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Cardiomiopatia hipertrófica: saiba tudo sobre a doença que causou a morte de Gabriel Ganley

Cardiologista explica que quando a pessoa se exercita e o coração acelera, esse aumento dos batimentos pode funcionar como gatilho para uma arritmia maligna

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 25 de maio de 2026 às 16:47

Gabriel Ganley
Gabriel Ganley Crédito: Reprodução

Após a morte do fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley, 22 anos, muita gente tem se perguntado: o que é cardiomiopatia hipertrófica,  a doença apontada no atestado de óbito como a causa de morte do jovem? Cardiologista da Rede D´or, Rodrigo Sultani Leonello explica que o coração é formado por um grande músculo, o miocárdio. Por diversos motivos, o miocárdio aumenta de tamanho e se torna mais espesso, levando ao diagnóstico de cardiomiopatia hipertrófica, que também é conhecida como miocardiopatia hipertrófica. De acordo com especialistas, ela pode causar arritmias graves, insuficiência cardíaca e morte súbita. 

Estima-se que a cardiomiopatia hipertrófica (CMH) afete uma em cada 500 pessoas, sendo considerada a doença cardíaca genética mais comum. O especialista ressalta que a doença pode ser uma condição silenciosa em que o paciente não apresenta nenhum sintoma ou sinal de que há algo de errado com seu coração. Mas, conforme evolui, a cardiomiopatia hipertrófica pode tornar o bombeamento de sangue mais difícil, resultando em uma série de complicações.

Gabriel Ganley por Reprodução

"Na cardiomiopatia hipertrófica, todo o coração do paciente pode ser afetado pelo espessamento de suas paredes musculares, mas é mais comum que isso ocorra no septo, uma estrutura do coração responsável por separar suas cavidades e fazer a divisão interna do órgão. Quando essa condição afeta o septo, ele aumenta de tamanho, podendo triplicar sua espessura se comparada com os parâmetros considerados normais", acrescenta o cardiologista

Em entrevista ao G1, o cirurgião cardiovascular da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Ricardo Katayose, explica que a parede do ventrículo tem uma espessura considerada normal até cerca de um centímetro. A partir de certo ponto, o músculo passa a ser classificado como hipertrófico — e, em casos extremos, pode ultrapassar os 30 milímetros. “A parede vai ficando mais grossa e a cavidade de dentro acaba ficando menor. Isso dificulta o enchimento e o funcionamento normal do coração”.

Diretor do departamento de hipertensão arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da Faculdade Estadual de Medicina de São José do Rio Preto, o cardiologista Elzo Mattar informou ao G1 que a doença pode ter origem genética ou ser adquirida ao longo da vida, inclusive com participação do uso de esteroides anabolizantes.

Na forma genética, o espessamento costuma ser assimétrico: uma das paredes do coração se desenvolve de maneira desproporcional, sem causa aparente, enquanto as demais permanecem normais. Ela tem 50% de chance de ser transmitida de pai para filho e é considerada uma das principais causas de morte súbita em pessoas com menos de 35 anos no Brasil e no mundo. Em muitos casos, a cardiomiopatia hipertrófica permanece silenciosa por anos e só se manifesta diante de uma sobrecarga maior do coração.

Segundo Mattar, quando a pessoa se exercita e o coração acelera, esse aumento dos batimentos pode funcionar como gatilho para uma arritmia maligna —como a taquicardia ventricular ou a fibrilação ventricular, ritmos rápidos e descoordenados que impedem o bombeamento normal do sangue. Por esse risco, segundo ele, pacientes diagnosticados com a condição costumam não ser liberados para o esporte de alto rendimento. Quando aparecem, os sintomas mais comuns incluem falta de ar, dor no peito, palpitações, tontura e desmaios.

Como os anabolizantes afetam o coração

Além da forma genética, a cardiomiopatia também pode ser adquirida e o uso de esteroides anabolizantes está entre os fatores associados. Segundo o cardiologista Elzo Mattar, essas substâncias elevam a pressão arterial e aumentam a carga de trabalho do coração, que passa a bater contra uma resistência maior. “O coração passa a trabalhar contra uma resistência maior e começa a sofrer hipertrofia. Só que esse crescimento acontece de forma desorganizada”, explica.

O especialista lembra ainda que os esteroides podem danificar a microcirculação das coronárias e elevar o risco de formação súbita de coágulos. “Um usuário pode aparentemente ter uma vida normal e, de uma hora para outra, desenvolver uma trombose coronariana aguda, evoluir para um infarto e sofrer morte súbita”, explica. Onde entra a insulina