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Conheça a história do repórter do CORREIO que ficou pelado na Fonte Nova

O dia de fúria aconteceu após seu time, o Vitória, sofrer uma goleada do rival Bahia no clássico. Ele ainda jogou uma máquina de escrever no colega

  • Foto do(a) author(a) Moyses Suzart
  • Moyses Suzart

Publicado em 29 de março de 2026 às 06:00

A redação do Correio nos anos 80. Tudo calmo, mas tinha seus dias de caos
A redação do Correio nos anos 80. Tudo calmo, mas tinha seus dias de caos Crédito: Acervo CORREIO

Salvador tem dois pólos: Vitória e Bahia. Nesta esfera, é preciso muita sanidade para conseguir manter a postura quando seu time perde um clássico, ainda mais quando é humilhado com uma goleada. Nos contos e resenhas esportivas desta capital que completa 477 anos, um repórter do CORREIO teve seu dia de fúria e loucura depois de ver seu time, o Vitória, levar uma goleada de 4x0 do rival tricolor. Obviamente, vou preservar o nome do ex-colega, pois advogado está o olho da cara, mas todo mundo da velha guarda imagina quem seja, pois sua história é de muito amor e doideiras pelo Vitória. O certo é que a história envolve um corre nu, texto sem placar, mais nudez, máquina de escrever arremessada e muita, muita risada. Há, e uma quase demissão.

Tudo começou no Baianão de 1988, com aquele time do Bahia que se tornaria campeão brasileiro. Na missão, o nosso querido repórter iria cobrir o evento, que na época não tinha internet. Só dava para ver o jogo in loco, ouvir no radinho, ou só ler sobre o jogo no dia seguinte, no jornal impresso ou assistindo os gols na TV. Só. O Esquadrão abriu o placar com Zé Carlos e Paulo Róbson. Sandro marcou mais dois. Todos na tribuna de imprensa sabiam da fama do nosso querido cronista esportivo de perder o controle quando o Leão perdia. Começou a gozação. O que o jornalista fez? Tirou a roupa, ficou nu e começou a correr pela sala de imprensa.

Não satisfeito, saiu da sala de imprensa e mostrou suas partes íntimas para a torcida que comemorava a goleada. Não deu outra. O repórter foi expulso da Fonte Nova e ficou suspenso de frequentar o local. Mas ele precisava fazer o texto do jogo e voltou para a redação. Chegando lá, mais uma surpresa. Bateu a matéria do jogo na sua máquina de escrever (sim, não existia computador nas redações) e entregou para o revisor. O dito cujo, tricolor, leu o texto e identificou um detalhe: não constava, em nenhuma linha, o resultado do jogo. Gozação, parte dois. O povo começou a sacanear o já injuriado repórter, que cometeu sua segunda loucura: pegou sua máquina de escrever e arremessou no revisor.

Confusão formada, um chamando o outro “pra mão”, os deixa disso separando, a turma que gosta de confusão gritando, outros fumando, alguns rindo. “Foi uma zoada da porra. Tinha gente rindo, provocando. Eu era um novato na redação, estava vendo aquilo tudo, sem acreditar. Na confusão, ele tirou a roupa de novo lá dentro da redação, baixou as calças e saiu andando”, lembra o fotógrafo Maguila, que hoje curte sua aposentadoria. “Ele não era esse cara todo dia, não. Era respeitador, tranquilo com os mais novos. Era uma pessoa querida por todos. Esse dia foi totalmente fora da curva”, ressalta.

A confusão foi parar nos ouvidos da chefia. Muita gente estava pedindo a cabeça dele, outros disseram que foi um caso isolado. O assunto foi tão cabeludo, que muitos colegas que presenciaram o fato pediram anonimato. “Ele ficou meu inimigo só porque eu sou Bahia”, disse um colega. Outro inclusive fala quem acabou salvando a pele do nosso jornalista.

“A cabeça dele estava para rolar, mas a história foi para o conhecimento de Antonio Carlos Magalhães e Luís Eduardo. Como eles eram Vitória e conheciam bem o repórter, intercederam por ele e pediram para não fazerem nada. Ele acabou recebendo apenas uma advertência”, disse outra testemunha ocular.

O episódio virou lenda de redação, dessas que atravessam gerações e ganham novos detalhes a cada recontagem. Em Salvador, onde o Ba-Vi nunca termina no apito final, a história daquele dia de fúria segue viva, misturando futebol, paixão e um nível de loucura que só quem já sofreu com uma goleada entende. No fim, o placar até pode ser esquecido, mas a cena… Essa ninguém apaga.

O projeto Aniversário de Salvador é uma realização do Jornal Correio, com patrocínio do Salvador Bahia Airport, apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador e apoio do Salvador Shopping.

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