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Corrida pela Lua vira disputa de poder entre EUA e China

Além da ciência, a volta americana ao satélite mira acesso a recursos estratégicos e tenta conter o avanço de Pequim no espaço

  • Foto do(a) author(a) Juliana Rodrigues
  • Juliana Rodrigues

Publicado em 3 de abril de 2026 às 06:00

Artemis II
Artemis II Crédito: © NASA/Joel Kowsky / Agência Brasil

A missão da NASA rumo à lua, com a Artemis II não é apenas um marco científico; é o relógio de Washington tentando bater o de Pequim. Uma jornada histórica de 10 dias que marca o retorno da humanidade à órbita lunar após um hiato de mais de meio século.

A NASA deixa claro que o objetivo vai muito além de repetir os passos de Neil Armstrong. No atual estágio do programa, o que está em jogo é a afirmação de liderança estratégica. Em um cenário de crise geopolítica e instabilidade política nos Estados Unidos, a Lua surge como um palco relevante para demonstração de força.

A Lua entra na disputa global e pode virar base de combustível na nova Guerra Fria

Se nos tempos da Guerra Fria a meta era apenas o pódio, hoje a briga é por recursos e influência estratégica. O satélite deixou de ser um deserto de poeira para se tornar um ativo estratégico após evidências da presença de gelo nos polos.

Nos bastidores da NASA, o satélite é tratado como o que hoje representa, um posto de serviços estratégico para quem planeja a longa jornada até o Planeta Vermelho. O imbróglio ganha contornos de urgência porque Pequim já provou que não joga para perder, com robôs e rovers já operando na superfície lunar em missões de alta complexidade. O plano chinês de levar uma missão tripulada à Lua até 2030 forçou a NASA a acelerar o passo e intensificar o desenvolvimento.

O ponto de interesse central para os americanos é consolidar um arcabouço de normas espaciais liderado pelos Estados Unidos antes que países como a China avancem na definição de seus próprios padrões e modelos de governança.

A resposta da NASA ao avanço chinês na nova corrida lunar

Pelos corredores do Capitólio, o aporte bilionário no programa Artemis opera como um analgésico para o orgulho de uma nação rachada pela polarização. Com a economia operando em marcha lenta e os termômetros eleitorais já em ponto de ebulição, uma missão bem-sucedida à superfície lunar é o combustível que a Casa Branca busca para convencer o eleitor de que o sonho americano ainda tem fôlego e propulsão.

Entretanto, o risco de isolamento é real. Enquanto os EUA tentam costurar alianças em torno de seus acordos espaciais, a parceria entre China e Rússia avança para estruturar uma iniciativa paralela, o que pode aprofundar a divisão de influência no espaço, à semelhança do que ocorreu nas fronteiras terrestres.

Sobrevivência ou eclipse da hegemonia americana

O desfecho das missões previstas para os próximos anos será o teste de fogo para a credibilidade de Washington perante o mercado e atores privados como Elon Musk e Jeff Bezos. No xadrez espacial, qualquer tropeço da NASA ou novos adiamentos significam mais do que atrasos técnicos, abrem um vácuo de liderança que potências autocráticas, livres das amarras da burocracia democrática, estão prontas para ocupar.

Para a Casa Branca, retornar ao solo lunar não é um exercício romântico de exploração, mas uma manobra bruta de sobrevivência. O rito de passagem para a hegemonia da próxima década será decidido no terreno acidentado das crateras lunares. Trata-se de uma corrida contra o tempo e a geopolítica, em que quem chegar primeiro tende a influenciar as normas do século 21, antes que a sombra de Pequim se estenda em definitivo pelo horizonte.

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Eua Nasa Politica