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Perla Ribeiro
Publicado em 25 de maio de 2026 às 14:02
A tireoide exerce um papel central na regulação do metabolismo energético, da termogênese, da função cardiovascular, da saúde óssea e da modulação de vias neuropsíquicas. Pequena no tamanho, mas essencial para o funcionamento do organismo, a tireoide exerce um papel importante na regulação do metabolismo, da temperatura corporal, da saúde cardiovascular, dos ossos e até do equilíbrio emocional. Quando há alterações no funcionamento da glândula, diferentes sintomas podem surgir e muitos deles confundidos com estresse, ansiedade ou cansaço da rotina. >
Entre as principais disfunções estão o hipotireoidismo, hipertireoidismo e doença nodular e figuram entre as endocrinopatias mais prevalentes na prática ambulatorial, com impacto significativo nos desfechos cardiovasculares, ósseos e reprodutivos, bem como na qualidade de vida. Queixas como fadiga crônica, dificuldade para perder peso, queda de cabelo, alterações de humor e intolerância térmica, frequentemente atribuídas ao estresse ou a hábitos de vida, integram o espectro clínico de disfunções tireoidianas manifestas ou subclínicas, conforme descrito em diretrizes internacionais.>
Cansaço Sensorial
Segundo o endocrinologista do Alta Diagnósticos, Adriano Cury, um dos principais desafios é que os sinais costumam surgir de forma silenciosa e pouco específica, atrasando o diagnóstico. “Em muitos casos, os pacientes associam os sintomas apenas ao estresse ou ao estilo de vida corrido, o que pode fazer com que demorem para procurar avaliação médica”, explica o especialista.>
Do ponto de vista fisiopatológico, o hipotireoidismo em grande parte decorrente de tireoidite crônica autoimune e associa-se a lentificação metabólica, alterações do perfil lipídico, disfunção endotelial e maior risco de eventos cardiovasculares em subgrupos selecionados. Já o hipertireoidismo, frequentemente relacionado à doença de Graves, cursa com hipermetabolismo, aumento da demanda cardiovascular e manifestações neuropsíquicas, estando ligado a fibrilação atrial, piora de insuficiência cardíaca e perda de massa óssea, com aumento do risco de fraturas, especialmente em mulheres na pós-menopausa. Esses dados reforçam que tratar disfunções tireoidianas significa também atuar sobre risco cardiometabólico e ósseo.>
A doença nodular tireoidiana é extremamente prevalente, e a maioria dos nódulos é benigna; apenas uma pequena proporção corresponde a neoplasias malignas, sobretudo carcinoma papilífero. Dados do Global Cancer Observatory e estimativas recentes do INCA indicam que o câncer de tireoide está entre as neoplasias endócrinas mais frequentes, com aumento de incidência atribuído em grande parte ao diagnóstico de microcarcinomas assintomáticos, o que alimenta o debate sobre sobrediagnóstico e sobretratamento. >
“Por isso, a avaliação de nódulos deve integrar anamnese, exame físico, ultrassonografia cervical com sistemas padronizados de estratificação de risco (ATA, TI-RADS, ACR TI-RADS) e uso criterioso da PAAF, reservando testes moleculares para situações selecionadas, informa o endocrinologista . >
De forma prática, a estratégia diagnóstica de maior valor combina anamnese estruturada, exame físico cervical cuidadoso e TSH como exame inicial, com expansão laboratorial e de imagem guiada pelos achados clínicos. Para o médico generalista, isso se traduz em investigar disfunção tireoidiana na presença de sintomas persistentes ou fatores de risco, reconhecer grupos de maior vulnerabilidade e encaminhar oportunamente para ultrassonografia, PAAF e avaliação especializada quando indicada. >
Tecnologias mais recentes, como ferramentas de inteligência artificial aplicadas à ultrassonografia, surgem como recursos complementares em centros de maior complexidade, mas não substituem a integração entre o julgamento clínico, a estratificação de risco baseada em evidências e as decisões compartilhadas com o paciente. >
Dicas para cuidar da saúde da tireoide>