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Milena Hildete
Publicado em 6 de junho de 2018 às 19:13
- Atualizado há 3 anos
Mayane denunciou o motorista do aplicativo 99Pop; ele acabou expulso (Foto: Reprodução) Passava das 11h30 quando a maquiadora e atendente de caixa Mayane Neres, 19 anos, solicitou uma corrida no aplicativo 99Pop de sua casa, no bairro de Pernambués, em Salvador, para o trabalho, no bairro do Itaigara. Como era finalzinho da manhã, a rua estava tranquila. Não havia o que temer. Quando o carro chegou, optou por seguir no banco de trás. No entanto, minutos depois, o que era pra ser uma viagem tranquila, segundo ela, acabou sendo a mais assustadora e traumática de todas.>
O fim do sossego começou, justamente, no início da corrida. Após entrar no veículo, na segunda-feira (3), a maquiadora alega ter sido questionada sobre uma ladeira. “Quando eu entrei, ele [motorista] já veio falando da ladeira da minha casa, dizendo que não ia subir, porque o carro dele era muito pesado”, conta ela, em conversa com o CORREIO.>
Ao longo da corrida, segundo Mayane, percebeu uma conduta suspeita no motorista. "Ele estava eufórico, olhando pra mim e pro lado. Fiquei com medo e nervosa, então, tentei puxar assunto, mas ele não falava muito". A situação se complicou bastante, daí por diante, e ela usou sua conta numa rede social pra denunciar o caso. O motorista, que já havia sido expulso do Uber por conta das baixas avaliações de usuários, nega as acusações (ver mais abaixo).>
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Mudança de rota Perto do destino, Mayane entrou em desespero. De acordo com ela, o motorista mudou a rota. "Ele estava mudando e eu dizendo: 'moço, não é por aí, não. Eu vou por outro caminho sempre'", relata.>
Em seguida, a jovem afirma que tentou ligar para uma amiga, mas o motorista não deixou ela completar a ligação."Eu mandei uma mensagem pra minha amiga dizendo que estava na viagem com um Uber [era 99Pop] muito estranho. Aí, quando eu fui ligar, ele me mandou guardar o telefone. Depois, botei o celular no banco do carro. Ali, me senti indefesa. Eu não estava com medo de ser estuprada e não chorava porque queria me manter calma para sair da situação”, explica a maquiadora.Ainda de acordo com Mayane, ao entrar na rua de destino, o motorista viu um carro da polícia. "Ele viu a viatura e deu meia volta. Mas ainda assim a polícia não podia me ver, porque o vidro do carro dele era fumê”, comentou. Nesse momento, segundo a jovem, o motorista disse "não foi dessa vez". >
Já perto do destino final, ela pediu ao condutor para descer. Ela afirma que no momento em que foi descer, ele gritou, mais uma vez: "Não foi dessa vez, mas a gente ainda vai se bater". >
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Meia hora de terror A jovem disse que apesar do susto, não vai desistir de denunciar. "Foram 29 minutos de terror. Morri de medo dele fazer alguma coisa comigo. A corrida, que geralmente dura 10 a 15 minutos, foi pra 29. E, além disso, eu pago no máximo R$ 11, mas precisei pagar R$ 17", detalhou a moça."Tudo isso aconteceu, mas não vou deixar pra lá. Quando postei no Instagram, várias mulheres relataram situações parecidas", concluiu ela.Outro lado Diferente da versão apresentada por Mayane, o motorista Jeferson de Souza Costa, 27, nega que tenha deixado a vítima em qualquer tipo de situação de constrangimento ou que tenha usado tom ameaçador durante a corrida. "Ela não me avisou que tinha ladeira, então eu esperei na ponta da saída da rua, como indicava o GPS. Tentei subir três vezes, pelo menos”, justifica o condutor.>
Ele diz que quando Mayane entrou no carro, ele ligou o GPS e perguntou a ela qual a melhor opção de destino. "Perguntei se por onde ela queria ir e ela me pediu pra escolher. Então, liguei o GPS. Ao longo do caminho, fiquei chateado porque ela não me avisou da ladeira, mas não mudei a rota e nem toquei no celular dela. Tudo isso é mentira", afirma Jeferson. >
Ele disse que acordou, na manhã desta quarta, assustado com as ameaças que está recebendo, principalmente pelas redes sociais. "Ela inventou isso e o povo está achando que sou estuprador. O aplicativo já me bloqueou. Como vou trabalhar agora?".>
Para Jeferson, a jovem expôs a situação para "ganhar curtidas" nas redes sociais. "Ela parece que é popular na internet. Acho que está fazendo isso pra ter mais seguidores. Mas ela me prejudicou muito hoje", diz o rapaz, afirmando que já prestou queixas contra a jovem.>
O presidente do Sindicato dos Motoristas por Aplicativos e Condutores de Cooperativas do Estado da Bahia (Simactter), Átila Santana, acredita na versão de Jeferson. Ele também acredita que a jovem tenha feito uma denúncia falsa com intenções escusas.>
"Ela [Mayane] se diz blogueira e está fazendo isso pra ganhar seguidores, mas ela só está prejudicando um trabalhador de bem. Ela fez isso tudo porque achou ele estranho", opinou o sindicalista.>
Posição da 99Pop A empresa 99, que controla o aplicativo de viagens 99Pop, informou, por meio de nota, que recebeu da passageira a denúncia de que um motorista da plataforma a assediou na tarde de segunda-feira. Segundo a assessoria da empresa, o condutor foi imediatamente banido da plataforma.>
“A empresa repudia qualquer tipo de violência contra as mulheres. Lamentamos profundamente o ocorrido e nos solidarizamos com a vítima. Estamos em contato com ela para prestar todo o apoio possível. Além disso, nos encontramos abertos para colaborar com as autoridades", diz o comunicado. >
Ainda segundo a assessoria, "a 99 possui uma equipe de segurança com mais de 30 pessoas que trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana, dedicada exclusivamente à proteção dos usuários”.>
O que fazer em casos de má conduta do motorista? A 99 orienta os usuários a registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) na delegacia e a entrar em contato com a Central de Segurança do aplicativo pelo telefone 0800 888 8999, um canal exclusivo que oferece auxílio imediato.>
A assistência conta com apoio emocional e psicológico, caso necessário. Além disso, a ajuda pode incluir o envio de um carro em ocorrências em que a vítima se encontre em um local isolado, por exemplo. É pedido também que o passageiro envie o B.O. feito para a 99.>
Outro aplicativo A plataforma Uber, que presta o mesmo tipo de serviço, também informou, por nota, que repudia qualquer tipo de comportamento abusivo contra mulheres e acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio.>
Nos casos de incidentes, a empresa diz que é possível reportar a situação no próprio app, com poucos cliques. Basta abrir o menu e clicar em "Suas Viagens", selecionar a viagem, clicar na opção "Opiniões sobre o motorista" e em seguida escolher alguma situação ou "Tive outro problema com meu motorista". O app abre um campo onde o usuário ou a usuária escreve seu relato.>
A Uber conta com uma equipe de suporte que analisa caso a caso com rapidez. É importante frisar que o conteúdo é completamente sigiloso e não será divulgado.>