Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Doris Miranda
Publicado em 27 de maio de 2026 às 06:00
Divisor de águas no atendimento médico público aos animais em Salvador, o Hospital Municipal Veterinário (HPVet), em Canabrava, já realizou mais de 32 mil consultas, 8,7 mil cirurgias gerais e ortopédicas e mais de 35 mil exames de sangue em pouco mais de dois anos de funcionamento. Mesmo com a distribuição de 40 senhas por dia, a média é de 120 atendimentos diários, já que os casos de urgência e emergência são sempre atendidos. >
Para ter o cão ou gato atendido, o tutor precisa se dirigir ao local com um documento com foto e comprovante de residência. A distribuição das senhas começa às 7h30. A unidade segue com atendimento disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Aos sábados, são realizados apenas atendimentos de urgência e emergência, das 8h às 12h. >
“O Hospital Municipal Veterinário é um marco na cidade de Salvador; antes não havia um equipamento como esse. Apesar de não ser 24 horas, o hospital tem uma grande estrutura e realiza cirurgias complexas. Há animais que ficam três meses internados. Para a população mais carente, seria impossível manter um internamento em uma clínica particular, pois os custos seriam muito altos”, afirma Amanda Moraes, diretora-geral do HPVet.>
O hospital veterinário conta com 45 leitos e realiza procedimentos diversos, como consultas, exames laboratoriais, exames de imagem, administração de medicações, eletrocardiograma, consultas cirúrgicas e cirurgias de emergência, incluindo a de ortopedia, a de piometra e para retirada de pedra na bexiga.>
“O Hospital Veterinário de Salvador é um equipamento de extrema importância para toda a população soteropolitana e da Grande Salvador. Nós conseguimos ofertar serviços com grande qualidade e salvar a vida de muitos animais cujos tutores não tinham realmente condições de procurar um serviço médico veterinário, que sabemos que é muito oneroso”, acrescenta Natália Macedo, médica veterinária e coordenadora-geral da unidade.>
Segundo ela, a demanda maior é por consultas, mas também há muitos casos de cirurgia de piometra, uma infecção uterina grave que pode afetar cadelas de diversas idades, mas principalmente aquelas a partir da meia idade e que não foram castradas. “A nossa orientação aos tutores é que cheguem cedo à unidade e dediquem o dia apenas a esse cuidado com o pet, pois há procedimentos que realmente demoram”, acrescenta Natália.>
A servidora pública Denora Franco, 51, adotou há cerca de dois anos a cadelinha Polly, que apareceu em seu condomínio apresentando alguns nódulos na mama. Graças ao HPVet, foram realizadas duas cirurgias para a retirada dos nódulos e do útero, além de todos os exames necessários. “A primeira vez que eu levei Polly no HPVet foi em janeiro do ano passado. Ela fez todos os exames para a cirurgia, mas eu desisti, porque fiquei com medo de mexer e depois haver consequências. Mas, ela começou a apresentar complicações, então, eu levei novamente. Ela fez a primeira cirurgia de retirada da mama esquerda e do útero em dezembro, o procedimento foi um sucesso. E em abril deste ano, ela fez a segunda, na mama direita. Tudo ocorreu muito bem”, conta Denora.>
Ela define o Hospital Municipal Veterinário como um equipamento necessário ao município: “Se eu fosse fazer todo o procedimento particular, não tenho nem ideia de quanto seria, mas seria um valor inviável, porque eu também tenho outros cães. É uma estrutura que precisamos preservar e valorizar”.>
O abandono animal nas imediações do hospital é uma prática que tem aumentado, segundo a direção e coordenação da unidade. Este mês, um tutor foi conduzido à delegacia por abandono de uma cadela em frente ao hospital.>
Para coibir esse crime, a unidade realiza os atendimentos vinculados a um cadastro. Além disso, todas as pessoas que vão ao HPVet precisam assinar um termo de responsabilidade, onde constam, inclusive, informações sobre o abandono de animais.>
Segundo a Lei de Crimes Ambientais, os maus-tratos, incluindo abandono, são considerados crime, e a pena pode chegar a cinco anos, com multa e proibição da guarda, quando se trata de cão ou gato.>