto, dirigindo nesse trânsito louco, mas quando chega 18h pego o caminho de Cajazeiras. Estou lá sempre, porque a presença de Dudu é muito importante para o Edu. Ele gosta de olhar para a arquibancada e ver que a gente está lá, dando forças”.

Renovação vai demorar
As negociações para renovação da parceria entre a Universo e o Vitória só devem começar em 30 dias. Segundo o coordenador do time, Marcelo Falcão, faculdade e clube passarão agora por um processo de avaliação da temporada, para só depois iniciarem a negociação.

“Tudo vai depender da avaliação. Como em toda parceria, as partes desejam crescer”, disse Falcão, sem confirmar se há o interesse da faculdade. Em nota, o Vitória informa que “o clube tem total interesse” e cita que o presidente Ricardo David se reunirá com representantes da Universo.

Na parceria, o Leão dá suporte jurídico, médico, operacional e de comunicação. Há também um repasse mensal, segundo o último contrato assinado, ainda na gestão de Agenor Gordilho.

Segundo apurado pelo CORREIO, o Vitória não tem honrado o compromisso desde o ano passado. O pagamento cessou ainda na gestão de Agenor Gordilho, e seguiu depois que Ricardo David assumiu o clube.

Pouco depois de eleita, atual diretoria, no entanto, apresentou uma proposta à Universo para quitar a dívida. A proposta está sob análise da direção da faculdade.


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