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Oscar Valporto: o futebol, os bandidos e as baratas tontas

  • D
  • Da Redação

Publicado em 29 de janeiro de 2014 às 04:34

 - Atualizado há 3 anos

Bandido é aquele que faz parte de quadrilha ou bando, reunião de quatro ou mais pessoas para cometer crime. Como sabe quem gosta de esporte, o futebol está cheio deles. Estão infiltrados nas entidades esportivas, nos clubes, nas arquibancadas. Os mais visíveis promovem a violência nos estádios, afugentam os torcedores. Os mais espertos atuam nos bastidores, ganham dinheiro na negociação de jogadores, na organização de competições, na troca de favores econômicos e políticos. Claro que, como em outras áreas, a presença de bandidos no futebol não é uma praga tipicamente brasileira: os escândalos de manipulação de resultados, os cartolas e jogadores flagrados pelo fisco na Europa e a violência dos hooligans servem como consolo. Mas, também como em outras áreas, as punições por lá são sempre mais frequentes, mais severas e mais transparentes. E não poupam ligas e times poderosos. Ao combater seus bandidos, o futebol europeu vai se tornando cada vez mais rentável, mais qualificado e mais atraente para jogadores, investidores e também para quem gosta de ver futebol bem jogado.

No nosso Brasil, não bastassem os bandidos, o futebol, com sua gigantesca popularidade, sofre ainda com as baratas tontas em busca dos holofotes e das manchetes. É lamentável que a parte debaixo do Campeonato Brasileiro 2013 tenha sido decidida no tribunal. Mas, efetivamente, regras estabelecidas pelos clubes foram quebradas e a Justiça desportiva puniu os infratores. A Portuguesa escalou um jogador que estava suspenso, perdeu os pontos, caiu. E aí começaram a aparecer as baratas tontas atrás dos holofotes sempre, aqui no Brasil, com a complacência - e, muitas vezes, o incentivo - do Ministério Público e do Judiciário. E tome liminares, mandados de segurança e uma série de manobras judiciais que só ajudam a esculhambar o nosso maltratado futebol. Não fosse o Brasil cinco vezes campeão mundial e anfitrião da Copa do Mundo e estaria ameaçado de ser suspenso de competições internacionais pela incapacidade de suas entidades de impedir que esses assuntos fossem parar na Justiça comum que, como nas instâncias esportivas, o futebol e o torcedor nunca estão no centro das atenções.

Parece que, quanto mais tenta-se organizar o futebol brasileiro, mais baratas tontas aparecem para atrapalhar. A Copa do Nordeste, torneio fruto da insistência dos clubes da região para escapar dos prejuízos estaduais, já virou caso judicial por conta de uma justa providência: a interdição do Almeidão, estádio de João Pessoa, apontado por autoridades paraibanas como sem condição de dar segurança aos seus torcedores após conflito entre torcidas do Botafogo local e do Sport Recife. Um vereador de João Pessoa - que pouparei os leitores do nome para não dar holofote a outras baratas tontas - foi à Justiça para impedir o jogo do Botafogo contra o Náutico em outro estádio (no Rio Grande do Norte) e conseguiu uma liminar (também pouparei os leitores do nome da barata tonta do Judiciário). Querem ambos que o Botafogo/PB jogue no inseguro Almeidão. Já atrapalharam a Copa do Nordeste: torço para que os deuses do futebol os punam exemplarmente - time, vereador e juíza - com os mais desastrosos resultados para a carreira de cada um.

Torcer para que as coisas melhorem é o que podem fazer aqueles que não têm poder para auditar as contas das entidades esportivas, fiscalizar as transferências, organizar as competições decentemente. E não são sócios de clubes de futebol: porque quem é sócio tem direito de participar da vida do clube para que ele não seja dirigido por quem prioriza seus interesses em detrimento do clube. Porque são os bandidos dos clubes que sustentam bandidos estaduais e nacionais, numa corrente que está sempre minando o futebol brasileiro.