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Caminho da Fé, no Bonfim, tem obras de arte restauradas

Das 28 peças produzidas por Juarez Paraíso, 22 foram arrancadas e precisaram ser refeitas

  • Foto do(a) author(a) Doris Miranda
  • Doris Miranda

Publicado em 26 de maio de 2026 às 06:00

O percurso no Bonfim reúne totens que retratam a história de Santa Dulce  e a devoção ao Senhor  do Bonfim
O percurso no Bonfim reúne totens que retratam a história de Santa Dulce e a devoção ao Senhor do Bonfim Crédito: Jefferson Peixoto / PMS

Cerca de um terço dos R$ 603 mil gastos com serviços de restauração de monumentos em Salvador, no ano passado, foi investido na reposição das obras do Caminho da Fé, na Avenida Dendezeiros, na Cidade Baixa. Das 28 peças produzidas pelo artista plástico Juarez Paraíso, com a colaboração de 14 artistas, 22 foram arrancadas e precisaram ser refeitas e reinstaladas.

Além das gravuras, os 14 totens de madeira e base de granito, que sustentam as obras de arte, também foram vandalizados. Os equipamentos foram arrancados, danificados, pichados, riscados e alguns foram utilizados como depósito de lixo. O investimento para a restauração foi de R$ 200 mil.

Obras de arte no caminho da Fé por Jefferson Peixoto / PMS

“As obras do Caminho da Fé foram totalmente restauradas após sucessivos atos de vandalismo registrados. O percurso artístico reúne 14 estações com 28 obras que retratam a história de Santa Dulce dos Pobres e a devoção ao Senhor do Bonfim. Apesar de fixadas com parafusos ocultos e protegidas por vidro, 22 peças foram furtadas, levando à reposição completa dos totens em madeira com as chapas de aço inox nas quais foram feitas as pinturas de Juarez Paraíso”, conta a gerente de Patrimônio Cultural da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Roberta Santucci.

Com o objetivo de imortalizar um dos principais expoentes artísticos da Bahia, a FGM abriu o processo de tombamento das obras. A próxima etapa é a elaboração de um dossiê, que será submetido ao Conselho de Patrimônio Cultural, e a inscrição no livro competente.

“Toda arte pública significa uma referência do bem cultural que a cidade tem e preza. Então, é necessário que haja uma preservação constante. Esse trabalho foi vandalizado duas vezes. Na primeira vez, logo após a inauguração, todas as efígies foram riscadas. É algo incompreensível”, lamenta o escultor, pintor, gravador, desenhista e imortal da Academia de Letras da Bahia, Juarez Paraíso.

O designer gráfico Washington Falcão, convidado por Juarez para a reprodução e instalação das obras no Caminho da Fé, conta que a recuperação dos marcos religiosos foi feita em duas etapas: uma primeira em relação aos totens, que envolveu um trabalho de limpeza e de recuperação da madeira, e uma segunda, que esteve concentrada no processo de refazer as obras para reposição.

“Foi feita uma nova gravação e instalação, agora, com mais cuidado, na tentativa de evitar novos furtos e depredações. Utilizamos bastante parafuso e uma base de inox para fixar as peças, para dar mais segurança”, complementa Washington.

Com 1,1 quilômetro de extensão, o corredor turístico e religioso que liga o Santuário Santa Dulce dos Pobres à Basílica Santuário Senhor do Bonfim foi entregue em agosto de 2020 pela Prefeitura de Salvador. Na ocasião, a via ganhou nova infraestrutura, incluindo obras de drenagem, instalação de passeios ampliados, novas faixas de pedestre no nível da pista, fiação subterrânea da rede de telefonia, iluminação em LED, mobiliário urbano e marcos religiosos.

Já as esculturas dos totens foram produzidas pelo arquiteto Adriano Mascarenhas, enquanto as obras de arte embutidas nessas estruturas foram produzidas por Juarez Paraíso, com a colaboração de Juraci Dórea, Marcia Magno, Ray Vianna, Sônia Rangel, Murilo, Guache Marques, Edsoleda Santos, Leonel Mattos, Paulo Rufino, Fernando Freitas Pinto, J. Cunha, Bel Borba, Chico Mazzoni e Washington Falcão.

Aos 91 anos, Juarez Paraíso explica um pouco mais sobre o projeto: “Cada totem é composto por três peças em aço e tem uma efígie, ou seja, o rosto de Irmã Dulce de um lado e o do Senhor do Bonfim de outro. No caso de Irmã Dulce, são frases ditas por ela e, no caso do Senhor do Bonfim, são textos sobre a vida dele, a relação com a população e com as festividades. É um trabalho que realmente eu fiz com muito carinho e muita dedicação. Trata-se de dois santos poderosos, especialmente devotados. Santa Dulce é a primeira santa brasileira e, mais ainda, baiana”, destaca Juarez Paraíso.