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Da Redação
Publicado em 3 de fevereiro de 2023 às 00:05
- Atualizado há 3 anos
Em 2012, Talma Pereira da Silva, 49, então grávida de 5 meses, estampava a reportagem da cobertura da Festa de Iemanjá na edição impressa do CORREIO. Na ocasião, a devota chamava atenção da multidão com sua roupa azul de filha de santo. Hoje, 11 anos depois, a tradição se repete e Talma se veste de sereia nas areias do Rio Vermelho para saudar sua mãe, a rainha do mar. >
Ainda na infância, Talma, que faz parte do centro umbandista Caminho da Luz, em Camaçari, sentia uma conexão diferenciada com o mar e invejava a cauda e os longos cabelos da sereia. Muitos anos depois, quando um jogo de búzios revelou que a orixá de frente era Iemanjá, foi como se as peças de um quebra cabeça tivessem enfim se encaixado. >
Desde então, Talma se veste de sereia em todas as celebrações do 2 de fevereiro como à orixá, como forma de agradecer e homenagear. Tempo vai e tempo vem e já são mais de 20 anos de tradição. E se engana quem pensa que a produção é tarefa simples. Edição impressa do CORREIO em 3 de fevereiro de 2012 (Foto: Acervo CORREIO) Com a ajuda de uma sobrinha e da madrinha, a devota começou a se produzir às 23 horas de ontem (1) e só ficou pronta cerca de quatro horas depois. Vestido azul claro, colar de pérolas e muito brilho pelo corpo foram a escolha deste ano. “Há mais de 20 anos eu venho aqui agradecer por todas as bênçãos que Iemanjá me deu ao longo da minha vida. Ela é uma mãe muito dedicada para todos nós”, diz.O filho, João Pedro, 10, que na primeira reportagem ainda estava no ventre da mãe, não participou da celebração neste ano. “Como eu saí de casa 3 horas da manhã, ele não veio. Mas ele gosta muito da parte religiosa e eu ensino muitas coisas para ele sobre Iemanjá”. >
Apesar das restrições sanitárias dos últimos dois anos impedirem que os devotos se aproximassem da Praia do Rio Vermelho para levar oferendas, Talma conta que ela e colegas do centro umbandista saudaram a orixá em outras praias. Mas o retorno ao local tradicional traz uma sensação diferente. >
“A casa de Iemanjá é ontem tem o mar, mas aqui tem a energia muito presente dela. Desde quando eu desço do carro já começo a me arrepiar”, disse.>
*Com orientação de Perla Ribeiro.>