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Maiara Baloni
Publicado em 7 de maio de 2026 às 13:00
A euforia digital que marcou as redes sociais em 2022, com artistas e influenciadores em uma força-tarefa pelo voto jovem, parece ter dado lugar a um silêncio preocupante. Em 2026, o Brasil enfrenta um declínio real no alistamento de eleitores na faixa etária onde o voto é facultativo. >
Dados consolidados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, até abril deste ano, o país contabilizava 1.612.870 adolescentes de 16 e 17 anos aptos a votar. O montante é expressivamente menor que o pico de 2.116.781 registrados no mesmo período de 2022.>
O fenômeno do título vazio: por que o jovem brasileiro está fugindo das urnas em 2026?
Se incluirmos os jovens de 15 anos que já garantiram o documento antecipadamente, o número sobe para quase 1,8 milhão de adolescentes cadastrados até fevereiro. No entanto, a retração no grupo que efetivamente pode ir às urnas em outubro confirma que a mobilização perdeu fôlego em comparação ao último ciclo presidencial.>
Cientistas políticos vinculados a instituições como a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Laboratório de Estudos Eleitorais apontam que a polarização tornou-se uma barreira. O cenário de 2026 é percebido por muitos jovens como uma disputa engessada entre campos já definidos. >
Essa sensação de que o jogo está travado reduz o incentivo para quem vota de forma facultativa. Se o adolescente não enxerga espaço para terceiras vias ou novas pautas, o esforço de regularizar o documento acaba ficando em segundo plano.>
Para combater essa apatia, o TSE e o Unicef mudaram o tom. A aposta agora são as gincanas digitais através dos NUCAs (Núcleos de Cidadania de Adolescentes). A ideia é transformar o dever cívico em uma ação de grupo. >
Mais de 2.300 municípios participam dessas frentes de mobilização. O objetivo é usar o "efeito de rede", o jovem convence o amigo, que convence o vizinho. É uma tentativa de retomar o protagonismo que, em 2022, veio de forma mais espontânea.>
No cenário nacional, a Bahia segue como um colégio eleitoral decisivo, mas que também sente os reflexos da queda nacional. O estado soma hoje aproximadamente 87.885 jovens aptos a votar pela primeira vez. >
Desse total, a capital Salvador concentra 7.856 novos eleitores. A distribuição por idade no estado mostra uma pirâmide clara, são 16.165 adolescentes com 16 anos e a grande maioria, 69.385, já com 17 anos, no limite da obrigatoriedade.>
Há também uma explicação estrutural, o Brasil está envelhecendo. O contingente total de pessoas nesta faixa etária é menor do que em anos anteriores, o que reduz a "base" potencial de novos títulos. >
Porém, a Justiça Eleitoral reforça que a queda não é apenas demográfica, mas de participação ativa. O recado é claro, quem não tira o título agora, deixa que os outros escolham o futuro por eles. A renovação democrática depende dessa presença nas urnas.>
O prazo final para tirar o título pela primeira vez ou regularizar qualquer pendência foi encerrado nesta quarta-feira, dia 6 de maio. Com o cadastro eleitoral agora fechado para a organização do pleito de outubro, os dados consolidados pelo sistema TítuloNet confirmam o desafio da Justiça Eleitoral em engajar a nova geração. Para os adolescentes que conseguiram garantir o documento, o direito ao voto já está assegurado para o dia 4 de outubro, quando o país define o seu futuro nas urnas.
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