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Carmen Vasconcelos
Publicado em 4 de novembro de 2018 às 17:01
- Atualizado há 3 anos
“Meu filho era militar por orgulho e por paixão.” Foi assim que a funcionária pública Iara dos Santos se lembrou do policial militar Marco Antônio dos Santos, 30 anos, assassinado na madrugada de sábado (3), no Jardim Nova Esperança. O enterro foi neste domingo (4), no Cemitério Bosque da Paz, em Nova Brasília, e reuniu familiares, amigos e colegas do aplicativo 99Pop, em que a vítima também atuava.>
“Desde que ele estava na Marinha, onde passou seis anos, eu orava sempre quando saía em missão. Um dia, depois de me dizer que trocaria a farda branca pela cáqui, chorei e orei porque nunca desejei estar no lugar das mães que perdem seus filhos em serviço”, contou a mãe.>
Representantes de diversas unidades operacionais da PM e motoristas de aplicativo participaram da missa de corpo presente, celebrada pelo pároco Jaciel Bezerra, da Paróquia do Divino Espírito Santo, do Vale dos Lagos, onde a mãe do PM é coordenadora geral. Os condutores escreveram nos vidros traseiros dos seus carros a frase “Luto Uber”.>
Marco Antônio foi assassinado no sábado depois de encerrar uma corrida por aplicativo nas proximidades da Estrada Velha do Aeroporto, numa via com comunicação para vários bairros. De acordo com o colega que se identificou como Paulo Jorge, os motoristas de aplicativo vivem numa situação de muita instabilidade para garantir a sobrevivência e a própria segurança. Marco Antônio foi assassinado no sábado depois de encerrar uma corrida por aplicativo nas proximidades da Estrada Velha do Aeroporto Em nota, o 99Pop já havia afirmado que está apurando o ocorrido, que lamenta profundamente esse e qualquer caso de violência e que se encontra aberto a colaborar com as autoridades. A empresa ainda afirmou que se solidariza com a família da vítima.>
Segundo apuração inicial, o motorista havia encerrado uma corrida e, para cortar caminho, passou por um local que é considerado perigoso. Ali, teria sido reconhecido por um criminoso, o que motivou o crime.>
Segundo depoimento de pessoas próximas, Marco Antônio dividia a tarefa de motorista de aplicativo com o pai, que costumava rodar durante o dia e há poucas semanas havia sido vítima de um assalto sem maior gravidade. “Um pai de família que luta pelo sustento dos seus morre dessa forma. Isso é inadmissível”, comentou outro colega de aplicativo que preferiu não se identificar. Marco Antônio era casado e deixa duas filhas pequenas. No último dia 1º, a mãe dele comemorou aniversário e a proximidade da aposentadoria por tempo de serviço no Estado.>
A morte do policial também foi sentida pelas comunidades católicas, das quais a família participava ativamente. Uma irmã em Cristo de Iara, lembrou o quanto Marco Antônio era querido por todos. “Uma mãe nunca deveria passar por essa dor que não tem nome. Uma esposa que perde o marido é viúva. Um filho que perde os pais é órfão, mas como nomear uma mãe sem seu bem maior?”, finalizou ela, sem esconder a emoção. >