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Rodrigo Daniel Silva
Publicado em 15 de maio de 2026 às 05:30
O fundador do Instituto Ideia, Maurício Moura, avalia que a eleição presidencial de 2026 deve ser decidida por uma margem apertada, entre quatro e cinco pontos percentuais. Ele afirma que cerca de 5 milhões de eleitores serão decisivos para o resultado da disputa, especialmente nas periferias das grandes cidades do Sudeste. >
Segundo Moura, esse público é formado majoritariamente por mulheres empreendedoras e eleitores de meia-idade que enfrentam dificuldades econômicas e alto nível de endividamento. >
Maurício Moura também aponta que temas como segurança pública, violência e corrupção terão peso no debate eleitoral, mas destaca que a percepção sobre melhora ou piora da vida econômica será determinante para definir o voto desse grupo considerado “em disputa”. >
O senhor tem dito que essa eleição presidencial deve ser definida entre quatro e cinco pontos percentuais de diferença. Por quê? Como chegou neste cálculo?>
É uma conta bastante objetiva. A gente tem uma situação nesse governo que é muito única na história. Todo mundo que votou no (ex-presidente Jair) Bolsonaro no segundo turno em 2022, em nenhum momento de maneira consistente, aprovou esse governo (Lula). Então, esse governo parte de um teto de aprovação muito baixo. E a gente está falando aí de 47, 48%, que reprovam o governo. E aí o governo perdeu de quatro a cinco pontos percentuais de gente que votou no Lula em 22 e que hoje ou reprova ou acha que não merece continuar.>
Desses quatro a cinco pontos, é claro que tem gente que não vai votar, tem gente que vai votar branco e nulo. E a minha conta é: essa eleição vai ser decidida basicamente por esse público. Muita gente votou no Bolsonaro em 18, depois mudou para o Lula e foi fundamental para a vitória do Lula em 22. E é um público que pode ir para os dois lados. Pode transitar tanto para a oposição quanto para o governo. Na minha conta, são 5 milhões de eleitores que realmente vão decidir a eleição. São os eleitores que estão em disputa.>
Qual é o perfil desses 5 milhões que vão decidir a eleição? >
É muito concentrado em regiões periféricas das grandes cidades, principalmente do Sudeste: São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Recife e Salvador também, mas principalmente no Sudeste. É um público com renda de dois a cinco salários mínimos, mas é um público que não tem uma fonte de renda só. A pessoa tem diversas atividades para gerar renda. A maioria é mulher empreendedora. É um público muito apolítico, que está fora das bolhas literalmente.>
Maurício Moura
Fundador do Instituto IdeiaNão é um público jovem, é de meia-idade. Está sofrendo muito com a economia nessa gestão, por isso que desaprova o governo. Principalmente, pelo nível de endividamento. As pessoas até têm renda, emprego e renda adicional, mas não conseguem cumprir com as obrigações. Isso é uma fonte contínua de ansiedade.>
O governo Lula tem tido uma desaprovação alta entre os jovens. Por quê?>
Não é uma dificuldade exclusiva do governo. Acho que dialogar com os jovens na política tradicional é um problema global. Mas a gente tem um líder com 80 anos de idade. Por mais que ele tenha ideias oxigenadas e novas, ele vai ter natural dificuldade de dialogar com os jovens. Então, a gente tem uma liderança que é envelhecida. Lula não usa nem celular. >
O fato de não ter renovação afasta Lula dos jovens e do PT. E existe um sentimento na juventude de querer empreender, e a formação do PT, do Lula veio de uma época industrial. A dinâmica da sociedade e da economia era muito diferente.>
Quais são os temas que vão decidir a eleição?>
A gente vai falar muito sobre segurança pública, violência e corrupção. Por outro lado, no grupo que eu falei, o que vai decidir será a sensação em relação à economia. Ou seja, a melhora de vida ou não.>
Maurício Moura
Fundador do IdeiaO governo diz ter indicadores econômicos bons, mas as pessoas não sentem no dia a dia essa melhora na vida delas. Como explicar isso?>
O emprego formal é diferente do emprego informal. A gente tem um oceano de informalidade na economia brasileira, e os dados oficiais de emprego não dialogam com a dinâmica da informalidade. Esse é o primeiro ponto. O segundo ponto é que houve aumento da massa salarial real, só que o endividamento não mexeu. As pessoas continuam altamente endividadas.>