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O encontro entre Trump e Xi que mobilizou as duas maiores potências do mundo

Reunião ocorreu em Zhongnanhai, sede estratégica do Partido Comunista Chinês, e tratou de temas sensíveis como Taiwan, Ucrânia e segurança internacional.

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 16 de maio de 2026 às 05:00

Presidentes discutiram comércio, guerra e segurança global em encontro marcado por simbolismo diplomático e disputa geopolítica
Presidentes discutiram comércio, guerra e segurança global em encontro marcado por simbolismo diplomático e disputa geopolítica Crédito: Reprodução/Instagram

Os líderes das duas maiores potências do planeta voltaram a se encontrar nesta semana em Pequim, em uma reunião cercada de simbolismo político, disputas estratégicas e tentativas de reduzir tensões entre Estados Unidos e China. O presidente americano Donald Trump foi recebido por Xi Jinping nove anos após sua primeira visita oficial ao país asiático - a última realizada por um presidente dos EUA à China até então.

O encontro ocorreu em um momento de forte rivalidade geopolítica entre as duas nações, marcado por disputas comerciais, divergências sobre Taiwan, tensões militares e embates diplomáticos sobre temas como guerra na Ucrânia, Oriente Médio e segurança internacional.

Nesta sexta-feira (15), Trump e Xi se reuniram em Zhongnanhai, complexo histórico localizado no centro de Pequim e considerado um dos espaços mais restritos e simbólicos do poder chinês. O local funcionou como Jardim Imperial durante as antigas dinastias chinesas e, após a Revolução Comunista de 1949, passou a sediar o Partido Comunista Chinês e a residência das principais lideranças do regime.

O acesso ao complexo é extremamente restrito e raramente chefes de Estado estrangeiros são recebidos ali. Diferentemente da Casa Branca, Zhongnanhai não é aberto ao público nem costuma servir de palco para grandes aparições políticas. É dentro do complexo que a cúpula chinesa toma algumas das decisões mais estratégicas do país, normalmente mantidas sob sigilo até o momento considerado adequado para divulgação oficial.

Com a visita, Trump passou a integrar a lista de presidentes americanos que participaram de encontros históricos no local. O mais emblemático ocorreu em 1972, quando Mao Tsé-Tung recebeu Richard Nixon em uma aproximação diplomática que ajudou a reconfigurar a geopolítica global após décadas de hostilidade entre Washington e Pequim durante a Guerra Fria.

Antes da reunião em Zhongnanhai, os dois líderes permaneceram mais de duas horas reunidos a portas fechadas no Grande Salão do Povo, edifício utilizado para cerimônias de Estado e encontros oficiais do governo chinês. Segundo autoridades americanas e a imprensa estatal chinesa, a conversa abordou temas considerados sensíveis na relação bilateral, como comércio internacional, restrições tecnológicas, Taiwan, segurança regional e cooperação econômica.

A questão de Taiwan voltou a ocupar espaço central nas discussões. De acordo com veículos ligados ao governo chinês, Xi Jinping alertou Trump para os riscos de conflito caso o tema não seja “bem administrado”.

Pequim considera Taiwan parte do território chinês e vê com preocupação o apoio militar americano à ilha.

Trump afirmou que discutiu diretamente com Xi a venda de armamentos americanos para Taiwan - uma pauta historicamente delicada e que frequentemente provoca reações do governo chinês. O presidente americano sinalizou que o assunto foi tratado de forma franca entre os dois líderes.

Os dois presidentes também discutiram a guerra na Ucrânia, o conflito no Oriente Médio e a situação da Península Coreana, segundo a mídia estatal chinesa. A CCTV informou ainda que China e Estados Unidos pretendem ampliar cooperação em áreas como comércio, agricultura, turismo e investimentos.

Durante a agenda oficial, Xi Jinping também se reuniu com empresários americanos que acompanham Trump na viagem. O encontro pode ser interpretado como um gesto do governo chinês para manter canais de diálogo com setores econômicos dos EUA em meio às disputas comerciais entre as duas potências.

No jantar de Estado oferecido ao presidente americano, chefs chineses prepararam pratos adaptados ao gosto de Trump, utilizando técnicas tradicionais da culinária chinesa. O cardápio incluiu ribs crocantes, pato assado e tiramisù.

Trump afirmou ainda que Xi Jinping teria oferecido ajuda para garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de petróleo. Segundo o republicano, o líder chinês também garantiu que Pequim não enviaria equipamentos militares ao Irã.

“Ele disse que não vai entregar equipamentos militares (...) Disse isso com muita firmeza”, declarou Trump em entrevista à Fox News. “Ele gostaria de ver o Estreito de Ormuz aberto e disse: ‘Se eu puder ajudar de alguma forma, gostaria de fazê-lo’”, acrescentou o presidente americano.

Horas antes, durante um banquete oficial em Pequim, Trump chamou Xi Jinping de amigo e aproveitou para convidá-lo oficialmente a visitar os Estados Unidos ao lado da primeira-dama chinesa, Peng Liyuan.

“É uma honra para mim estender um convite a você, senhora Peng, para nos visitar na Casa Branca em 24 de setembro, e estamos ansiosos por isso”, afirmou Trump durante o discurso.

O presidente americano também adotou um tom otimista em relação ao futuro da relação bilateral. Segundo ele, “a relação entre a China e os EUA será melhor do que nunca”. Trump afirmou ainda que considerava “uma grande honra” estar em Pequim e descreveu o encontro como “fantástico”.

“Foi realmente uma recepção magnífica, como nenhuma outra”, declarou. Para Trump, as conversas com Xi foram “extremamente positivas” e todos os assuntos discutidos seriam “bons para os EUA e para a China”.

Apesar do tom diplomático adotado nos encontros oficiais, Trump voltou a atacar o ex-presidente Joe Biden ao comentar declarações atribuídas a Xi Jinping sobre os Estados Unidos. Em publicação na própria rede social, o republicano afirmou que o líder chinês teria classificado os EUA como uma “nação em declínio”, mas de maneira “muito elegante”.

Segundo Trump, Xi fazia referência aos quatro anos da administração Biden.

“Quando o presidente Xi se referiu, de maneira muito elegante, aos Estados Unidos como talvez sendo uma nação em declínio, ele estava se referindo ao enorme dano que sofremos durante os quatro anos de Sleepy Joe Biden e da administração Biden - e, nesse ponto, ele estava 100% correto”, escreveu.

Apesar da expectativa criada em torno da visita, o encontro terminou sem anúncios considerados históricos ou avanços concretos de grande impacto. Trump deixou Pequim com menos acordos comerciais do que aliados esperavam, enquanto Xi Jinping reforçou a ideia de “estabilidade estratégica” como eixo da relação bilateral nos próximos anos.

Trump embarcou de volta para Washington a bordo do Air Force One na tarde desta sexta-feira, no horário local - madrugada no Brasil - após encerrar a agenda em Zhongnanhai.

*Com informação das agências