Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Trump mira o Pix: entenda por que os EUA colocaram o sistema brasileiro na mira

Relatório americano critica o modelo do sistema brasileiro e abre nova frente de tensão entre os dois países

  • Foto do(a) author(a) Rodrigo Daniel Silva
  • Rodrigo Daniel Silva

Publicado em 6 de junho de 2026 às 05:30

Bruno Peres/Agência Brasil
A discussão sobre o Pix também ganhou espaço na corrida presidencial deste ano Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

Citado 20 vezes pelo governo de Donald Trump como exemplo de prática comercial “irrazoável” no documento que propõe uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o Pix está no centro da disputa entre Estados Unidos e Brasil. Atualmente, o sistema de pagamentos instantâneos é utilizado por cerca de 170 milhões de pessoas, o equivalente a 80% da população brasileira.

No relatório elaborado após investigações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o governo americano afirma que o Brasil tem prejudicado empresas americanas do setor de pagamentos eletrônicos ao adotar políticas que favorecem o Pix.

Os Estados Unidos também questionam o papel desempenhado pelo Banco Central, com o argumento de que a instituição atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que, na avaliação do governo americano, poderia gerar conflito de interesses.

Para o professor do Instituto de Economia da Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos, a iniciativa do governo Trump tem como objetivo disputar o mercado brasileiro de pagamentos eletrônicos e enviar um recado a outros países que cogitam criar sistemas semelhantes. “O Pix já é um sistema soberano, público e gratuito, que oferece uma alternativa a essas redes privadas, que geram muitos lucros, que são controlados pelos EUA”, explica o especialista.

Pedro Zahluth rebate a acusação de discriminação contra empresas americanas. Segundo ele, o Pix demonstrou que uma infraestrutura pública pode substituir modelos privados baseados na cobrança de tarifas e já inspira iniciativas semelhantes em outros países, como a Índia.

O especialista afirma ainda que o Pix já movimenta mais recursos do que bandeiras tradicionais como Visa e Mastercard. Para ele, o sistema não impede a atuação dos cartões de crédito, mas concorre com eles ao oferecer um serviço gratuito e eficiente. “O Pix não está impedindo a operação dos cartões. Ele compete, claro, oferecendo um bem público, gratuito e que funciona”, declarou.

A discussão sobre o Pix também ganhou espaço na corrida presidencial deste ano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição, tem explorado o tema em seus discursos, ao afirmar que os Estados Unidos estariam tentando atingir o sistema brasileiro. Em um evento em Goiás, chegou a erguer um cartaz com a frase “O Pix é do Brasil” em resposta às medidas anunciadas por Trump.

Do outro lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL), também pré-candidato à Presidência, afirma que o sistema foi concebido durante o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e tem atribuído a ele o mérito pela criação da ferramenta.

Nas redes sociais, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio, chegou a sugerir a substituição do Pix pelo Zelle, sistema de pagamentos criado em 2017 por grandes bancos dos Estados Unidos. A plataforma é administrada pela Early Warning Services, empresa controlada por instituições como Bank of America, Capital One, JPMorgan Chase, PNC Bank, Truist, U.S. Bank e Wells Fargo.

Em meio ao debate político, o diplomata Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), minimiza os riscos para o sistema brasileiro. “O Pix em si não sofre nenhuma ameaça”, afirma.

Segundo Azevêdo, há um exagero no debate travado no Brasil sobre possíveis impactos da investigação americana. “Não acho que o Pix vai sofrer nenhuma alteração. Eles (os EUA) não vão pedir nada disso. O que eles gostariam é que o Pix fosse administrado de forma diferente e o pedido pode ser ou não atendido pelo Brasil”, analisa.

*Com informações da BBC Brasil, Agência Brasil, CNN Brasil, g1 e jornal O Globo