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O fim do débito forçado: justiça impõe multa pesada contra BRB por "prender" salário de clientes

Medida cautelar da Senacon garante que correntistas retomem o controle sobre seus rendimentos e estabelece punição de R$ 500 mil por dia em caso de abusos

  • Foto do(a) author(a) Maiara Baloni
  • Maiara Baloni

Publicado em 16 de maio de 2026 às 05:00

O fim do débito forçado: justiça impõe multa pesada contra BRB por
Decisão federal estabelece que o controle do salário deve ser exclusivo do trabalhador, proibindo bancos de reterem verbas alimentares de forma compulsória. Crédito: Joédson Alves, Agência Brasil

A liberdade de decidir o que fazer com o próprio salário acaba de ganhar uma barreira de proteção contra o apetite das instituições financeiras. Uma intervenção direta da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, colocou um freio nas práticas do Banco de Brasília (BRB) que dificultavam o cancelamento de débitos automáticos vinculados a empréstimos. A decisão é um marco para quem se sente "preso" a cobranças que consomem a renda antes mesmo do pagamento de contas básicas.

O acesso às agências físicas não deve ser uma barreira para que os clientes exerçam o direito de cancelar cobranças automáticas em suas contas. Rafael Lavenère/BRB por AGÊNCIA BRASIL

A investigação federal revelou que a instituição criava barreiras injustificadas para impedir que os correntistas suspendessem os descontos automáticos, mesmo após pedidos formais. Para as autoridades, essa conduta transforma o banco em uma espécie de "dono" da remuneração do trabalhador, o que fere a Constituição e o Código de Defesa do Consumidor, já que o salário possui natureza alimentar e não pode ser retido de forma predatória.

Multa pesada e transparência forçada

O BRB agora é obrigado a estampar, de forma visível em seu site e aplicativo, o caminho exato para que o cliente exerça o direito de revogar qualquer autorização de débito. Além disso, a instituição precisa tomar a iniciativa de procurar os clientes endividados para explicar como funciona o processo de suspensão das cobranças.

Se o banco continuar dificultando o cancelamento, pagará uma multa diária de R$ 500 mil. Para evitar que a ordem seja ignorada, o governo exigiu relatórios mensais detalhados durante um ano, servindo como uma auditoria constante sobre como o banco trata os pedidos de seus usuários.

O direito de cancelar, mesmo com dívida ativa

Um ponto que gera muita dúvida entre os consumidores foi esclarecido pela medida, o fato de existir uma dívida não obriga o cliente a aceitar o débito automático para sempre. Segundo as normas do Conselho Monetário Nacional, qualquer autorização de cobrança em conta pode ser cancelada pelo titular a qualquer momento.

Essa medida fortalece a proteção ao "mínimo existencial", aquela quantia necessária para que uma família consiga comprar comida, pagar o aluguel e manter as necessidades básicas. Ao retomar o controle do fluxo da conta, o devedor ganha poder de negociação para quitar seus débitos de forma que não inviabilize sua sobrevivência.

Um recado para todo o sistema financeiro

Embora a cautelar tenha como alvo imediato o BRB, o impacto é um alerta para todo o setor bancário brasileiro. Em um país com altos índices de endividamento, a fiscalização rigorosa mostra que a busca pelo lucro não pode atropelar os direitos fundamentais do correntista.

A decisão tem validade imediata, o que significa que o consumidor não precisa esperar o fim do processo administrativo para exigir que o banco respeite sua vontade. O caso estabelece um limite claro: a cobrança de dívidas é um direito das instituições, mas o controle sobre o destino do salário é, e deve continuar sendo, exclusividade de quem o recebe.

Tags:

Brasília Salários Brb