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Donos de grandes barracas de praia hoje se dedicam a restaurantes

Veteranos da faixa que se estende de Itapuã à Praia do Flamengo, os donos desses estabelecimentos se reergueram após a traumática derrubada das barracas e já comemoram a volta do público fiel

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  • Da Redação

Publicado em 19 de novembro de 2013 às 08:11

 - Atualizado há 3 anos

Joana Rizériojoana.rizerio@redebahia.com.br

O Verão deste ano promete. O calor e o clima descontraído de sempre serão o cenário de algumas diferenças. Para começar, a partir do dia 1º, os ambulantes e barraqueiros vão precisar de autorização da prefeitura para atuar. Outra mudança é o adeus ao tradicional queijo coalho, proibido de ser assado perto d’água.Mas e aquele jeitinho baiano de aproveitar a praia, onde fica? De comer caranguejo, peixe frito, tomar cerveja gelada e roskas de todas as frutas? Calma: nos últimos três anos, os antigos donos de barracas na região norte da cidade investiram em verdadeiros restaurantes à beira-mar, com as mesmas estruturas confortáveis de antes, só que no asfalto, em vez da areia.É o caso das casas Lôro, Tchê Caranguejo, Bar Aka do Francês e a Donaeva. Veteranos da faixa que se estende de Itapuã à Praia do Flamengo, os donos desses estabelecimentos se reergueram após a traumática derrubada das barracas, ordenada pela Justiça em agosto de 2010, e já comemoram a volta do público fiel.Aloísio Melo, o Lôro, depois da derrubada das barracas no final de 2010, deu a volta por cima e ainda este ano inaugura seu terceiro restaurante na beira da praiaEles superaram prejuízos e dívidas e celebram a mudança de cor nas contas de vermelho para o azul. “Perdi quase R$ 2 milhões, tive que pegar empréstimos. Mas, no dia seguinte, fui à prefeitura, vi lugares e aí tudo foi voltando”, diz Lôro, ou Aloísio Melo, atual dono da Bora Bora (Pedra do Sal) e da Barraca do Lôro (Praia de Aleluia) e que, em breve, inaugura um restaurante à beira-mar na Praia do Flamengo.Uma das mais famosas de Salvador, a Barraca do Lôro continua lotada, como sempre. O dono conseguiu repetir a maioria dos caprichos que a barraca anterior oferecia: vasto menu, imensas espreguiçadeiras acolchoadas, lojinha de souvenir, aluguel de prancha, e até um lago com peixes ornamentais. Tudo isso em uma casa na beira da praia. “Acho que vários fatores ajudaram a atrair o público de volta. A gente aposta na ambientação, na sonorização, capricha no paisagismo”, orgulha-se.Já o paulista radicado na Bahia há quase trinta anos Wagner Lancellotti, dono da atual Donaeva, aposta que, para os baianos, praia é mais sinônimo de comes e bebes do que de banho de mar.“Cliente de praia daqui gosta de cerveja de garrafa e de petiscar. Ele chega seco e sai seco”, diz Wagner, numa mesa no quintal da casa onde morava, que deu lugar para o novo restaurante. Tanto Wagner quanto Lôro admitem que o prejuízo podia ser menor se tivessem se preparado para a derrubada, amplamente divulgada antes de acontecer. “Eu não me preparei não. Eu acreditei até o último minuto”, diz Lôro.Barraca do Francês: ambiente aconchegante, com bom atendimento e comida de primeira na beira da praiaRosilda Houdeau, sócia do marido Christophe na Bar Aka do Francês (Praia do Flamengo), lembra do que também foi pega de surpresa. “De uma hora para outra eu me vi sem nada. O trator chegou, os policiais nos trataram como se fôssemos bandidos, sem deixar tirar as coisas. Meu esposo ficou deprimido, eu só fazia chorar”, lembra.Mas não dava para ficar parado. Primeiro Christophe e Rosilda montaram o Le Petit Bar, em Stella Maris, mas era muito longe do mar. Com a Bar Aka do Francês realizaram o sonho de voltar para a praia. E, com o mesmo estilo da antiga barraca na Pedra do Sal. Espaço bonito e confortável com comida de primeira, preparada pela própria Rosilda.Dono do Caranguejo do Tchê reduz prejuízo com planejamentoDepois de ver desmoronar um gigante de 800m² de área coberta e capacidade total de atender a 500 mesas - “Cansei de comprar caminhão inteiro de cerveja, com 400 engradados” -, Luís Carlos, da antiga Caranguejo do Tchê, abriu um restaurante homônimo e menor em Stella Maris. Luís Carlos comprou uma casa em Itapuã e recomeçou o restauranteEle conseguiu planejar como poucos a transição para o asfalto. “Planejei muito onde jogar a âncora. Eu já tinha 23 anos de praia. Fui até Recife para fechar com o  vendedor do imóvel. Fiz análise na prefeitura pra estudar a possibilidade de construir mais andares no futuro e comprei”, diz Carlos, que hoje pode atender 80 mesas, no máximo. “A gente conseguiu fazer tudo direito depois de tanto sofrimento. Meus fornecedores estão em dia, estou faturando”, diz o também presidente da Associação das Barracas de Praia de Ipitanga, que se orgulha de ter ajudado a comunidade. “No cadastro da prefeitura, a Rua Vinicius de Moraes constava como asfaltada, mas era estrada de barro até a gente chegar”, afirma.