Pff2 para crianças: 10 dúvidas sobre o uso desse tipo de máscara na infância

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13.06.2021, 07:00:00
(Imagem: Shutterstock)

Pff2 para crianças: 10 dúvidas sobre o uso desse tipo de máscara na infância

Qual a idade? Indústrias já começam a fabricar versão infantil, que protege até 98%

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Crescimento de casos de contaminação de crianças e adolescentes pela covid-19, retorno às aulas presenciais, flexibilizações, surgimento e avanço de novas variantes. É justamente no intuito de aumentar a proteção contra o vírus, que muitos pais têm se perguntado: crianças podem usar máscaras N95/ PFF2? 

“A PFF2 tem até 98% de eficácia em reter as partículas presentes no ar, quando comparadas a eficácia de uma máscara de tecido”, destaca a epidemiologista do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz) e colaboradora da Rede CoVida, Naiá Ortelan, que recomenda o uso da PFF2 infantil já partir de 4 a 5 anos, desde que ela consiga proporcionar uma boa vedação no rosto

O cenário, de fato, preocupa. Segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), em 2021, 64.176 crianças e adolescentes pegaram covid-19 na Bahia. Em seis meses, o número é maior que todos os casos do ano passado, quando o número chegou a 56.090. Do início da pandemia até agora, são 120.266 infectados de 0 a 19 anos. Com base no último boletim epidemiológico divulgado na noite de sexta-feira (11), a ocupação de leitos de UTI pediátrica é de 69% e de enfermaria, 75%. “Se não reduzirmos as chances de transmissão, dificilmente a pandemia será controlada”, completa Naiá.

Levantamos 10 questões sobre o uso da N95/ PFF2 em crianças, que podem ajudar os pais a esclarecer as dúvidas sobre a proteção dessas máscaras.  Veja a seguir. 

1) Já é o momento do uso da N-95/PFF2 por crianças e adolescentes?   
O uso da N95/ PFF2 não é obrigatório nessa faixa etária. Entretanto, a epidemiologista do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz) e colaboradora da Rede CoVida, Naiá Ortelan, defende a sua utilização. “É preciso barrar a transmissão, sobretudo, num momento em que há novas cepas do vírus circulando. As máscaras de tecido não têm uma eficácia de filtração tão alta quanto as PFF2. A capacidade das máscaras de tecido filtrarem partículas de aerossóis com tamanho equivalente ao novo coronavírus pode variar entre 15% e 70%, enquanto as PFF2, entre 90% e 98%”. 

2) Qual a idade recomendada?  
O uso de máscaras de qualquer tipo é contraindicado por crianças menores de 2 anos para evitar risco de asfixia. No caso da PFF2 infantil, a epidemiologista assegura que a partir de 4 a 5 anos, é aconselhável a utilização. “É uma avaliação que deve ser feita pelos pais, entretanto, no contexto geral da pandemia, nós esperamos que as vacinas existentes continuem sendo eficazes para as novas variantes, mas o cenário não é bom”. 

3) A PFF2 infantil é certificada como a máscara adulta?   
A versão infantil não possui ainda um Certificado de Aprovação (CA), por não se tratar de um EPI (Equipamento de Proteção Individual), como a PFF2 para adultos. Embora não exista essa certificação, o uso da máscara N-95/PFF2 em crianças e adolescentes, na verdade, aumentaria a proteção contra a covid-19. É o que destaca a pediatra Juliana Cabral de Oliveira. “Não existe até agora nenhum efeito negativo. Sua utilização pode ser benéfica, principalmente, nas escolas, uma vez que não seria necessário trocar de máscara com frequência”. 

4) O que observar na hora de adquiri-la?  
Vale ter muito cuidado e checar a empresa fabricante do produto, como recomenda a epidemiologista Naiá Ortelan. “As PFF2 infantis começaram a ser fabricadas recentemente e, além de não terem CA, não possuem avaliação rígida. Por isso, é primordial conferir se a empresa é confiável”, aconselha. No final de abril, a fábrica paulista Ekomáscaras lançou a primeira máscara PFF2 adaptada para crianças do país. A marca já é conhecida pela fabricação da PFF2 para adultos e assegura que utiliza na versão infantil o mesmo material e processo do modelo maior, registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e com selo do Inmetro. 

5) Só a máscara de tecido não protege mais?  
A infectologista pediátrica do Departamento de Infectologia Pediátrica da Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape), Anne Galastri, diz que tudo depende da utilização de forma correta. “Ou seja, com cobertura de boca e nariz, bem acoplada ao rosto. Vale a pena ressaltar que o tempo de troca deve ser respeitado: máscaras de tecido, a cada duas horas, e cirúrgicas, de quatro em quatro horas. As N95/ PFF2 tem uma maior durabilidade, a cada 7 a 15 dias, a depender da frequência de uso”. 

6) Como os pais devem orientar os filhos com relação à PFF2? 
A epidemiologista Naiá Ortelan ressalta a necessidade de contextualizar a gravidade do momento que estamos passando. “Em seguida, lembrá-los de higienizar bem as mãos, demonstrar como fazer, mantê-la bem vedada, sem deixar espaços nas laterais. Orientar também que, em hipótese alguma, a máscara deve ser trocada ou emprestada ao amiguinho e que a PFF2 não pode molhar, nem lavar, ou espirrar álcool”. 

7) É importante que as escolas passem a exigir o uso da PFF2?  
Ainda de acordo com Naiá, por ser um lugar que favorece a aglomeração, é interessante que a PFF2 seja usada na escola: “Além disso, é preciso fiscalizar se as crianças estão tendo dificuldades ou estão lidando bem com o uso da máscara”. 

8) E se a criança não conseguir usar a PFF2, o que os pais podem fazer?  
Nesse caso, uma alternativa é testar o uso de máscara cirúrgica infantil com uma máscara de tecido por cima, para melhor ajuste ao rosto evitando a troca de ar pelas laterais. “É fundamental que as máscaras cirúrgicas infantis sejam feitas em TNT, possuam três camadas e tenham clipe nasal”, sugere a epidemiologista Naiá Ortelan. Já a pediatra Juliana Cabral de Oliveira, complementa que ao sair de casa, leve sempre máscaras de reserva. “Só manusear a máscara pelo elástico e sem tocar na parte frontal são algumas orientações que devem ser compartilhadas com as crianças”. 

9) Qual a situação da pandemia atualmente?  
Apesar de reconhecer o aumento de casos em crianças e adolescentes, a médica membro do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Heloísa Ihle, ainda não vê a necessidade de uso de máscaras N-95/ PFF2 nessa idade. Ela argumenta que a falta de hábito no uso leva a criança a mexer mais vezes no rosto e aumenta o risco de contaminação: “A PFF2 tem uma proteção de filtração melhor, contudo, elas são mais desconfortáveis, o que pode dificultar a adaptação”, completa. 

Leia também: Seu filho volta para a escola? Guia com 30 questões para ajudar os pais na decisão

10) Que cuidados precisam ser reforçados?  
Uma boa orientação e o exemplo dos pais pode fazer a diferença. “Além disso, é essencial que os pais fiquem alertas ao aparecimento de sintomas leves da covid-19: coriza, tosse, mal-estar. Caso aconteça, ele não deve ir para a escola. Pratique sempre essa auto avaliação”, como acrescenta Heloísa Ihle. 

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