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Maiara Baloni
Publicado em 16 de maio de 2026 às 05:00
A liberdade de decidir o que fazer com o próprio salário acaba de ganhar uma barreira de proteção contra o apetite das instituições financeiras. Uma intervenção direta da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, colocou um freio nas práticas do Banco de Brasília (BRB) que dificultavam o cancelamento de débitos automáticos vinculados a empréstimos. A decisão é um marco para quem se sente "preso" a cobranças que consomem a renda antes mesmo do pagamento de contas básicas. >
Direito ao salário: entenda a intervenção da Senacon sobre o BRB
A investigação federal revelou que a instituição criava barreiras injustificadas para impedir que os correntistas suspendessem os descontos automáticos, mesmo após pedidos formais. Para as autoridades, essa conduta transforma o banco em uma espécie de "dono" da remuneração do trabalhador, o que fere a Constituição e o Código de Defesa do Consumidor, já que o salário possui natureza alimentar e não pode ser retido de forma predatória.>
O BRB agora é obrigado a estampar, de forma visível em seu site e aplicativo, o caminho exato para que o cliente exerça o direito de revogar qualquer autorização de débito. Além disso, a instituição precisa tomar a iniciativa de procurar os clientes endividados para explicar como funciona o processo de suspensão das cobranças. >
Se o banco continuar dificultando o cancelamento, pagará uma multa diária de R$ 500 mil. Para evitar que a ordem seja ignorada, o governo exigiu relatórios mensais detalhados durante um ano, servindo como uma auditoria constante sobre como o banco trata os pedidos de seus usuários.>
Um ponto que gera muita dúvida entre os consumidores foi esclarecido pela medida, o fato de existir uma dívida não obriga o cliente a aceitar o débito automático para sempre. Segundo as normas do Conselho Monetário Nacional, qualquer autorização de cobrança em conta pode ser cancelada pelo titular a qualquer momento. >
Essa medida fortalece a proteção ao "mínimo existencial", aquela quantia necessária para que uma família consiga comprar comida, pagar o aluguel e manter as necessidades básicas. Ao retomar o controle do fluxo da conta, o devedor ganha poder de negociação para quitar seus débitos de forma que não inviabilize sua sobrevivência.>
Embora a cautelar tenha como alvo imediato o BRB, o impacto é um alerta para todo o setor bancário brasileiro. Em um país com altos índices de endividamento, a fiscalização rigorosa mostra que a busca pelo lucro não pode atropelar os direitos fundamentais do correntista. >
A decisão tem validade imediata, o que significa que o consumidor não precisa esperar o fim do processo administrativo para exigir que o banco respeite sua vontade. O caso estabelece um limite claro: a cobrança de dívidas é um direito das instituições, mas o controle sobre o destino do salário é, e deve continuar sendo, exclusividade de quem o recebe.>