Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Da Redação
Publicado em 8 de fevereiro de 2011 às 13:52
- Atualizado há 3 anos
Convidado da semana>
Roberto AlbergariaBastam poucos minutos de papo com Roberto Albergaria para perceber que, além de doutor em Antropologia, ele é PhD em deboche. Escrachado do jeito que é, não poupa ninguém de suas piadas. A vizinhança da Cidade Baixa e suas ex-alunas da Universidade Federal da Bahia são alvos fáceis para sua metralhadora de ironias. Muitas vezes, a vítima de sua “gaiatice de moço-velho-desassuntado”, como diz, é ele mesmo. Veja sua definição de chato. “É aquele que é metido a engraçadinho como eu. Não sei como me suporto!”, diz. Solteirão convicto, Albergaria faz questão de enfatizar que é “hétero total”. Na juventude, durante a ditadura militar, foi preso e exilado. Viveu seis anos fora do país. Hoje, afirma que sua militância política “se concentra na defesa do patrimônio cultural da Cidade Antiga e de Itapagipe em especial”, onde mora há mais de 15 anos, numa casa que ele chama de “mal-assombrada”. Figuraça, Albergaria não foge de polêmicas. Ao contrário. Ele confessa que gostaria de fazer plástica. Sabe pra quê? “Para aumentar ainda mais a minha língua maledicente”.>
SER VIP É...Ter o “v” de vadio, o “i” de invencioneiro e o “p” de puxa-saco, como eu mesmo. >
PERFUMEAquele que fica entranhado em minhas camisas escalafobéticas, depois de uma sessão de atracação com uma piriguetinha cheirosinha.>
SHAMPOOSó quando tomo banho na casa da mulherzinha santinha do vizinho. De ordinário, uso qualquer sabão. Até o de lavar couro de jegue viúvo serve. >
CABELEIREIRO “Náice”, a fuxiqueira Nice da Boa Viagem. Ela me conta todas as puladas de cerca das suas clientes caloteiras. Nice é boa de corpo, ótima na tesoura e divina na fofoca, na atualização da boataria da vizinhança.>
JÁ FEZ PLÁSTICA?Ainda não. Mas queria fazer para aumentar ainda mais a minha língua maledicente. >
UMA PESSOA ELEGANTE...Cumpádi Uóxton. Porque ele entende que nossa breguice é criatividade pura. All-bregaria lindona que é a verdadeira cara da moda machulina baiana. Coisa que os modistas viadistas da São Paulo Fashion Week não entendem. Frescuristas frívolos, não passam de Madames Bovarys mal-colonizadas, deslumbrados com Paris. >
CHATO É AQUELE QUE...É metido a engraçadinho como eu. Não sei como me suporto! >
AMAR É...Viver a felicidade da eterna condição de corninho mansinho... >
SER SEXY É...Fazer o gosto das piriguetes, patriguetes e peruetes cá de Itapajáipe City. Lindinhas para quem represento o objeto de desejo, sonho de Sugar Daddy, de Chevalier Servant, de Corno Véio Babão mesmo. Ainda que isso desgoste tanto as gazetistas metidas a sabidas do Correio Asteriscão! >
SONHO DE CONSUMOPra um pé-na-cova como eu, é poder pagar um médico legista supercompetente. Queria que ele descobrisse o que tenho mesmo dentro da cachola, quando eu morrer de repente, em breve, espero... >
QUE PEÇA DO GUARDA-ROUPA NÃO USARIA JAMAIS?Cuecão de couro. Esquenta muito e termina comprometendo minha invejabilíssima viripotência. >
UMA LEMBRANÇA INESQUECÍVELUma paixão recolhida por uma jovem dama bem miseravinha, que me trocou por um encaiporado bobalhão tirado a sério... >
A MAIOR GAFE QUE JÁ COMETEU NA VIDAEsta entrevista aqui mesmo>
MAIOR QUALIDADEPicardia>
MAIOR DEFEITONão saber colocar focinheira nas minhas cachorragens, limites na minha gaiatice de moço-velho-desassuntado. >
O QUE FARIA SE GANHASSE NA MEGA-SENA?Nada que prestasse. Pois ficaria mais malucodo que já sou! >
UM CANTOR (OU CANTORA)Renatinho Féquissinho. Um gênio da canção pornô-poética baiana. E o “estoporado” do Zéu Britto também promete... >
UM ATOR (OU ATRIZ)Qualquer um macho que não seja tão feioso quanto “Zorêia” (Frank Menezes) e qualquer fêmea que não tenha a cara de enfermeira assassina de Fernanda Montenegro.>
QUE LIVRO ESTÁ LENDO? Relendo pela sexagésima nona vez as Memórias Póstumas de Machadinho >
O MELHOR DE SALVADOREsculhambâixon Made in Bahia, que é a essência da baianidade!>
O PIOR DE SALVADORA Moral de Jegue dos politicamente corretos americanizados, que tiram onda de gente respeitável – futriqueiros de rabo duro, sempre combatendo os mijões rueiros como o Chefão da Redação desta gazeta (Paulo Leandro), os linguarudos bocas-sujas como eu, etc. >
O MELHOR LUGAR DO MUNDOUma campa linda no cemitério do Campo Santo. Quando eu me “campar” para sempre (esticar minhas canelas capengas, fechar o furico...) >
O QUE MAIS IRRITA VOCÊ?Gente fingidiça tirada a boazinha, ongueiros faroleiros, povo carneiro mofino e acomodado. >
O QUE MAIS FAZ VOCÊ FELIZ?A risada, o gozo do me lascar de gargalhar, a “brincadeiria” (brincadeira mais trutaria) da Bahia... >
UMA SUPERSTIÇÃODar sempre um agradinho ao meu Pai, o brabíssimo Cabôco Eru>
TEM RELIGIÃO?Já fui um ateu rabugento, mas isso ficou sem graça. Agora, sou herege católico de manhã, herege judeu (cristão novo de araque) de tarde e herege umbandista à noite. >
UM FILME INESQUECÍVELClube da Luta >
SE NÃO FOSSE ANTROPÓLOGO SERIA...Jególogo! >
UMA SAUDADEDo meu jovem bilauzinho, hoje todo murchinho... de dar dó até a Tia Arilma! >
PARA QUEM VOCÊ DARIA NOTA 10?Para as miseravonas da Massaranduba. Têm aquele irresistível jeitinho libidinosinho das Marias Padilhas, das Pombas-Giras espiritadíssimas do umbandomblé....>
E PARA QUEM DARIA NOTA ZERO?Para os advogados, promotores e juízes que proibiram a presença do nosso irmão-jegue na Mudança do Garcia e no Bonfim. São inimigos da Bahia e dos próprios bichinhos que fingem proteger... Verdoenga beataria pós-moderna que vem se alastrando até entre a juventude “marineira” mais abobalhada. >
UM MEDODe ser processado pelos mesmos poderosos que estão pervertendo o Estado de Direito, transformando a Justiça no instrumento de uma militância animalista-fundamentalista tão culturalmente burra. Mais um estrupício medonho, nesta terra em que abundam tantos santos de pau oco! >
UM ARREPENDIMENTODas muitas vezes em que me amofinei. Inclusive nos momentos em que me faltou “ózadia” com as minhas ex-aluninhas calçoludas mais sonsinhas... Tarde demais, vacilão! >
UM MOTIVO DE ORGULHODa minha língua pícara, da minha “intelijumência” libertina, digo, libertária.>