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Gil Santos
Publicado em 21 de maio de 2015 às 07:53
- Atualizado há 3 anos
Terra deslizou entre Ladeira da Montanha e Conceição da Praia: seis casas construídas irregularmente no fundo de um casarão foram atingidas (Foto: Mauro Akin Nassor)Erguidas irregularmente no fundo de um casarão no Centro Histórico, no Comércio, seis casas foram atingidas pela encosta que deslizou, ontem de manhã, entre a Ladeira da Montanha e Rua da Conceição da Praia. Claudenice Santos Gonçalves, 51 anos, morreu soterrada. Essa foi a segunda morte na região em menos de uma semana e a 21ª, desde abril, por causa das chuvas. >
Por causa do deslizamento, linhas de ônibus deixaram de circular na Ladeira da Montanha para evitar a movimentação do terreno. O show de Ivete Sangalo e Criolo, que aconteceria no Comércio, foi cancelado. A prefeitura voltou a pedir para que moradores de áreas de risco deixem as casas e procurem a Defesa Civil de Salvador (Codesal). >
De acordo com os moradores, o deslizamento aconteceu por volta das 6h30, quando, após as chuvas da madrugada, a terra da encosta desceu em direção à Conceição da Praia. “Eu estava chegando para trabalhar quando as pessoas saíram correndo. Ajudei dona Antonieta (mãe da vítima), mas a filha dela não conseguiu sair a tempo”, contou a faxineira Gildete Santana.>
Segundo ela, Claudenice, mãe de cinco filhos, havia saído do banho minutos antes do acidente. “Ela correu para pegar uma roupa porque estava de toalha, mas não deu tempo”, disse Gildete. Um homem não identificado teve alguns arranhões durante o desabamento. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, ele foi atendido por uma das equipes do Samu e liberado ainda no local.PatrimônioO acesso às casas atingidas é feito pelo casarão de número 10, que fica na Rua da Conceição da Praia — é a quinta construção ao lado do Elevador Lacerda (sentido Gamboa). A fachada do casarão não foi afetada. O imóvel integra o conjunto arquitetônico do Centro Histórico de Salvador, considerado Patrimônio Mundial pela Unesco, com cinco mil imóveis.Segundo o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Iphan), Carlos Amorim, o deslizamento não atingiu o casarão, mas apenas as casas do cortiço. “A gente está fazendo esse assessoramento (para demolição) — se pode derrubar um pedaço de muro (do casarão) para a entrada de uma máquina, por exemplo”, explicou Amorim.A Codesal informou que o desabamento do barranco destruiu uma casa por completo e deixou outras cinco danificadas. Quatro delas ficaram apenas com algumas paredes de pé. A prefeitura informou, em nota, que os imóveis foram erguidos na falha geológica da cidade — “área que não é adequada para receber qualquer tipo de construção”, diz o texto.De acordo com a diretora de Políticas Sociais da Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Semps), Juliana Portela, 30 famílias do local foram cadastradas para receber o auxílio-moradia, no valor de R$ 300 por até um ano. Deste total, cinco terão direito ao auxílio-emergência, no valor de até três salários mínimos, já que perderam tudo. “A prefeitura também vai conceder auxílio-funeral para a vítima. Também foram disponibilizados abrigos, mas as famílias estão preferindo ir para a casa de parentes e amigos”, disse.Os auxílios-moradia e de emergência serão liberados em 24 horas e 48 horas, respectivamente. Até a manhã de ontem, 1.228 pessoas haviam sido cadastradas para receber o aluguel social e outras 492 para receber o auxílio-emergência. A Codesal notificou 16 imóveis na região do desabamento de ontem. O órgão também colocou lona no local. Quem está com o imóvel em situação de risco deve acionar a Codesal pelo telefone 199 e depois a Semps, para receber o benefício. Oito imóveis foram indicados pela Codesal para demolição.>
O deslizamento deixou o terreno instável e para evitar novos deslizamentos na encosta foi necessário interditar o tráfego de ônibus e veículos pesados na Ladeira da Montanha. De acordo com a Transalvador, não há previsão de quando o tráfego será liberado. Na segunda, Olberdan dos Santos Barbosa, 32, morreu depois que outro prédio desabou no Comércio. O acidente aconteceu na Ladeira da Preguiça, a menos de 200 metros do local do acidente de ontem.Demolição Não foi demolido nenhum imóvel, ontem, na região onde ocorreu o deslizamento. Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom) não há previsão para o serviço no local. Ontem, dois imóveis que corriam risco de desabar na Rua Direta do Campo, no Calabetão, foram demolidos pela prefeitura. Desde o começo da operação chuva, 22 imóveis em área de risco foram derrubados. >