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Perla Ribeiro
Publicado em 14 de maio de 2026 às 18:52
A calvície masculina, ou alopecia androgenética, tem sido historicamente associada a fatores genéticos. No entanto, o cenário atual revela um aumento notável na manifestação precoce da condição em homens jovens, impulsionado por uma complexa interação entre predisposição e fatores contemporâneos, conforme aponta a dermatologista e docente do curso de Medicina da Universidade de Franca (Unifran), Ariane Maywald. >
"Embora o componente genético seja forte, observamos casos cada vez mais precoces de alopecia androgenética", explica Maywald. "Isso não significa que ela esteja mais frequente, mas sim que está se manifestando mais cedo e sendo mais percebida por uma população mais jovem", acrescenta a médica.>
Além da genética e da ação da di-hidrotestosterona (DHT), a especialista da Unifran destaca que o estilo de vida moderno e o uso indiscriminado de certas substâncias estão acelerando o processo. Entre eles, estão o estresse crônico, a privação de sono, dietas inadequadas, tabagismo e a exposição a poluentes. Um ponto de crescente preocupação é o uso de anabolizantes e terapias hormonais sem acompanhamento médico, que elevam os níveis de andrógenos e podem desencadear ou acelerar a perda capilar em indivíduos predispostos.>
O impacto da perda capilar em homens jovens vai muito além da estética. "Estamos falando de uma fase em que imagem, identidade e autoconfiança estão em construção", ressalta Maywald. A condição pode levar a uma queda significativa da autoestima, ansiedade social, insegurança em relacionamentos e, em casos mais graves, até sintomas depressivos. "Por isso, o tratamento não deve ser apenas físico. A escuta e o acolhimento são fundamentais”.>
Muitos pacientes buscam ajuda tardiamente, ignorando os primeiros sinais, como aumento progressivo da queda, afinamento dos fios, entradas mais evidentes ou rarefação na coroa. A alopecia androgenética é progressiva e o diagnóstico e tratamento precoces são cruciais para o sucesso. "Existe um 'ponto de não retorno' quando o folículo piloso atrofia de forma irreversível e, nesse estágio, as opções clínicas são limitadas", alerta a médica.>
Ela enfatiza que existem diversas abordagens terapêuticas eficazes que atuam em diferentes mecanismos da doença. Estas incluem tratamentos medicamentosos (tópicos e sistêmicos), procedimentos em consultório como microagulhamento, drug delivery/MMP capilar, Laser capilar (alta e média potência) e LLLT. O transplante capilar é uma excelente ferramenta para casos avançados, mas deve ser complementado com acompanhamento dermatológico contínuo e terapias adicionais para preservar os fios nativos.>
"A calvície precoce tem tratamento, mas não há milagre. O maior erro é esperar. Diagnóstico precoce e acompanhamento dermatológico fazem toda a diferença", conclui a médica da Unifran. "Tão importante quanto tratar o cabelo é cuidar da forma como esse jovem se enxerga. Porque, no fim, estamos tratando não somente fios, como também autoestima e qualidade de vida".>