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Fernanda Santana
Publicado em 27 de dezembro de 2018 às 06:00
- Atualizado há 3 anos
Um dos programas favoritos do Verão até parece ser de graça, mas na verdade tem o seu preço. E, acredite, a variação dos custos pode chegar a 50%, a depender da praia escolhida pelo banhista. Foi o que constatou um levantamento feito pelo CORREIO, nesta quarta-feira (26), dia bem ensolarado, em dez praias mais frequentadas de Salvador - de uma ponta à outra da cidade.>
Para fazer o cálculo, a reportagem levou em consideração um kit de consumo com cinco cervejas, dois refrigerantes, duas águas, duas águas de coco e um sombreiro. As praias visitadas foram Porto da Barra, Farol da Barra, Ondina, Buracão, Piatã, Itapuã, Stella Maris, Praia do Flamengo, Cantagalo e São Tomé de Paripe.>
A constatação foi de que o dia de sol, praia e gandaia saem mais em conta em Cantagalo, na Cidade Baixa: por R$ 40, dá para levar todos os itens e o sombreiro ainda sai grátis, com o cosumo mínimo de R$ 30. A praia mais cara é o Porto da Barra, onde os mesmos itens saem por R$ 88. Na hora de pagar a conta na barraca, a diferença chega a 54,55%.>
“O pessoal pode até vir com o seu cooler, mas a gente dá a opção do sombreiro grátis, o que não deixa de ser uma comodidade. Quem quiser vender na praia, tem que acabar com esse bloqueio, do cliente que traz o dele ficar sem mesa. A gente aproveita a oportunidade: uma hora, a cerveja do cooler vai acabar e, na brodagem, a gente reabastece”, afirma Davi Andrade, um dos sócios do Point do Litrão, no Cantagalo. Não por um acaso, o bar tem a cerveja mais barata das dez praias visitadas. Seja qual for a marca, o latão de 473 ml sai por R$ 4.>
Cerveja>
Por falar em cerveja, é ela um dos itens que mais inflaciona a ida à praia. A variação do preço chegou a 60% na comparação entre Praia do Cantagalo e o Porto da Barra. Nesta, por sinal, a cerveja é a mais “salgada” - chega a custar R$ 10. “A gente não deixa de fazer é promoção. No momento, a gente está vendendo três Lokal de 600 ml por R$ 13”, completa Davi.>
A água mineral e a água de coco também acabam encarecendo o dia na praia. O preço pago pela a água varia 50% - e o coco, 40%. A água mais em conta também é na praia do Cantagalo, por R$ 2. Na Praia do Flamengo, custa mais do que o dobro: R$ 5.>
Já o coco mais barato, a R$ 3, é vendido nas praias do Cantagalo, Ondina e Buracão. Em todas as outras praias, o valor é R$ 5. “Para ganhar a guerra com o cooler, o segredo é prestar um bom serviço. A minha barraca é a única com canudos biodegradáveis. Tudo isso conta na hora que o cliente faz a escolha”, pontua Amanda Carvalho, a proprietária da Barraca da Diversidade, no Buracão. >
Economia>
Quem faz o jogo de economia quando vai à praia é o banhista Artur Lima, 37 anos. Porto da Barra? Só com o isopor bem turbinado de água, cerveja e refrigerante. “Minha esposa quem começou: ‘A gente tem que começar a trazer de casa, estamos gastando muito’”, lembra. A matemática reduziu os custos. A latinha que custaria R$ 10 na Barra, no mercado perto de casa sai por R$ 2,50. “O custo-benefício é muito maior”, defende.>
A praia pode ser diferente, mas a dona de casa Semilda Araújo, 27, adota um artifício bem parecido para economizar, principalmente porque o programa é com a criançada.“Vim com minhas cunhadas, filha e sobrinha. A gente rateou o que gastamos para abastecer o cooler e ficou R$ 10 para cada. Aqui, a gente acaba comprando só um petisco para comer ou uma cervejinha para repor depois”. Ela chega em São Tomé de Paripe de manhã e só sai quando o sol se põe. “Venho mais aqui porque a praia é rasa e boa para as crianças. Claro que quando passa alguém vendendo algo, eu corro para a água e disfarço. Prefiro gastar o mínimo possível com estas coisas e curtir o máximo né?”, justifica Semilda. >
Sombreiros>
O custo com os sombreiros é outra crítica dos banhistas. Quer se proteger do sol? Esteja pronto para gastar, em média, R$ 10 por sombreiro. As cadeiras costumam custar R$ 5 e os preços parecem estar padronizados. Nesse caso, o jeito é bater aquele papo com o barraqueiro.>
Se chegam até a barraca de Luís Apolinário, em Stella Maris, e pedem para abaixar um pouco o preço, o negócio é fechado. “A movimentação caiu muito. Nós temos que dar esta atenção para ganhar um pouco. Se você olhar aqui ao redor, só tem cooler. Se a gente não colaborar, sai daqui sem nada”, afirma, com 30 anos de experiência como barraqueiro.>
Já baiana de acarajé Juciara dos Santos, do Acarajé da Ninha, não se sente ameaçada pelo cooler. Ela chega a vender por mês, no Verão, mais de 1,5 mil acarajés na Praia de São Tomé, a R$ 7 com camarão e R$ 6 sem - 12 bolinhos saem por R$ 10: “O dinheiro de todo mundo é pouco, mas ninguém deixa de comprar. O importante é tomar o freguês na conversa, oferecer na mesa, fazer a propaganda e ir empurrando. Uma hora, ele não resiste ao cheirinho do acarajé e compra. Tem que saber vender o seu produto”.>
EM REAIS (R$): (Foto: Priscila Natividade/ CORREIO) Praia do Cantagalo, Cidade Baixa>
. Sombreiro grátis (consumação R$ 30)>
. Cerveja (473 ml): R$ 4>
. Água de coco: R$ 3>
. Água mineral: (500 ml) R$ 2>
.Refrigerante (lata): R$ 3>
(Foto: Marina Silva/ Arquivo CORREIO) Praia de Ondina>
. Sombreiro: R$ 10>
. Cerveja (473 ml): R$ 5>
. Água de coco: R$ 3>
.Água mineral (500 ml): R$ 3>
. Refrigerante (lata): R$ 3,50>
(Foto: Marina Silva/ Arquivo CORREIO) Praia de São Tomé de Paripe>
. Sombreiro grátis (na compra de 8 cervejas)>
. Cerveja (473 ml): R$ 5>
. Água de coco: R$ 5>
. Água mineral (500 ml): R$ 3>
. Refrigerante (lata): R$ 4>
(Foto: Priscila Natividade/ CORREIO) Praia do Buracão, no Rio Vermelho>
.Sombreiro: R$ 10>
. Cerveja (473 ml): R$ 5>
. Água de coco: R$ 3>
. Água mineral (500 ml): R$ 3>
. Refrigerante (lata): R$ 4>
(Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO) Praia de Itapuã>
. Sombreiro: R$ 10>
. Cerveja (473ml): R$ 6>
. Água de coco: R$ 4>
. Água mineral (500 ml): R$ 2,50>
. Refrigerante (lata): R$ 4>
(Foto: Evandro Veiga/ Arquivo CORREIO) Praia de Stella Maris>
. Sombreiro: R$ 10>
. Cerveja (473 ml): R$ 6>
. Água de coco: R$ 5>
. Água mineral (500 ml): R$ 3>
. Refrigerante (lata) R$ 5>
(Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO) Praia de Piatã>
. Sombreiro: R$ 10>
. Cerveja (473 ml): R$ 7>
. Água de coco: R$ 5>
. Água mineral (500 ml): R$ 3>
. Refrigerante (lata): R$ 5>
(Foto: Marina Silva/ Arquivo CORREIO) Praia do Farol da Barra >
. Sombreiro: R$ 10>
. Cerveja (473 ml): R$ 8>
. Água de coco: R$ 5>
. Água mineral (500 ml): R$ 4>
. Refrigerante (lata): R$ 5>
(Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO) Praia do Flamengo>
. Sombreiro: R$ 15>
. Cerveja (473 ml): R$ 8>
. Água de coco: R$ 5>
. Água mineral (500 ml): R$ 5>
. Refrigerante (lata): R$ 5>
(Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO) Praia do Porto da Barra>
. Sombreiro: R$ 10>
. Cerveja (473 ml): R$ 7 a R$ 10>
. Água de coco: R$ 5>
. Água mineral (500 ml): R$ 5>
. Refrigerante (lata): R$ 5 >
MONTE SEU PRÓPRIO KIT DE VERÃO COM MENOS DE R$ 100>
Logo após sair da praia, o CORREIO deu um pulo no supermercado para apurar quanto custa montar, em média, seu próprio kit de sobrevivência para curtir a praia e ainda economizar. O levantamento foi feito no Supermercado Extra, localizado na Avenida Vasco da Gama. A reportagem levou em consideração duas cestas de consumo. A primeira é composta por cinco cervejas Schin (473 ml), duas águas minerais Loa (500 ml), dois refrigerantes em lata (350 ml), uma caixa de isopor (12 l) e um sombreiro.>
Para garantir essa ida à praia, o consumidor vai precisar desembolsar R$ 81,16. O item mais caro fica pela dupla formada com a caixa de isopor, que custa R$ 23,25, junto com o sombreiro, que sai por R$ 39,90. Mas isso aí vai durar várias praias. Entre os outros produtos, o latão de Schin está no precinho: R$ 2,29.>
O outro kit trocou a Schin pela Itaipava, que custa R$ 3,19 o latão, e o isopor pelo cooler de 32 litros, que sai por R$ 62,93 com o desconto do aplicativo do Extra. A cesta, ao todo, contando o sombreiro, a água e o refrigerante, ficou em R$ 125,34. Agora é só adequar a ida à praia ao seu bolso.>
*Com supervisão da chefe de reportagem Perla Ribeiro >