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Justiça vai decidir quando bancos podem bloquear parte do seu salário por dívidas

Entenda a mudança que pode permitir o desconto direto na conta do trabalhador para quitar contratos civis e empréstimos

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 25 de maio de 2026 às 12:25

STJ vai decidir se parte do salário poderá ser bloqueada para pagamento de dívidas comuns, ampliando debate sobre crédito e proteção da renda do trabalhador.
STJ vai decidir se parte do salário poderá ser bloqueada para pagamento de dívidas comuns, ampliando debate sobre crédito e proteção da renda do trabalhador Crédito: Ilustração, IA

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decide no próximo dia 3 de junho se parte do salário de trabalhadores poderá ser bloqueada para quitar dívidas comuns, como empréstimos e contratos civis. O julgamento é acompanhado com atenção pelo mercado financeiro porque pode ampliar as formas de cobrança judicial no país.

Tribunal da Justiça do Mato Grosso do Sul por Reprodução

A discussão será analisada no Tema 1.230 dos recursos repetitivos, modelo usado pelo Tribunal para fixar entendimento que deverá orientar decisões em todo o Judiciário brasileiro.

Hoje, o Código de Processo Civil protege salários, aposentadorias e verbas remuneratórias contra penhora, salvo em situações específicas, como pagamento de pensão alimentícia ou valores considerados muito elevados.

O julgamento coloca justamente em debate até onde essa proteção pode ser flexibilizada.

O que está em discussão no STJ

A análise será conduzida pela Corte Especial do STJ e gira em torno de uma questão central. O direito do credor de receber uma dívida judicial pode justificar o bloqueio parcial da renda mensal do devedor?

O tema ganhou força após uma decisão do próprio STJ, em 2023, admitir a possibilidade de penhora de salário em dívidas não alimentares, desde que seja preservado o chamado “mínimo existencial”, valor necessário para garantir a sobrevivência digna do trabalhador.

Desde então, tribunais estaduais e federais passaram a adotar interpretações diferentes sobre o assunto, cenário que o STJ agora tenta uniformizar.

Bancos devem acompanhar o julgamento de perto

O caso está mobilizando bancos, empresas de cobrança, advogados e órgãos públicos porque pode ampliar as ferramentas disponíveis para a cobrança judicial de dívidas.

Se o STJ adotar uma posição mais flexível, credores poderão ter mais facilidade para recuperar valores reconhecidos pela Justiça, inclusive com bloqueios parciais de salários e aposentadorias.

Por outro lado, especialistas alertam para o impacto potencial sobre trabalhadores endividados, que poderiam começar a sofrer descontos mensais mesmo em dívidas comuns, fora do contexto de pensão alimentícia.

O principal desafio da Corte será definir um equilíbrio entre a recuperação do crédito e a preservação da renda mínima necessária para subsistência.

Julgamento terá impacto nacional

A análise estava inicialmente prevista para maio, mas foi transferida para a sessão marcada para 3 de junho.

Além das partes envolvidas no processo, também foram intimados para acompanhar o julgamento o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública da União, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro e o governo do Rio Grande do Sul.

A expectativa é que a decisão tenha impacto direto sobre milhares de ações de execução de dívida que tramitam atualmente no país.