Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Juliana Rodrigues
Publicado em 8 de maio de 2026 às 21:00
Embora o Desenrola 2.0 avance na renegociação de dívidas, a manutenção de juros no crédito consignado do INSS permite o comprometimento de até 40% da renda de idosos sem atacar a oferta agressiva do setor financeiro. >
inss
Diferente de outras modalidades, o crédito consignado oferece garantia real via desconto em folha, transformando a facilidade de acesso em uma armadilha financeira.>
O Desenrola 2.0 ataca apenas o "sintoma" da dívida vencida, ignorando a "causa", a oferta agressiva e os juros acumulados que, mesmo sob os novos tetos do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), mantêm um custo efetivo desproporcional à Selic e à inflação.>
Para aposentados que sobrevivem com um salário mínimo, a margem consignável estrangula o orçamento ao sacrificar itens básicos, como alimentação e remédios. >
O cenário é agravado pelo assédio sistemático via telemarketing abusivo, denunciado por órgãos como Procon, Idec e o Ministério da Justiça. >
Segundo essas entidades, a prática explora o vazamento de dados do INSS e empurra o público ao superendividamento, que persiste mesmo após renegociações como as do Desenrola. >
A crítica central é que o programa falha ao não impor travas rígidas contra o assédio comercial, permitindo que novas ofertas de crédito alcancem justamente quem já está financeiramente asfixiado. >
Em contrapartida, o Governo Federal sustenta que o Desenrola 2.0 é um passo fundamental para a reabilitação financeira de milhões de brasileiros, tratando a regulação do setor como um processo em construção.>
Embora o Ministério da Fazenda deposite na educação financeira a esperança de sucesso do programa, analistas advertem que a falta de uma reforma estrutural no crédito para idosos pode reduzir a iniciativa a um alívio passageiro e repetitivo.>