Tecnologia x empregos: o lado negativo da automação dos automóveis

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15.05.2021, 06:41:00
O robô Digit, produzido pela Agility Robotics, tem braços e pernas e é capaz de interagir com seres humanos. Está sendo testado para fazer entregas nos EUA (Foto: Ford)

Tecnologia x empregos: o lado negativo da automação dos automóveis

Avanço da indústria automotiva, garantias maiores e veículos conectados impactam empregos tradicionais

Quando guiei pela primeira vez um carro elétrico, em 2010, não imaginava que apenas quatro anos depois automóveis com esse tipo de propulsão já seriam vendidos no mercado brasileiro. As mudanças são rápidas e geram impactos que podem não ser positivos em algumas situações. 

O avanço tecnológico substitui o trabalho humano, isso não é novidade. Nos próximos anos, haverá uma aceleração nesse processo. Na mobilidade, a evolução é irreversível e, por mais que as empresas busquem tranquilizar seus colaboradores, a situação é complexa para algumas profissões.

De acordo com um relatório da consultoria americana McKinsey, o setor automotivo é um dos que têm maior incorporação da Inteligência Artificial (AI), 76% das empresas adotaram ou planejam implementar soluções de alta tecnologia. Por causa disso, a consultoria estima que a redução de empregos no segmento será de 18% a 28% nos próximos anos.

Além das automações nas fábricas, os produtos que saem delas estão sendo preparados para depender menos da ação humana. Veículos com diversos níveis de automação vão reduzir as possibilidades de pessoas que tirarem seu sustento dirigindo.

Os automóveis elétricos são produzidos em menos tempo e sua manutenção é mais rápida e as revisões são realizadas em intervalos maiores. Isso ocorre porque não há necessidade manutenção de componentes como filtro de óleo, óleo do motor e outros fluídos, pelo fato do motor não ser a combustão.

A leitura da Volvo de um carro autônomo do futuro, onde não há necessidade de motorista
A leitura da Volvo de um carro autônomo do futuro, onde não há necessidade de motorista (Foto: Volvo)
Um veículo elétrico tem menos componentes que um similar a combustão
Um veículo elétrico tem menos componentes que um similar a combustão (Foto: Jaguar)
A entrega autônoma de pizzas já é testada nos Estados Unidos
A entrega autônoma de pizzas já é testada nos Estados Unidos (Foto: Ford)
O protótipo de um SUV sem motorista sendo testado na Suécia
O protótipo de um SUV sem motorista sendo testado na Suécia (Foto: Volvo)

Ler uma notícia que a Amazon testa entregas com drones ou que a Domino's já tem programas pilotos para testar entregas autônomas de pizza é surpreendente. Mas e o emprego do motorista da van? Ou, no caso nacional, o que será do motoboy?

Você pode até achar que isso vai demorar. Mas os custos estão caindo e as novidades estão chegando também aos países em desenvolvimento. Os motoristas de caminhões de grandes frotistas brasileiros, por exemplo, são constantemente monitorados. Os veículos são observados em tempo real por uma central. Assim, o empregador sabe onde está o caminhão, qual motorista é mais produtivo, qual dirige de maneira mais econômica, entre outros dados. 

O conhecimento salva
Mas enquanto a tecnologia desemprega na montagem e manutenção automotiva, ela oferece boas oportunidades em outros setores. Com a previsão de alta nas vendas globais dos carros elétricos nos próximos anos, um relatório da Volkswagen indica que surgirão boas oportunidades aos profissionais especialistas em TI e novas tecnologias, com previsão de aumento de 5% nas vagas dessas áreas. 

Para a McKinsey, o saldo de empregos globais deverá alcançar novo equilíbrio até 2030. A consultoria americana estima a perda de 20% nos empregos atuais, mas com ganhos na mesma proporção até lá.

Não há um estudo específico para o Brasil e/ou para a Bahia. Os efeitos podem demorar mais para chegar, mas chegarão. Por isso, é importante notar algumas situações do passado recente. Até uma década atrás, a maioria dos veículos tinha um ano de garantia. Era comum a figura do mecânico de confiança. 

Atualmente, três anos de garantia é básico, e muitas marcas já trabalham com 60 meses de cobertura. Dessa forma, o cliente fica fidelizado à rede de concessionárias da marca do seu carro. Mas vão haver novas possibilidades, e para isso será preciso especialização. Afinal, os carros elétricos vão sair da garantia e o mercado de manutenção precisa estar apto a atendê-los.

Outros impactos
A Organização Mundial da Saúde aponta que 1,35 milhão de pessoas morrem a cada ano em decorrência de acidentes no trânsito. Só no Brasil, são 30 mil mortos por ano. Os erros do motorista são responsáveis por 95% dos acidentes. Com a automação, o trânsito deverá ser mais seguro. 

Mas isso poderá causar efeito colateral em outra área da saúde: instituições e especialistas no tema apontam que a tecnologia poderá reduzir a disponibilidade de órgãos para transplante. 

Para equilibrar essa situação e garantir saldo positivo na preservação da vida, a medicina tem estudado soluções. Uma opção que pode ser viável é a regeneração órgãos doentes, a partir do enxerto de células-tronco, para que não precisem ser substituídos.

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