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Juliana Rodrigues
Publicado em 8 de maio de 2026 às 09:00
A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados rejeitou o Projeto de Lei 3.513/2023, que buscava obrigar distribuidoras a oferecerem a recarga fracionada de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). >
Gás de cozinha
A proposta pretendia permitir que o consumidor comprasse apenas a quantidade necessária para completar seu botijão, pagando proporcionalmente pelo conteúdo. >
O parecer vencedor, no entanto, seguiu a linha de que a medida traria riscos excessivos à segurança e custos logísticos proibitivos.>
O relator Beto Pereira (Republicanos-MS) barrou a proposta focando na segurança técnica. Ele argumentou que o envase fora das plantas industriais interrompe o ciclo de manutenção e testagem de válvulas, hoje feito a cada troca de botijão.>
Sem esse controle, recipientes desgastados ou com vazamentos seguiriam em circulação, elevando drasticamente o risco de explosões domésticas.>
Embora o projeto mirasse o impacto social para famílias de baixa renda, o setor de infraestrutura alertou que a medida poderia encarecer o produto.>
A necessidade de instalar balanças de precisão seladas pelo Inmetro e sistemas de transferência em milhares de pontos, somada à logística complexa de caminhões-tanque para o transporte a granel, elevaria os custos operacionais.>
Na prática, o "gás picado" acabaria tendo um preço por quilo superior ao do botijão fechado, anulando o benefício econômico pretendido.>
O projeto, que tramitava em caráter conclusivo, enfrentou forte resistência das agências reguladoras e de entidades do setor de energia. Com a rejeição na comissão de mérito principal, a proposta agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), mas perde força política para avançar no rito legislativo. >
Para os defensores da medida, a decisão é vista como uma barreira ao acesso de itens básicos pela população vulnerável. Já para o mercado e órgãos de fiscalização, a manutenção do modelo atual é a única garantia de que o botijão que chega à cozinha do brasileiro segue normas rigorosas de pesagem e integridade física.>