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Maysa Polcri
Publicado em 4 de junho de 2026 às 18:32
A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou uma nova manifestação ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em que recomenda que o inquérito sobre compra de respiradores no então governo de Rui Costa (PT) na Bahia seja novamente remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF). As informações foram reveladas pelo Estadão nesta quinta-feira (4). >
De acordo com a manifestação, a PGR argumenta que as suspeitas de crimes na compra de respiradores por Rui Costa podem ter envolvido também operações de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos enquanto ele era ministro da Casa Civil do governo Lula, o que justificaria a mudança de foro. O ex-governador da Bahia deixou o cargo no Governo Federal em abril deste ano para disputar uma vaga no Senado. >
O escândalo envolvendo a compra de respiradores teve início em 2020, no início da pandemia da covid-19. Rui Costa, na época, era presidente do Consórcio dos Governadores do Nordeste e assinou um contrato de R$ 48 milhões para compra de respiradores pulmonares com uma empresa que não tinha a documentação necessária para importar os aparelhos e autorizou o pagamento adiantado. Os itens comprados nunca foram entregues e o dinheiro não foi recuperado. >
A PGR diz que os bloqueios judiciais determinados pela investigação conseguiram obter menos de 3,5% do total desviado, segundo o Estadão. Na manifestação, a PGR informou que a Polícia Federal ainda está finalizando diligências para descobrir o destino do dinheiro desviado e apontou que os recursos podem ter se convertido em patrimônio dos alvos investigados, citando o ex-governador Rui Costa. >
O CORREIO entrou em contato com a assessoria de imprensa de Rui Costa que, até esta publicação, não se manifestou sobre os fatos noticiados. Este texto será atualizado assim que houver retorno. >
“A ocultação de valores em apuração reúne esses elementos. É crime permanente que, segundo os indícios coligidos, teve início no contexto da contratação assinada por Rui Costa como Governador e se manteve, sem solução de continuidade, durante o período em que ele ocupou o cargo de Ministro de Estado”, disse a Procuradoria-Geral da República. >
“Enquanto o agente mantém os valores fora do alcance das autoridades, a conduta se renova a cada dia. Os recursos não desapareceram; foram convertidos em patrimônio que permanece oculto e que, segundo todos os indícios, persiste oculto no momento presente. Há diligências em curso justamente para identificar onde estão os valores e quem deles se beneficia”, acrescenta. >
A PGR também destaca que o ex-governador e atual pré-candidato teria feito parte do "núcleo político" da compra dos respiradores, considerada prejudicial ao interesse público. Também destaca sua posição como presidente do Consórcio. >
“Rui Costa é investigado no núcleo político da contratação. Deliberou pela assinatura do contrato cuja redação era prejudicial ao interesse público e presidia o Consórcio Nordeste. Nos termos de colaboração premiada de CRISTIANA PRESTES TADDEO e LUIZ HENRIQUE RAMOS JOVINO, os colaboradores descreveram a possível atuação criminosa do núcleo público, nele incluído RUI COSTA. A contextualização da Procuradoria-Geral da República já apontava a possível existência de organização criminosa gestada durante a pandemia. A apuração não fixou ainda o momento de consumação dos atos de ocultação nem identificou o beneficiário final dos recursos desaparecidos”, diz a PGR.>
A manifestação foi enviada ao ministro do STJ Og Fernandes, que é o relator do caso. Ele decidirá se envia o processo ao STF, onde tramitou anteriormente sob relatoria de Flávio Dino. Na manifestação, a PGR também criticou as sucessivas mudanças de foro, entre STF e STJ, e disse que elas resultaram na paralisação da investigação. >
O caso esteve no STJ, mas foi encaminhado ao STF em 2023 por determinação do ministro Og Fernandes. Já no STF, o ministro Luís Roberto Barroso determinou que o caso fosse enviado para a Justiça Federal da Bahia. >
O cenário mudou porque o Supremo fixou recentemente um conjunto de regras para estabilizar as mudanças no foro privilegiado que apontam a prevalência do tribunal de maior graduação. Isso vale para caso de pessoas que ocuparam cargos sucessivos com prerrogativa de foro em diferentes tribunais, como Rui Costa. >
Dessa forma, ao apontrar que os fatos de ocultação dos recursos supostamente continuaram ocorrendo enquanto Rui Costa era ministro da Casa Civil, a PGR avalia que devem ser analisados pelo STF. >