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Amor à dança reúne jovens de Salvador em festivais de valsa

Competições são realizadas por equipes formadas por amigos que dançavam em bailes de debutantes e gente nova que se encantou pelo gênero musical nascido na Áustria e Alemanha

  • Foto do(a) author(a) Gabriela Cruz
  • Gabriela Cruz

Publicado em 9 de outubro de 2017 às 06:03

 - Atualizado há 3 anos

. Crédito: Mauro Akin Nassor
Corpo de Baile Valse D' Amour por Mauro Akin Nassor

Teve torcida organizada, figurino pomposo, rivalidade e muita emoção na sétima edição do Festival de Valsa promovido durante o domingo (8) pelo grupo Por Amor, que recebeu 14 outras equipes dos bairros da Liberdade, Cajazeiras, Nazaré, Sussuarana, Castelo Branco e Mussurunga, entre outros, no Colégio Estadual Dona Leonor Calmon, na Fazenda Grande 2. Os vencedores foram o Grupo de Valsa Embalos de um Sonho, que levou o primeiro lugar, o Corpo de Baile Sonho de Valsa, o Corpo de Baile Valse D' Amour, o Grupo de Valsa Sintonia e o Grupo de Dança Amor Eterno.

Formados originalmente por amigos que na adolescência se reuniam para dançar valsa em bailes de 15 anos, hoje as equipes têm em seus corpos de baile jovens de 14 a 26 anos, que ensaiam todas as semanas para as competições apenas por diversão. “Os festivais são realizados pelos próprios grupos para que dança continue existindo. Estes momentos nos unem”, conta Suana Emily, 24 anos, presidente do Corpo de Baile Valse D' Amour.  Apresentação do Valse D'Amour: ao som de Abba sob o sol de meio-dia (Foto Mauro Akin Nassor) Segunda a se apresentar, a equipe de Suana, do bairro de Nazaré, estreou uma coreografia inspirada na história de amor entre o Pierrot, a Colombina e o Arlequim e foi aplaudido de pé pelo público que lotou o evento, realizado na quadra de esportes da escola. Foram 24 bailarinos, usando figurinos caprichados, além do trio principal. Enquanto interpretavam a história de idas e vindas do triângulo amoroso, dançaram ao som de uma sequência musical genial - que teve de valsa a Abba -, por mais de 15 minutos em pleno sol do meio-dia. 

Ao som de aplausos

O começo do concurso foi tenso. Depois da apresentação da Companhia de Dança Ritmo Quente, a turma do Novos Talentos se posicionou para mostrar a coreografia inspirada na cultura espanhola, com direito a figurino nas cores da bandeira do país europeu. Mas duas panes no sistema de som fizeram os bailarinos, muito emocionados, dançarem sem música, substituída por aplausos ritmados do público. Será justamente no território deles o próximo festival, dia 22, no Sesc do Aquidabã. Grupo Novos Talentos: pane no som e valsa dançada no ritmo dos aplausos (Foto: Mauro Akin Nassor) Na plateia, Maynara Santos, 19 anos, e Jéssica Bispo, 18, assistiam às apresentações esperando o momento de transformarem a quadra em palco junto com o Grupo de Valsa Recordação, de Castelo Branco. Com a maquiagem pronta, ambas responderam da mesma forma quando questionadas sobre o motivo de quererem dançar valsa: “É por amor”. “Conheci o grupo na escola, quando tinha 14 anos, e nunca mais parei. É como uma família”, define Maynara.

Assim como as amigas, Michele Miranda, 22 – a colombina -, também atribui ao amor pela dança o único motivo para dividir o tempo dedicado à faculdade de Odontologia com os ensaios. “Danço há dez anos e como estou em um dos papéis principais da apresentação me sinto responsável por todos. Para mim, isso é muito forte porque sei que se não me dedicar vou prejudicar o coletivo”, revela a jovem, que além de talento na sapatilha, já mostrou desenvoltura como cantora, fazendo ao vivo a trilha do espetáculo anterior do D’Amour, Burlesque. Jéssica Bispo e Maynara Santos, do Grupo de Valsa Recordação: amizade nascida na dança (Foto: Mauro Akin Nassor) Com o mesmo tempo de trajetória que Michele, o assistente administrativo Diógenes do Carmo, 26, é famoso no meio. “Já dancei em mais de 80 bailes de debutante e fui o príncipe umas 20 vezes ao longo desses anos”, contabiliza o bailarino, que há um ano está na D’Amour, depois de passar 8 anos em outro grupo.  A dedicação é tanta, que Dinho, como é conhecido na dança, já chegou a ensaiar por mais de 12 horas seguidas. Para a apresentação de domingo, tanto eles quanto os companheiros começaram a maquiagem às 3h.“Não estamos aqui por dinheiro nem nada parecido. A sensação de dançar é tão gratificante que vale qualquer sacrifício”

Diógenes do Carmo, bailarino do Valse D’Amour Diógenes do Carmo e seu par na apresentação: maquiagem começou nove horas antes da apresentação (Foto: acervo pessoal) Por amor

E olha que não é fácil mesmo. Grande parte dos integrantes não têm formação em dança. Alguns fazem cursos, mas a maioria aprende mesmo nos ensaios e pesquisando na internet. “Fazemos uma valsa urbana, misturando o ritmo com outros sons e acabamos agradando o público”, opina o diretor-coreógrafo da D’Amour, Lipe Paixão, de 24 anos. Para quem não sabe, o gênero musical surgiu na Áustria e na Alemanha no Século 15, e chegou ao Brasil com a transferência da corte portuguesa ao país, em 1808. “Nosso nome não é por acaso. Só o amor pela dança explica tanta dedicação”

Felipe Santana, um dos líderes do Grupo de Valsa Por AmorCada grupo que disputa os festivais leva cerca de três meses para conceber uma apresentação, entre definição de tema, trilha sonora, figurino, coreografia e ensaios. Os custos saem do bolso dos próprios integrantes. Algumas equipes participam de bailes de debutante em troca de cachê e cobram ingressos nas competições (o deste domingo custou R$10). O dinheiro é usado para a compra de tecidos, adereços e elementos cênicos que ajudam a dar vida às próximas coreografias. 

“Não temos ajuda de ninguém. Já batemos na porta de vários empresários, mas não conseguimos nenhum tipo de apoio”, desabafa Felipe Santana, um dos líderes do grupo anfitrião do festival deste domingo, o Por Amor. “Nosso nome não é por acaso. Só o amor pela dança explica tanta dedicação”, disse o jovem, que fundou o GVPA há sete anos. “Uma amiga, que inclusive está com a gente, ia fazer 15 anos e resolvemos ensaiar para a valsa. Gostamos tanto que estamos dançando até hoje”, relembra. A história de Suana é parecida com a de Felipe. O tal amor apareceu para ela aos 14 anos, quando se preparava para seu próprio baile. “Hoje eu respiro valsa, assim como cada membro ou diretor do grupo”.

Suana Emily, presidente do Corpo de Baile Valse D' Amour

Entenda os festivaisSão cerca de 30 grupos de valsa em Salvador, mas poucos promovem festivais. Cada equipe faz o festival em seu bairro ou escola-base e convida os outros. O grupo anfitrião não compete. O júri avalia expressão corporal e facial, figurino, criatividade, coreografia, sincronicidade e o desempenho do príncipe e da princesa, além de eleger o casal que mais se destacou em cada apresentação. A quantidade de jurados varia de um festival para outro bem como a premiação. O Por Amor entregou R$ 1.200 e troféus para as cinco primeiras colocações, mas geralmente os concursos não premiam com dinheiro. Não existe associação de valsa nem nada parecido em Salvador. Cada grupo tem sua diretoria e decide quando e onde farão os festivais. Os temas são escolhidos por cada grupo e guardados a sete chaves até perto da apresentação no melhor estilo “o segredo é a alma do negócio”. “Cada apresentação dura 17 minutos e precisa contar um história dentro da temática. Tudo tem que ter um contexto”, explica Suana. A ordem de apresentação é decidida em sorteio e todo mundo torce para não ser o primeiro. Reza a lenda que quem abre nunca vence os festivais. Os príncipes e princesas de cada apresentação são sempre os melhores de cada equipe.  Os grupos têm, em média, 40 integrantes, que ensaiam toda semana. As idades variam de 14 a 26 anos. “Acabamos fazendo um trabalho social, ocupando o tempo dos jovens”, avalia Felipe. A rivalidade na quadra não impede que a amizade entre os times. “Fazemos até festas juntos. A dança nos une”, conta Suana. Além dos festivais, existe os concursos de duplas, com critérios e formato parecidos com o Dança dos Famosos do Domingão do Faustão. O próximo acontece entre novembro e dezembro e será promovido pelo Dance D’Amour. Os grupos também participam de outras programações, como bailes de debutante, apresentações de dança e eventos beneficentes.