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Gás de cozinha fica mais barato, enquanto cigarro sobe de preço

Subsídio do governo reduz até R$ 11 do botijão de 13 kg, mas aumento do IPI sobre cigarros compensa parte do custo

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 7 de abril de 2026 às 19:00

Gás de cozinha tem queda temporária no preço, enquanto cigarro registra aumento; saiba como isso impacta seu bolso
Gás de cozinha tem queda temporária no preço, enquanto cigarro registra aumento; saiba como isso impacta seu bolso Crédito: Inteligência Artificial

O governo brasileiro anunciou nesta segunda-feira (6) uma nova medida provisória para reforçar, de forma temporária, os subsídios ao diesel e ao gás de cozinha (GLP). A ideia é segurar o impacto da alta do petróleo lá fora sobre os preços aqui dentro. Segundo o próprio governo, as ações devem valer, ao menos num primeiro momento, entre abril e maio de 2026. Para bancar parte dessa conta, a equipe econômica também prevê elevar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado sobre cigarros.

A medida complementa regras já previstas na MP nº 1.340 e, de acordo com o Ministério da Fazenda, amplia os mecanismos de compensação para importadores e produtores, com mais recursos direcionados ao setor de combustíveis.

ONG abre inscrições para 130 bolsas de estudos voltadas para baianos de baixa renda por Divulgação

Diesel recebe subsídio extra, mas desconto no posto ainda é uma dúvida

No caso do diesel, o pacote se apoia em três frentes principais. A mais relevante, segundo dados oficiais, é a criação de uma subvenção de R$ 1,20 por litro para o produto importado, com custo dividido entre União e estados. Também foi criado um subsídio de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no país, financiado integralmente pela União, valor que se soma a um benefício já existente de R$ 0,32 por litro, em vigor desde 2024.

Na prática, os incentivos podem chegar a cerca de R$ 1,52 por litro. Ainda assim, analistas apontam que esse alívio não chega automaticamente ao consumidor. O repasse depende de fatores como a cadeia de distribuição e as políticas de preço adotadas em cada estado.

Botijão de 13 kg pode ficar R$ 11 mais barato

O gás de cozinha também foi incluído no pacote. A medida prevê um subsídio específico para o GLP importado, estimado em R$ 850 por tonelada. Pelas contas do Ministério da Fazenda, isso poderia gerar uma redução média de cerca de R$ 11 no botijão de 13 quilos.

O impacto final, no entanto, tende a variar conforme a dinâmica do mercado. O custo estimado desse incentivo ao GLP gira em torno de R$ 330 milhões, com validade também limitada até 31 de maio.

Governo aumenta preço do cigarro para fechar a conta

Para compensar parte dos gastos, o governo aposta no aumento da tributação sobre cigarros. A alíquota do IPI sobe de 2,25% para 3,5%, e o preço mínimo do maço passa de R$ 6,50 para R$ 7,50.

A expectativa é arrecadar cerca de R$ 1,2 bilhão no período de dois meses. A medida faz parte de um pacote mais amplo para conter a inflação, que inclui também desonerações como a de PIS/Cofins sobre itens como QAV e biodiesel.

ANP promete apertar o cerco a postos e distribuidoras

O governo afirma que vai reforçar a fiscalização para tentar garantir que os descontos cheguem ao consumidor final. Pelas regras anunciadas, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) poderá aplicar sanções administrativas a empresas que não repassarem os valores, conforme a legislação vigente.

Diesel e gás de cozinha seguem instáveis com alta do dólar e do petróleo

Especialistas em energia e economia avaliam que o impacto das medidas deve ser temporário. Isso porque os preços internos continuam fortemente influenciados por fatores externos, como a cotação internacional do petróleo e o câmbio.

Nesse cenário, uma eventual prorrogação dos subsídios dependerá tanto da evolução do mercado global quanto da situação fiscal do governo.

Pacote do governo traz alívio temporário, mas pressão nos preços pode continuar

Na prática, o pacote é visto como um alívio de curto prazo. Sem mudanças estruturais na política de preços, a tendência, segundo analistas, é de continuidade da pressão sobre os combustíveis ao longo de 2026 — especialmente em um ambiente de incerteza internacional e volatilidade no mercado de petróleo.