Ufba e Bahiana de Medicina mantêm uso de máscara e dividem opiniões entre alunos

salvador
14.04.2022, 05:30:00
Comissão da Ufba apontou 4 motivos para não flexibilizar uso das máscaras (Paula Fróes/CORREIO)

Ufba e Bahiana de Medicina mantêm uso de máscara e dividem opiniões entre alunos

Decisões ocorrem mesmo após liberação por decreto estadual do dia 12

A manutenção da obrigatoriedade do uso de máscaras adotada pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública está dividindo opiniões entre os alunos. Um decreto estadual, publicado no último dia 12, tornou facultativo o uso do acessório de proteção em locais fechados. A reportagem procurou outras instituições de ensino superior de Salvador e a maioria vai seguir o decreto. O mesmo acontece nas escolas particulares. 

Pedro Botelho, de 23 anos, é aluno de Administração da Ufba e diz que vai manter o uso da máscara nas salas de aula e apoia a decisão da universidade, mas, nos espaços abertos, não vê razão para fazer o mesmo. “Em espaço aberto, só uso se estiver muito cheio. Mas, em relação aos fechados, ainda fico receoso”, diz. Mas Pedro ressalta que, mesmo com a resolução da Ufba, uma parte dos alunos não está utilizando o equipamento de proteção nas salas de aula.  

O estudante de Engenharia de Produção da Ufba Gabriel Malaquias, de 23 anos, relata o mesmo. “Na terça tive aula e vi pouquíssimas pessoas ainda de máscara, tinham inclusive professores sem máscara”. Gabriel se diz a favor da liberação.

“Não acho uma decisão lógica. Estamos com diminuição da quantidade de casos ativos e novos casos diários, aumento do número de vacinados. Se na Bahia está liberado, como que na Ufba não está?”, questiona. 

Já Beatriz Neves, de 22 anos, aluna de Direito da Ufba, diz ser a favor da decisão da universidade e afirma que vai manter o uso da máscara.

“Se for colocar na balança os prós e os contras, dá para continuar usando. Meu professor cancelou a aula desta quarta porque está com suspeita de covid, sendo que ele deu aula para a gente na segunda. Imagina um professor infectado falando sem máscara numa sala de aula toda fechada com alunos sem máscara?! Com o equipamento, a gente evita até mesmo um surto na universidade”, analisa. 

O que diz a resolução da Ufba

A Ufba emitiu um comunicado nesta quarta-feira (13) anunciando que vai manter a exigência do uso de máscaras em toda universidade e para todos os seus frequentadores. A medida, segundo informou a instituição, está amparada em nota técnica emitida por seu Comitê de Assessoramento da Covid, que entende que o quadro atual da pandemia ainda não permite que medidas de proteção à saúde sejam dispensadas.
 
A nota técnica aponta pelo menos quatro fatores que embasam a decisão da universidade: 1) a diminuição do ritmo de queda da frequência diária de novos casos nas últimas semanas; 2) a persistência da frequência de novos casos e das internações hospitalares; 3) a lenta progressão da imunização da população adulta com dose de reforço, e mesmo com a primeira dose na faixa etária entre 5 e 11 anos; e 4) a elevação ou manutenção em altos patamares dos índices de contaminação fora do Brasil, sendo que a universidade recebe pessoas de fora com frequência.

No comunicado é indicado ainda que o Comitê entende que "até que se retorne aos níveis de incidência da doença anteriores ao início da terceira onda da pandemia e que a incidência e a mortalidade permaneçam em níveis baixos por pelo menos três semanas, como recomenda a Organização Mundial da Saúde [OMS], a suspensão das medidas protetivas, ainda que ocorra a expansão da vacinação específica, é uma medida precipitada e potencialmente danosa à saúde da população". 

A decisão da Bahiana 

Segundo o coordenador do curso de Medicina da Bahiana, Humberto de Castro Lima Filho, a decisão de manter a obrigatoriedade está pautada no fato da faculdade ser da área de saúde e também atuar como unidade de atendimento médico. “A Bahiana tem dois campi, um em Brotas e outro no Cabula. O do Cabula tem o ambulatório de odontologia e o de Brotas possui ambulatório que presta serviço de atendimento à população, um laboratório clínico e uma clínica de psicologia e outra de fisioterapia. Aqui circulam pessoas idosas, com comorbidade", explica.

O coordenador ainda acrescenta que a faculdade está seguindo outras instituições como USP e Unicamp, em São Paulo, e que não há pressa em retirar as máscaras. "É uma questão de lógica. O uso não traz riscos, mas a não utilização traz. Se a gente tem uma sala de aula com todo mundo usando máscara e aparece um caso de covid, a gente não precisa cancelar as aulas; sem o uso de máscaras, isso seria necessário", coloca. 

A estudante do curso de Psicologia da Bahiana, Arielle Reis, de 23 anos, aprova a decisão da faculdade. “Eu acho correta porque ainda estamos numa pandemia e somos uma faculdade que foca muito na saúde tanto física quanto mental, faz atendimentos, etc. Além disso, a manutenção das máscaras gera uma segurança entre os alunos porque diversos estágios e cursos são em hospitais, unidades de risco”, opina.

A faculdade informou que possui um sistema interno no qual alunos e professores relatam casos de covid-19. No mês de janeiro, o número ainda foi alto. Em fevereiro e março, os casos se mantiveram, mesmo que em menor número. O balanço de abril será avaliado e, a partir disso, no próximo mês, será decidido se haverá a liberação ou não, caso não sejam relatados mais casos da doença. 

Outras instituições de ensino superior seguem decreto

A UniFTC afirmou que está seguindo o decreto e, assim, suspendeu a exigência do uso de máscaras, com exceção das clínicas-escolas. A Estácio segue a mesma linha. “A exceção se aplica às unidades com cursos da área de Saúde, que desenvolvam atividades assistenciais envolvendo paciente e a comunidade”, diz a nota. A Unifacs disse que desobrigou o uso de máscaras, mas segue incentivando a prática em ambientes internos e aglomerações. O acessório será obrigatório nas áreas de atendimento da faculdade. 

A Faculdade Baiana de Direito também estabeleceu que o uso de máscara é facultativo. “Vamos acatar o decreto, deixando o aluno, professor e funcionário escolher. Acreditamos que, assim como apontam as resoluções e os levantamentos epidemiológicos municipais e estaduais, temos segurança para essa liberação”, destaca Marcela Marques, enfermeira e coordenadora do Comitê Covid da Faculdade Baiana de Direito. 

Marcela coloca ainda que a faculdade realiza atividades de atendimento ao público e, nesses casos, a máscara é obrigatória para os atendentes, conforme prevê o próprio decreto estadual. O protocolo interno, elaborado na ocasião da retomada das aulas, está agora sendo reformulado devido aos novos decretos. As regras para uso de ar-condicionado e de bebedouros, por exemplo, estão sendo discutidas. 

O que dizem os especialistas?

A nota técnica emitida pela Ufba cita a nota técnica do Observatório Covid-19 Fiocruz divulgada no dia 16 de março. O documento diz que “a recente alta da Covid-19 em países da Europa e da Ásia deve ser encarada como um alerta para que o Brasil não cometa os mesmos erros” e afirma que “estimular o aumento da cobertura vacinal não exclui as demais estratégias de proteção, sejam individuais ou coletivas”.

Para o virologista e pesquisador da Ufba, Gúbio Soares, a flexibilização em ambientes ventilados é assertiva, mas a liberação em locais fechados pode trazer problemas no futuro.

“Flexibilizar em locais fechados é um risco grande porque estamos vendo que na Europa e em outros países começam a ocorrer novos surtos e uma nova variante. Então precisamos ter cuidado. [...] É no local fechado que o ar não circula e basta ter uma pessoa infectada para infectar as outras”, acrescenta.  

E nas escolas, como fica o uso de máscara?

Colégios da rede privada de Salvador já começaram a se adaptar à novidade e mudaram suas regras. O Antônio Vieira, Salesiano e Oficina seguirão o decreto, tornando facultativo o uso de máscaras no ambiente escolar. Mas reforçam o artigo 2º, que determina a obrigatoriedade do uso em casos de contato com indivíduos com confirmação de covid-19, mesmo que assintomáticos, ou com pessoas que estejam apresentando sintomas gripais, tais como: tosse, espirro, dor de garganta ou outros sintomas respiratórios, assim com indivíduos que tenham tido contato com pessoas sintomáticas ou com confirmação da doença.

O Colégio Resgate também segue o decreto, mas recomenda a continuidade do uso da máscara. A instituição de ensino reforça que a decisão cabe à família do aluno. No Bernoulli, os alunos estão liberados para frequentar as aulas com ou sem máscaras, mas os funcionários seguirão utilizando o item.

Na escola bilíngue Villa Global Education, o decreto estadual está sendo encarado de forma bastante positiva. Segundo a escola, a liberação do uso contribuirá para a socialização dos alunos e para a qualidade do ensino de línguas estrangeiras.

“Depois de dois anos com os alunos convivendo de rosto coberto com as máscaras de proteção anti-covid, finalmente vamos desobrigar o uso de máscara”, declara Viviane Brito, CEO do Villa. 

Veja lista com 15 colégios particulares que confirmaram a liberação:

  • Colégio Antônio Vieira
  • Colégio Oficina
  • Sartre Itaigara
  • Colégios Salesianos
  • Colégio Nossa Senhora da Conceição
  • Gurilândia International School
  • Colégio Marista de Patamares
  • Colégio Resgate
  • Villa Global Education
  • Colégio Bernoulli
  • Colégio Módulo
  • Colégio São José
  • Escola Pan Americana da Bahia
  • Colégio Marízia Maior
  • Colégio Montessoriano

Onde ainda é obrigatório o uso de máscara? (Prefeitura de Salvador segue o decreto estadual nº 21.310 de 11 de abril de 2022)

Onde e para quem o uso da máscara é obrigatório:

  • Hospitais e demais unidades de saúde, tais como clínicas, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e farmácias;
  • Locais de atendimento ao público, pelos respectivos funcionários, servidores e colaboradores;
  • Quem tiver contato com pessoas comprovadamente contaminadas pela covid-19, mesmo que assintomáticas;
  • Indivíduos que estejam apresentando sintomas gripais, tais como tosse, espirro, dor de garganta ou outros sintomas respiratórios;
  • Indivíduos que tenham tido contato com pessoas sintomáticas ou com confirmação da doença.

Onde e para quem o uso da máscara é indicado:

  • Transportes públicos, tais como: trens, metrô, ônibus, lanchas e ferry boat, e seus respectivos locais de acesso como estações de embarque;
  • Indivíduos idosos, imunossuprimidos e gestantes, ainda que em dia em relação ao esquema vacinal.
     

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