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Desenrola 2.0 mantém juros do consignado e gera alerta para idosos do INSS

Programa não contém as altas taxas, mantendo aposentados em um ciclo de dívidas que ameaça a renda básica

  • Foto do(a) author(a) Juliana Rodrigues
  • Juliana Rodrigues

Publicado em 8 de maio de 2026 às 21:00

MeuINSS
MeuINSS Crédito: Shutterstock

Embora o Desenrola 2.0 avance na renegociação de dívidas, a manutenção de juros no crédito consignado do INSS permite o comprometimento de até 40% da renda de idosos sem atacar a oferta agressiva do setor financeiro.

A sede do INSS em Brasília por Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A armadilha do desconto em folha

Diferente de outras modalidades, o crédito consignado oferece garantia real via desconto em folha, transformando a facilidade de acesso em uma armadilha financeira.

O Desenrola 2.0 ataca apenas o "sintoma" da dívida vencida, ignorando a "causa", a oferta agressiva e os juros acumulados que, mesmo sob os novos tetos do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), mantêm um custo efetivo desproporcional à Selic e à inflação.

O custo da sobrevivência no orçamento doméstico

Para aposentados que sobrevivem com um salário mínimo, a margem consignável estrangula o orçamento ao sacrificar itens básicos, como alimentação e remédios.

O cenário é agravado pelo assédio sistemático via telemarketing abusivo, denunciado por órgãos como Procon, Idec e o Ministério da Justiça.

Segundo essas entidades, a prática explora o vazamento de dados do INSS e empurra o público ao superendividamento, que persiste mesmo após renegociações como as do Desenrola.

A crítica central é que o programa falha ao não impor travas rígidas contra o assédio comercial, permitindo que novas ofertas de crédito alcancem justamente quem já está financeiramente asfixiado.

O posicionamento do Governo

Em contrapartida, o Governo Federal sustenta que o Desenrola 2.0 é um passo fundamental para a reabilitação financeira de milhões de brasileiros, tratando a regulação do setor como um processo em construção.

Embora o Ministério da Fazenda deposite na educação financeira a esperança de sucesso do programa, analistas advertem que a falta de uma reforma estrutural no crédito para idosos pode reduzir a iniciativa a um alívio passageiro e repetitivo.

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Idosos Governo Federal Inss