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Da Redação
Publicado em 3 de agosto de 2013 às 10:17
- Atualizado há 3 anos
Bruno Wendelbruno.cardosos@redebahia.com.brO traficante Gustavo Reguera Conde Filho, 34 anos, o Guto, apontado como um dos maiores fornecedores de drogas em bairros nobres de Salvador, é o principal suspeito pela morte do empresário Sérgio Ricardo Santos Magalhães, 34 anos, assassinado na manhã de quinta-feira, na garagem do prédio de luxo onde morava, no Morro do Gato.No dia do crime, os delegados Alex Gabriel Chehade, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e a titular da 7ª Delegacia (Rio Vermelho), Jussara Santos, informaram que o principal suspeito do crime seria o mesmo homem que tentou matar Sérgio a tiros na Avenida Garibaldi em maio do ano passado. A polícia também informou que o atirador era morador da Barra e já tinha sido preso por tráfico. Ontem, o CORREIO teve acesso a informações do inquérito que apura o atentado contra o empresário, sofrido no dia 28 de maio. Gustavo é apontado como o homem que baleou a vítima no peito. Anteontem, a delegada Jussara Santos revelou o motivo da tentativa de assassinato.“O suspeito é um morador da Barra, com quem a vítima mantinha contato frequente. Há cerca de três anos, o rapaz foi preso por tráfico de drogas e, na ocasião, ele acreditou que foi Sérgio que o entregou à polícia”, disse. Procurado pelo CORREIO, o delegado Marcelo Sansão, titular da 2ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico) e responsável pelas investigações do assassinato de Sérgio, preferiu não dar detalhes da investigação, informando apenas que “através de informações colhidas no local, a vítima tinha envolvimento com o tráfico”. PrisãoEm 2010, Gustavo foi preso por tráfico em sua residência na época, em Ondina, por investigadores do Departamento de Narcóticos (Denarc). No imóvel do traficante, os agentes apreenderam 3,4 quilos de maconha e 2,5 quilos de cocaína, além de quatro balanças de precisão. A ação foi em cumprimento a um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça, sendo realizada pela equipe do delegado Cleandro Pimenta, que na ocasião era diretor do Denarc. Na época, o delegado informou que Gustavo vendia maconha e cocaína a usuários de classes média e alta, principalmente em bairros como Ondina, Barra, Graça, Vitória e Rio Vermelho.De acordo com a polícia, Gustavo também já ficou preso na Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE) pelo mesmo delito. Ele também tem passagem registrada por agressão na 7ª DP (duas vezes) e na 14ª Delegacia (Barra). No dia 30 de outubro de 2004, ele foi levado à 14ª DP, após ter invadido um apartamento na Barra e agredido a proprietária e o filho dela. Na ocorrência policial consta que o autor “apresentava-se em visível estado de alucinação e forte surto psicótico”. CrimeSérgio foi assassinado quando se preparava para viajar para Morro de São Paulo, na quinta-feira. Por volta das 8h30, ele desceu com as malas para a garagem do edifício Maison Polonaise, localizado na Rua Guadalajara, cujo apartamento pode chegar a R$ 2 milhões. Mas quando colocava a bagagem no porta-malas do seu carro, um Fiat Stilo, foi abordado por um homem armado, que o matou com tiros à queima-roupa. Segundo a polícia, o assassino entrou no edifício pelo portão da garagem, que há dias ficava aberto durante o dia por conta de obras que estão sendo realizadas no prédio. O CORREIO teve acesso às imagens das câmeras de segurança do edifício, que registraram o momento da execução de Sérgio. De acordo com a polícia, ele era dono da marca de roupas Green Soul, conhecida no interior do estado. A vítima tinha uma loja no bairro de Brotas.No primeiro momento, as lentes mostram quando Sérgio chega à garagem, sozinho, e abre o porta-malas do carro de placa HOG-0141. Sérgio era a única pessoa presente no local. Em seguida, ele retorna para pegar as malas que havia deixado na porta do elevador. Quando ele volta para o carro, as imagens mostram o assassino — que vestia calça jeans, camisa de botão rosa e boné verde — entrando, com a arma na mão, correndo na direção da vítima e disparando. Nesse momento, um morador e o faxineiro chegavam à garagem, e retornam, correndo, para o interior do prédio. De acordo com a polícia, após os disparos, o criminoso saiu do edifício com uma camiseta e entrou no banco de trás de Fox que o aguardava, que saiu em disparada.O corpo de Sérgio Ricardo Santos Magalhães foi enterrado no cemitério Jardim da Saudade, na tarde de ontem. O sepultamento estava marcado para as 16h, mas a família antecipou para as 14h para evitar a presença da imprensa. Segundo um amigo da família, ninguém vai conceder entrevista até que as investigações sejam concluídas.>