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Carol Neves
Publicado em 8 de maio de 2026 às 12:09
A cantora baiana Cinara lançou uma nova versão de “Mexe Mexe Mainha”, sucesso do grupo É O Tchan lançado em 1997. A releitura está disponível nas plataformas digitais e faz parte de um projeto que utiliza inteligência artificial na produção musical. >
A versão original da música marcou o auge do É O Tchan nos anos 1990 e integrou o período de maior projeção nacional do grupo, associado à consolidação da música baiana no cenário brasileiro.>
Cinara afirma que a escolha do repertório parte de músicas já conhecidas do público. “Eu gosto de pegar músicas que já fazem parte da memória afetiva das pessoas e trazer isso para o meu universo, com a minha identidade. ‘Mexe Mexe Mainha’ tem essa energia de festa, e eu acho que combina muito com esse clima de feriadão, de viagem, de encontro com amigos”, disse a cantora.>
Na nova versão, a artista incorpora elementos de R&B e referências de gêneros como blues, soul e reggae, além de influências do pagode baiano e da percussividade afro. A proposta é aproximar a canção de uma estética contemporânea sem se afastar da música popular brasileira.>
Com 22 anos, Cinara já acumula mais de 700 mil visualizações em um vídeo em que interpreta sua versão de “Vem Meu Amor”, do Olodum, outro clássico da música baiana.>
Uso de inteligência artificial>
A releitura de “Mexe Mexe Mainha” foi produzida por Eduardo Oliveira, pesquisador musical responsável pelo projeto Não Sou Robô, que trabalha com o uso de inteligência artificial em arranjos musicais.>
Segundo ele, o processo envolveu experimentações com diferentes estilos até chegar ao resultado final. “Existe uma possibilidade imensa de reinventar músicas já conhecidas. Fui testando versões, estilos, até chegar a um resultado que fizesse sentido. Não foi imediato, foi um processo de escuta e construção”, afirmou.>
Eduardo destaca que a inteligência artificial funciona como ferramenta no processo criativo. “É uma nova forma de fazer arte, em que você lida com a IA para criar algo novo, nem ela tem o total controle nem você. É na interação entre você e o software que a música surge”, disse.>
Ele também diferencia o uso automatizado da tecnologia de um processo autoral. “Existe a música ‘por’ IA, em que você apenas insere um comando, e a música feita ‘com’ IA, que exige construção, revisão, escolhas. Você vai moldando o resultado, e isso depende de estudo, de repertório e de entendimento musical”, explicou.>
Para o produtor, o fator humano continua central no processo. “O olhar humano está sempre. Nada nasce que não seja do humano. A tecnologia vem para complementar, ampliar possibilidades, mas o início é sempre humano”, afirmou.>
A faixa tem co-produção de Ricardo Belo e mixagem e masterização de Kafé. O lançamento integra um novo projeto de Cinara baseado no uso de inteligência artificial, que também deve incluir outra releitura de um clássico do É O Tchan, “Paquerei”.>