Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Sonho adiado? Nome sujo pode barrar consumidor no programa Move Brasil

Quem tem restrição no CPF corre o risco de ficar de fora dos financiamentos facilitados; entenda

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 22 de maio de 2026 às 19:00

Inadimplência e renda apertada pode dificultar aprovação de crédito no Move Brasil.
Inadimplência e renda apertada pode dificultar aprovação de crédito no Move Brasil. Crédito: Ilustração, IA

Mesmo sem proibição formal para negativados, o novo programa Move Brasil pode esbarrar em um velho obstáculo do mercado de crédito, o CPF com restrições. A iniciativa do governo federal promete facilitar o financiamento de veículos para motoristas de aplicativo e taxistas, mas especialistas alertam que o histórico de inadimplência ainda pesa fortemente na análise feita pelos bancos.

VW/GOL por Reprodução

O público que mais precisa renovar o carro pode enfrentar maior dificuldade para conseguir aprovação nas linhas de financiamento.

O volume de recursos destinado à modernização da frota

Lançado oficialmente em 19 de maio, o Move Brasil foi criado para estimular a troca de veículos usados por modelos mais novos e eficientes.

A frente voltada a motoristas de aplicativo, taxistas e cooperativas prevê até R$ 30 bilhões em crédito para compra de automóveis de até R$ 150 mil.

As regras aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizam financiamentos de até 120 meses, com possibilidade de carência de até um ano para trabalhadores autônomos do transporte.

O acesso será feito por uma plataforma digital, onde o motorista poderá autorizar o compartilhamento de dados financeiros para análise do crédito. O programa também contará com montadoras oferecendo descontos mínimos nos veículos participantes.

A realidade de quem esbarra na análise de crédito

Embora pessoas com restrições no CPF possam solicitar financiamento, isso não elimina os critérios tradicionais de análise usados pelas instituições financeiras.

Renda mensal, score de crédito, histórico de inadimplência e capacidade de pagamento continuam sendo fatores decisivos para liberação do financiamento.

O cenário preocupa porque parte relevante dos motoristas chega ao programa pressionada por inflação acumulada, combustível elevado, manutenção mais cara e queda no poder de compra.

Consultores do setor automotivo, em análise divulgada pelo O Globo, avaliam que bancos devem endurecer critérios de aprovação, exigindo entrada maior, garantias adicionais e monitoramento mais rígido dos veículos financiados.

A lógica dos bancos na avaliação de risco

A preocupação das instituições financeiras está ligada ao perfil de renda variável dos motoristas de aplicativo e taxistas.

Como esses profissionais dependem diretamente do fluxo diário de corridas para gerar renda, além de lidarem com combustível caro, manutenção constante e desgaste acelerado do veículo, os bancos enxergam o segmento como mais exposto ao risco de inadimplência.

Score elevado e nome limpo seguem como filtros importantes para aprovação do crédito, mesmo dentro de uma política pública voltada à ampliação do acesso ao financiamento.

O resultado pode ser um alcance menor do que o esperado justamente entre trabalhadores mais endividados, grupo que teoricamente seria um dos principais beneficiados pela iniciativa.

O peso dos juros na hora de fechar novos contratos

O Move Brasil surge em um momento de envelhecimento da frota usada por motoristas profissionais e aumento dos custos de operação no setor de mobilidade.

A proposta busca estimular renovação automotiva, reduzir emissões e melhorar as condições de trabalho de quem depende do carro para gerar renda.

Mas a combinação entre juros elevados, crédito mais seletivo e inadimplência crescente pode limitar a velocidade de adesão ao programa nos próximos meses.

O desafio agora será transformar a promessa de financiamento facilitado em aprovação efetiva de crédito para quem depende do veículo como ferramenta de trabalho.

Tags:

Politica Automóvel