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Publicado em 20 de dezembro de 2016 às 07:15
- Atualizado há 3 anos
Jiraiya espera poder começar 2017 de nome novo(Foto: Evandro Veiga/CORREIO)Ao primeiro toque no celular, o dono do número atende, prontamente: “- Jiraiya falando!” De longe, nem parece que o instrutor de trânsito tem vivido 38 anos com outro nome: Cláudio César Souza dos Santos. A verdade, segundo ele, é que pouca gente o que conhece pelo nome que ainda consta em sua certidão de nascimento. Às vezes, nem ele lembra que se chama Cláudio. “Eu tenho um lava jato aqui na rua e todo mundo me conhece como Jiraiya”, explica o dono do estabelecimento que leva seu nome, no bairro do Tororó, em Salvador.>
Ele é o oposto de boa parte das pessoas que tentam mudar de nome. Em geral, as pessoas tentam ter nomes um pouco mais “comuns” ou se livrar daqueles que causam certo constrangimento. A questão é que Cláudio César não é bem como Jiraya se sente. “Em amor aos personagens Jiraiya, Jaspion e Jiban, eu quero ter o nome deles”, relata. Se tudo der certo, em breve o rapaz se chamará Cláudio Jiraiya Jaspion Jiban César dos Santos – o sobrenome Souza é um erro de cartório.>
Já está tudo bem encaminhado. Há um ano e meio, o instrutor de trânsito soube, por intermédio de uma amiga, que a Defensoria Pública do Estado (DPE) fazia atendimentos a pessoas que desejavam fazer mudanças no registro civil. “Na mesma hora eu fui lá na Defensoria, no Jardim Baiano, e comecei o processo”, diz.>
Sem filhos, a burocracia fica um pouco menor, já que não é preciso fazer mudanças na documentação de outras pessoas, além do próprio Jiraiya. Até a mãe do rapaz está de acordo com a mudança. “Tem muita gente que não concorda, mas eu falei pra minha mãe que estava mudando e ela respeita”, aponta.>
HeróisTambém, como um nome como Cláudio César poderia concorrer com os três personagens que transformaram a vida do rapaz? Jiraiya foi adotado por uma família no interior da Bahia quando tinha um ano e seis meses, em março de 1980. Seis anos depois, o pai adotivo morreu num acidente de carro e o garoto viu a mãe entrar em depressão. Ele foi acolhido, então, por uma família de Testemunhas de Jeová, chefiada por dona Das Dores. Foi quando conheceu os três heróis.“Nessa mesma época eu comecei a assistir Jiraiya, Jaspion, Jiban e todos os outros da época. Eu admirava todos os eles, pois lutavam pelo menos ideal, defender a Terra e os seres humanos do mal. Eu, mesmo sem nenhuma cultura, sabia que ali era pura ficção, mas também nem tudo era mentira. Só depende de cada um de nós separar as coisas”, lembra Jiraiya.>
Foram tantas coisas aprendidas com o trio de protagonistas de séries japonesas que o rapaz decidiu adotar os nomes deles. “Uma coisa eu aprendi com eles: nunca desistir dos nossos sonhos e nunca tomar o rumo do mal, mesmo enfrentando as dificuldades da vida. Eu sempre sonhei em ter o nome deles, mas eu nunca tive grana o bastante pra pagar um advogado. Vários anos depois, Deus, através dessa amiga chamada Morena, me deu a oportunidade de realizar o meu sonho”, diz. Foi a amiga Morena quem avisou para Jiraya sobre o projeto da Defensoria Pública.ViagemEm 2014, o dono do Lava-jato Jiraya, Jaspion Jiban viajou a São Paulo para realizar outro sonho: conhecer o ator que interpretou o lendário ninja Jiraiya: vestido a caráter, o Jiraiya baiano mostra, orgulhoso, a foto que tirou ao lado do ator japonês Takumi Tsuitsui, que veio ao Brasil para a edição de 2014 da Comic Con.>
Este ano, Jiraiya acabou perdendo a oportunidade de conhecer o ator que interpretou o Policial de Aço Jiban: o japonês Shouhei Kusaka veio pela primeira vez ao Brasil em junho deste ano e participou do festival Anime Friends, no Campo de Marte, em São Paulo.>
“Tenho um outro sonho que é ir ao Japão conhecer o ator Hikaru Kurosaki, do Jaspion. Esse ano fiquei muito triste por que perdi a oportunidade de conhecer o ator de Jiban, mas um dia chego lá”, diz Jiraiya.>
Além de ser conhecido como Jiraiya Jaspion Jiban entre os amigos e clientes, o instrutor de trânsito, que também é capoeirista, afirma que já levou o nome dos heróis, através da capoeira, para cidades do interior da Bahia, de outros estados e para países como Argentina, Noruega, Espanha e Canadá.>
“Eu tenho muita fé que nesse início de ano eu me chamarei Jiraiya Jaspion Jiban Cezar dos Santos e no próximo Brasil Comic Con chegarei lá com o meu novo nome”, afirma.[[galeria]]>