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'Jerônimo não disse para que veio em Jequié', afirma prefeito reeleito Zé Cocá

Zé Cocá prega cautela quando questionado se pretende integrar uma chapa majoritária nas eleições de 2026

  • Foto do(a) author(a) Rodrigo Daniel Silva
  • Rodrigo Daniel Silva

Publicado em 6 de dezembro de 2024 às 06:00

Prefeito reeleito de Jequié, Zé Cocá
Prefeito reeleito de Jequié, Zé Cocá Crédito: Marina Silva/CORREIO

Reeleito prefeito de Jequié com 92% dos votos válidos, Zé Cocá (PP) tem se fortalecido politicamente e é cotado para integrar a chapa majoritária em 2026. Ele prega cautela quando questionado sobre o assunto.

Crítico duro do governo Jerônimo Rodrigues (PT), ele afirma que o petista ainda não acordou para a situação da violência na Bahia. Também condena a ausência de obras da nova gestão estadual em Jequié e ataca a alta carga tributária do estado que, na visão dele, afasta investimentos.

Das maiores cidades da Bahia, o senhor foi mais bem votado percentualmente. Ao que atribui essa votação expressiva?

Eu acho que é muito trabalho. Jequié vivia um momento de descanso. Nos últimos 20 anos, nenhum prefeito ganhou com mais de 50% dos votos. Eu ganhei a primeira eleição com 38% dos votos. Então, quase que eu tripliquei nossa votação. Jequié que era uma cidade que tinha duas creches quando nós entramos, hoje tem 10. Era uma cidade que não tinha uma escola com quadra coberta, hoje são 16 escolas. Jequié saiu de 44% de pavimentação para 90%. Jequié não tinha um campo society no município todo. Hoje, nós temos mais de 20, e tantas outras ações que tiveram na cidade.

O senhor tem feito críticas ao governo Jerônimo Rodrigues. É alvo de ataques também por parte dele. Como está essa relação? Há um desgaste por causa da sua decisão de romper com a gestão petista em 2022?

Faço críticas, mas são críticas construtivas. Eu acho que o governo precisa ter uma marca. Eu, no lugar do governador, discutiria isso. A gente precisa aprender a fazer a política de construção. Eu, se fosse governador, acabou a eleição, as cidades que são polos regionais, eu tinha que chamar todos os prefeitos para debater pautas regionais necessárias. Jequié ficou para trás em algumas pautas que eram de dever do governo, como o nosso polo industrial. Nós temos empresas no polo industrial que estão para ser fechadas. Tem outras empresas para gerar 200, 300, 400 empregos há dois, três anos e até hoje não conseguimos resolver. Detalhes simples, que é tirar uma empresa que já está lá parada e colocar outra. O aeroporto regional tem quatro anos a gente debatendo isso. O governo diz que vai fazer, mas diz quando, como, onde. É importante que a gente discuta essas faltas. Quando eu digo que o governador de fato está faltando nessa comunicação, é porque nós temos essa noção. Não é hora de discutir política. O governador precisa discutir investimentos.

Mas há uma retaliação por parte do governo por causa da sua decisão de ser oposição em 2022?

Eu não vou dizer retaliação porque o município de Jequié se preparou para tal. O governador anterior (Rui Costa) tinha deixado algumas obras, mas eu acho que, em Jequié, o governador Jerônimo não disse ainda para que veio. As obras que nós temos lá, em execução ou outras que foram executadas, foram do governador Rui Costa.

O prefeito Bruno Reis tem dito que, nesses dois anos de mandato, não foi recebido nenhuma vez por Jerônimo Rodrigues. Tem faltado um tratamento republicano do governador com os prefeitos da oposição?

Ah, eu acho que falta. Eu acho que falta.

O vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, te fez um elogio recentemente. Disse que o senhor “reúne condições” para estar na chapa em 2026, como vê essa declaração?

ACM Neto é um cara preparadíssimo, diferenciado. É indiscutível o mérito de grande gestor que ele é. E eu agradeço muito os elogios dele. Nos deixa entusiasmados, alegres. O meu foco agora é Jequié. Mas eu quero participar da discussão majoritária. A nossa região é uma região que tem quase 50 municípios. Nós temos influência política em quase todos hoje. Nós queremos participar diretamente disso. Se vou ser (candidato em 2026), se não vou ser, é outra coisa.

Mas tem o desejo de integrar uma chapa majoritária?

O meu desejo hoje é terminar o meu mandato. Essa é uma coisa para se amadurecer. Pode ser? Pode, mas depende de muita coisa.

O senhor tem pontuado que a carga tributária na Bahia é alta. Isso prejudica a economia do estado?

Eu sou contra a metodologia do ICMS, como ela é feita, você só aumenta a receita. Eu sou a favor de você oxigena-la. Tem alguns estados que fizeram isso. Pernambuco é um dos estados que mais atrai empresas no Nordeste. Ele mudou a metodologia. Eu acho que precisa ter algumas reformas que são necessárias para atrair. A Bahia hoje não está muito atrativa na questão tributária para as novas empresas. Então é importante, de fato, que a gente discuta essa forma de atração. O ICMS é de 20 tantos porcentos e outros estados cobram muito mais barato. Então, tem empresas se instalando na divisa nossa com Minas Gerais, porque é melhor estar em Minas (do ponto de vista de competitividade) do que na Bahia.

Há um avanço das facções criminosas no estado, e Jequié, inclusive, apareceu com uma das cidades mais violentas. Como vê essa questão?

O calcanhar de Aquiles de Jerônimo é a segurança pública. O governo hoje precisa mostrar alguma atuação na segurança pública. Atuação na segurança pública é encher a rua de policial? Acho que não. O governo precisa de um plano traçado. Infelizmente, não teve ainda. O governo precisa discutir um plano integrado com os municípios. O governo precisa discutir um plano integrado com a educação. Eu falo sempre. 90% dos municípios da Bahia não têm condição de ter creche, nem escola, nem integral. Então, o governo tem que debater isso para que os municípios tenham isso.

O que pensa sobre o policial usar câmeras nas fardas?

Eu sou totalmente contrário. Se você botar a câmera num policial, você vai deixar o policial com medo. Se ele der qualquer deslize, pode caracterizar que o cara errou. O que precisa é de um projeto de segurança pública. Não é botar 100 policiais em cada canto e daqui a 60 dias para tudo. Segurança Pública é um trabalho contínuo e unificado, principalmente, com a questão educacional. Na minha concepção, o governo ainda não acordou para isso.

Mas e o programa Bahia pela Paz lançado pelo governo.

Você acha que deu resultado? Eu cito sempre um caso que aconteceu comigo. Na minha eleição de deputado, um menino de seis anos andava atrás de mim, puxando minha camisa e ele dizia para mim: ‘você é 2 ou é 3?’ Eu não sabia o que era. Quando eu fui embora, o cara que estava comigo me disse que o menino estava perguntando se eu era da facção 2 ou 3. Não é possível um negócio desse. O menino tinha de 5 a 6 anos. Então, o tráfico enraíza nas crianças. Ele começa de baixo. A polícia vai matar 50, vai nascer mais 50, se não houver um processo educacional muito forte. O que a gente precisa é de escola em tempo integral, de envolvimento das mães no processo. O governo do estado precisa acordar.

O alinhamento do estado com o governo federal tem sido positivo?

Até agora não se resolveu nada. Para mim, não. O ex-governador (Rui Costa) teve o mandato mais pujante do governo atual. E Rui foi adversário (do governo federal) quase nos dois mandatos dele.

O senhor não vê a reeleição de Jerônimo garantida?

Não. Hoje ainda é uma eleição muito dura (em 2026). (ACM) Neto ganhou cidades importantes, como Lauro de Freitas e Ilhéus. A eleição (em 2026) ainda está equilibrada, não há uma eleição definida de jeito nenhum.

E no cenário nacional, como vê a disputa presidencial?

Tem uma controvérsia se Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo) é candidato ou não é. Acho que ele é. Eu não vejo o (o ex-presidente Jair) Bolsonaro sendo candidato, até porque ele ficou inelegível. (Tarcísio) seria de fato o maior candidato da oposição, seria um grande candidato. É um cara focado, um cara sério. Está fazendo um grande mandato em São Paulo.