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Maiara Baloni
Publicado em 13 de março de 2026 às 14:00
O calendário de Brasília em 2026 está mais apertado do que o habitual. Com as eleições de outubro no horizonte, o Congresso Nacional vive uma corrida contra o tempo para votar projetos que mexem diretamente com o funcionamento do Estado e o bolso dos brasileiros. >
O custo do Congresso Nacional
Historicamente, anos eleitorais funcionam como um filtro. Pautas que trazem alívio imediato ao cidadão ganham velocidade, enquanto reformas estruturais mais polêmicas costumam enfrentar maior resistência ou acabar adiadas.>
No topo da lista de prioridades está a atualização da tabela do Imposto de Renda. A proposta de isenção para quem recebe até R$5 mil mensais é o grande trunfo político do momento. Após passar pela Câmara no final do ano passado, o texto agora segue em tramitação prioritária no Senado, com projeção de votação no primeiro semestre. Para o governo e para os parlamentares que buscam a reeleição, entregar esse benefício é uma prioridade estratégica. >
O debate técnico agora se concentra em como compensar essa renúncia de receita. As propostas em discussão incluem uma tributação mais severa sobre lucros e dividendos de grandes empresas e o aumento do imposto sobre o capital próprio. Para o contribuinte, a mudança representa um ganho real no poder de compra, o que explica a pressa do Legislativo em concluir a votação ainda no primeiro semestre.>
Enquanto o Imposto de Renda foca no alívio direto, a Reforma Tributária entra em uma fase de ajustes finos. O foco atual é a regulamentação do que já foi aprovado, como as normas da Lei Complementar 227/2026. Este ano é considerado "pedagógico", funcionando como um período de transição em que as empresas começam a adaptar seus sistemas aos novos impostos, o IBS e a CBS. >
Embora a mudança completa leve anos, as discussões atuais no Congresso definem pontos sensíveis, como o funcionamento do "cashback" de impostos para famílias de baixa renda e a fiscalização de transações no ambiente digital. Por ser uma pauta de Estado, ela continua avançando, mas o ritmo detalhista pode sofrer com as ausências de parlamentares que estarão em campanha em suas bases eleitorais nos próximos meses.>
Já a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) vive um cenário oposto. O projeto está parado na Câmara desde 2021, pronto para pauta no Plenário, mas segue sem votação por falta de consenso. Recentemente, o debate ganhou um novo elemento com a PEC 38/2025, protocolada em outubro de 2025 com 171 assinaturas, tentando reaquecer a discussão sobre a modernização do serviço público. >
Embora exista pressão de setores econômicos pela sua aprovação como forma de controle do gasto público, o tema é politicamente sensível. Em ano de eleição, mexer em direitos e na estabilidade de carreiras públicas gera um desgaste que muitos deputados e senadores preferem evitar. Por isso, a tendência observada por analistas é que a reforma administrativa tenha um avanço tímido ou parcial, deixando as mudanças mais profundas para o início da próxima legislatura.>
O cenário para os próximos meses exige atenção a essa "janela curta" de trabalho legislativo, que costuma se fechar simbolicamente no final de junho, quando o foco se volta inteiramente para as ruas. Para quem acompanha a economia, o desafio será separar o que é avanço estrutural real do que é movimento de palanque. Entre a simplificação de impostos e a busca por eficiência estatal, 2026 definirá qual será a base econômica do país para o próximo ciclo de governo. >