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Atentado político ou acidente? Relatório reacende mistério sobre morte de JK

Documento da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos aponta que ex-presidente da República pode ter sido vítima do regime militar

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 9 de maio de 2026 às 05:00

JK na inauguração da fábrica de chassis da Mercedes Benz na década de 1950
JK na inauguração da fábrica de chassis da Mercedes Benz na década de 1950 Crédito: Antonio Lúcio/Estadão Conteúdo

Um novo relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) pode reabrir o debate sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek - a tragédia completa 50 anos no próximo dia 22 de agosto. Em 1976, JK viajava em um Opala pela Via Dutra, em um domingo, acompanhado do motorista e amigo Geraldo Ribeiro, quando o carro se envolveu em uma colisão com uma carreta.

Sem controle, o veículo cruzou o canteiro central e acabou destruído após invadir a pista contrária. Ribeiro também morreu no episódio.

A Rodovia Presidente Dutra corta o leste paulista e o sudoeste fluminense. Desde a época do acidente, a versão oficial sustentava que a tragédia havia sido resultado de um acidente automobilístico.

Agora, porém, o novo parecer da comissão aponta que o ex-presidente teria sido assassinado pelo regime militar em 1976. A interpretação contraria as conclusões das investigações conduzidas anteriormente, inclusive a da Comissão Nacional da Verdade.

O documento foi produzido pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do processo na CEMDP, e ainda será submetido à análise dos demais integrantes do colegiado.

Uma reunião marcada para o dia 24 de abril, em São Paulo, acabou adiada após os conselheiros solicitarem mais tempo para examinar o material, que reúne mais de 5 mil páginas entre textos e anexos.

“Diante do extenso número de documentos para análise e da necessidade de dar conhecimento aos familiares sobre o conteúdo das apurações, deliberou-se que a votação ocorreria depois do contato com as famílias”, afirma o colegiado, em nota. “Reitera-se que o relatório baseia-se em elementos que já eram públicos, como os que foram coletados no âmbito do Inquérito do Ministério Público Federal nº 1.30.008.000307/2013-79. Os demais elementos, elaborados durante o trabalho da CEMDP, serão divulgados quando da conclusão da deliberação”, emenda.

Ao longo das décadas, diferentes investigações tentaram esclarecer as circunstâncias do acidente. Os inquéritos realizados durante o regime militar apontaram que o Opala teria sido atingido por um ônibus da viação Cometa no momento em que fazia uma ultrapassagem. Essa mesma interpretação foi mantida por uma comissão externa da Câmara dos Deputados, em 2001, e também pela Comissão Nacional da Verdade, em 2014, que trataram o caso como acidente.

Em sentido oposto, outras apurações passaram a defender a tese de atentado político. Os estudos reuniram indícios de que não houve colisão entre o ônibus e o carro de JK e levantaram a possibilidade de interferência externa no veículo, como sabotagem mecânica, disparo de arma de fogo ou até envenenamento do motorista.

Essa linha de investigação foi adotada pelas Comissões Estaduais da Verdade de São Paulo e Minas Gerais, além da Comissão Municipal da Verdade da capital paulista. Em São Paulo, os trabalhos contaram com apoio de pesquisadores da USP e da Universidade Mackenzie.

No ano passado, o governo Lula (PT) decidiu reabrir oficialmente o caso da morte de JK. A medida foi baseada em um laudo elaborado pelo engenheiro e perito Sergio Ejzenberg, contratado pelo Ministério Público Federal (MPF).

O inquérito do MPF foi concluído em 2019 e se tornou uma das principais referências utilizadas por Maria Cecília Adão na elaboração do novo relatório.

A investigação do órgão federal aconteceu entre 2013 e 2019, mas foi divulgada apenas em 2021. Considerada uma das apurações mais detalhadas sobre o tema, a análise descartou a hipótese de colisão entre o ônibus e o Opala, mas afirmou ser “impossível afirmar ou descartar” a tese de atentado, “vez que não há elementos materiais suficientes para apontar a causa do acidente ou que expliquem a perda do controle do automóvel”.

Durante o regime militar, JK integrou a Frente Ampla, movimento de oposição que acabou reprimido pelos governos da época.

Entre os precedentes analisados pela comissão está o caso da estilista Zuzu Angel, morta também em um acidente de carro em 1976. Posteriormente, a CEMDP concluiu, com base em novos laudos e depoimentos, que o episódio havia sido um atentado promovido pela repressão.

A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos é um órgão de Estado criado por lei em 1995, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com apoio técnico e administrativo do Ministério dos Direitos Humanos.

A comissão tem como missão reconhecer mortes e desaparecimentos ligados à perseguição política entre 1961 e 1988, além de auxiliar familiares na busca por informações e emitir pareceres sobre os casos analisados.

Informações do jornal Folha de S. Paulo e do O Globo