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Da Redação
Publicado em 8 de outubro de 2013 às 07:31
- Atualizado há 3 anos
Clarissa Pachecoclarissa.pacheco@redebahia.com.br>
O dia era de comemoração de aniversário no Bar do Chico Bahia, na Rua Alto do Cruzeiro, em Pernambués, mas terminou em tragédia. Anteontem, um tiroteio ocorrido por volta das 19h matou a menina Franciele Gomes dos Santos, 6 anos, e deixou outras cinco pessoas feridas. A menina, que foi atingida no peito esquerdo, era neta do dono do bar, Francisco Assis Gomes dos Santos, e sobrinha da ex-vereadora e dançarina Léo Kret.“Minha filha me pediu ajuda e eu não pude ajudar”, lamentou a mãe da garota, Ivanildes Gomes de Souza. Ela estava dentro do bar e não viu o que ocorreu, mas ouviu os disparos. “Quando ela foi atingida, pediu pra me chamar”, completou, emocionada.Corpo da garota, atingida durante ataque a bar, foi sepultado na tarde de ontem na Quinta dos LázarosDe acordo com a Polícia Civil, dois homens que estão entre as vítimas baleadas eram os possíveis alvos dos disparos: Emerson Carlos de Oliveira de Souza, 20 anos, que foi baleado de raspão na cabeça e na virilha, e Joab Gonçalves Santos, 39 anos, alvejado de raspão no braço direito. Leia também:Criança de 6 anos morta em tiroteio é enterrada em meio a protestosFamiliares de criança morta em tiroteio fecham a Paralela em protestoPolícia procura homens que mataram criança e deixaram cinco feridosTiroteio mata menina de seis anos e deixa cinco feridos em Pernambués; sobrinhas de ex-vereadora Léo Kret estão entre vítimasA principal suspeita é de que o crime tenha sido motivado por uma disputa entre traficantes. Segundo testemunhas, Emerson subiu correndo a Rua do Arrastão, transversal à Rua Alto do Cruzeiro e, na fuga, invadiu o bar onde acontecia o aniversário. Então os homens que os perseguiam dispararam para dentro do bar. Chico Baiano, avô de Franciele, disse que acontecia no estabelecimento o aniversário de uma cliente e, na confusão, os convidados correram para dentro do bar. Ele afirmou ainda que os atiradores não estavam encapuzados. Franciele e a prima dela, a adolescente Vania Santos, 14, estavam na calçada do bar, quando foram atingidas. A adolescente foi baleada na coxa esquerda.Também ficaram feridos Julio de Jesus Nunes, 27 anos, baleado na coxa esquerda, e Jackson Santos Contreiras, 25, no joelho esquerdo. Até a noite de ontem, Emerson, Joab e Jackson estavam internados no Hospital Geral do Estado (HGE).DorO corpo de Franciele foi sepultado no Cemitério da Baixa de Quintas, na tarde de ontem. Visivelmente abalada, a ex-vereadora Léo Kret disse que, após mais de 20 anos morando em Pernambués, não imaginava que sua família seria atingida pela violência da capital baiana. “A violência está demais, não podemos mais ficar na porta de casa, pois a violência está em todo lugar e tem tomado conta da cidade e do país”, lamentou.O pai da vítima, Carlos da Silva, também não escondeu sua revolta. “A violência é com idoso, jovem e criança e quem fica sofrendo com a ausência é a família. Peço uma providência, pois estamos sendo destruídos por causa da violência e da maldita droga”.O caso está com a delegada Cleuba Regina Teles, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Através da assessoria de comunicação, a Polícia Civil informou que pelo menos dois suspeitos de dispararem os tiros já foram identificados. O nome deles não foi revelado. Colaborou Joice Vieira.Após sepultamento, moradores bloqueiam a ParalelaDepois do sepultamento de Franciele, já no final da tarde, parentes e amigos da garota, juntamente com moradores de Pernambués, realizaram um protesto na Avenida Paralela, perto da rua que dá acesso ao bairro. Eles fecharam duas duas pistas no sentido rodoviária. Os manifestantes pediam justiça e cobraram ações contra a violência.Parentes e amigos fecharam avenida Paralela em protesto após morte de menina Os manifestantes queimaram pedaços de madeira na via por cerca de 30 minutos, deixando o trânsito mais complicado do e já é normalmente na região. O protesto acabou por volta das 18h15, depois da chegada de equipes das 1ª e 82ª Companhias Independentes da Polícia Militar (CIPM). Um veículo do Corpo de Bombeiro também esteve no local. Durante o sepultamento de Franciele, já havia especulações sobre a manifestação, mas o protesto só foi confirmado quando as pessoas deixaram o cemitério. A ex-vereadora Léo Kret, tia da garota morta, não participou do protesto porque, segundo ela, precisava dar atenção aos familiares. Entretanto, postou na rede social Instagram: “Manifestação na Av. Paralela. Essa violência não pode continuar. Vem pra rua vc também”.Cinco bandos disputam poder em Pernambués“Eu moro aqui há 22 anos, nunca aconteceu uma tragédia dessas”, afirmou Francisco, avô de Franciele. Outros moradores também disseram não lembrar de violência semelhante naquela área de Pernambués, perto da Rua Alto do Cruzeiro. No entanto, o próprio Francisco lembrou que o local fica muito próximo às duas regiões comandadas por traficantes: Baixa do Manu, chefiada por Luciano Santos, o Babalu, que está preso, e a Avenida São Paulo, liderada por Nal. Uma fonte ligada à PM disse que os tiros foram disparados por integrantes de uma das quadrilhas, que perseguiam rivais. De acordo com a mesma fonte, o bairro de Pernambués continua dividido por cinco grupos: a Saramandaia, chefiada por Cosme Paixão Lisboa, o Coe (também preso), a Avenida Hilda, pelos traficantes Pitto e Ronaldo, a Guiné, de Macaco, além da Baixa do Manu e Avenida São Paulo.>