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Cólica forte não é normal: como identificar sinais de alerta para a endometriose em adolescentes

No mês de conscientização sobre a doença, especialista orienta sobre sintomas que vão além do comum e destaca a importância de buscar ajuda médica

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 13 de maio de 2026 às 15:24

Imagem Edicase Brasil
Cólica forte não é normal: como identificar sinais de alerta para a endometriose em adolescentes Crédito: (Imagem: Keronn art | Shutterstock)

A cólica menstrual intensa ainda é frequentemente tratada como algo “normal” entre adolescentes. Em muitos casos, porém, pode ser um sinal de alerta para a endometriose, doença que costuma ter diagnóstico tardio no Brasil. A falta de informação e o tabu em torno da menstruação contribuem para que jovens convivam com dor incapacitante sem procurar ajuda.

A endometriose é uma doença inflamatória crônica em que um tecido semelhante ao endométrio, que reveste internamente o útero, cresce fora da cavidade uterina, atingindo órgãos como ovários, trompas, intestino e bexiga. A condição pode causar dor intensa, especialmente durante o período menstrual, além de sintomas como fadiga e, em alguns casos, infertilidade. Maio marca o período de conscientização sobre a doença, que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Bruna Conceição dos Santos, 25 anos, se submeteu a um tratamento com fenol por Material cedido ao Metróopoles

De acordo com a ginecologista Luiza Cromack, professora de medicina da Universidade Veiga de Almeida (UVA), é fundamental diferenciar o desconforto esperado do ciclo menstrual de sinais que indicam algo mais sério. “A dor que impede a adolescente de ir à escola, praticar atividades ou manter sua rotina não deve ser considerada normal. Esse é um dos principais sinais de alerta para investigação”, afirma.

Confira algumas orientações da especialista:

  • Observe a intensidade da dor
    A cólica leve a moderada é comum, mas a dor intensa, que não melhora com analgésicos simples, merece atenção.
  • Fique atenta a sintomas associados
    Dor ao evacuar, urinar ou durante atividades físicas no período menstrual pode indicar algo além da cólica comum.
  • Impacto na rotina é sinal de alerta
    Faltar à escola ou deixar de realizar atividades por causa da dor é um indicativo importante.
  • Histórico familiar importa
    Casos de endometriose na família aumentam o risco e devem ser considerados na avaliação.
  • Procure orientação médica cedo
    Os profissionais das Unidades Básicas de Saúde são capacitados para identificar sintomas, iniciar o tratamento clínico e encaminhar casos para a atenção especializada, quando necessário. O diagnóstico precoce é importante para evitar a progressão da doença.

Para a professora da Universidade Veiga de Almeida, a informação é uma das principais ferramentas para mudar esse cenário. “Quanto mais cedo a adolescente entender o que é esperado e o que não é, maiores são as chances de identificar a doença no início e evitar complicações”, diz.

Ainda pouco discutida entre jovens, a endometriose pode afetar não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional e a qualidade de vida. Quebrar o tabu e incentivar o diálogo sobre o tema é essencial para um diagnóstico mais rápido e um tratamento adequado.