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Falsos corredores: saiba quais são os trechos mais arriscados na orla de Salvador para atletas

Criminosos miram relógios, bicicletas e celulares durante os treinos

  • Foto do(a) author(a) Bruno Wendel
  • Bruno Wendel

Publicado em 13 de maio de 2026 às 16:00

Falsos corredores atacam na orla de Salvador
Falsos corredores atacam na orla de Salvador Crédito: reprodução

Recentemente, uma foto revelou uma nova modalidade de crime na orla de Salvador. Na imagem, um homem usando trajes típicos de corredor é flagrado puxando a corrente de uma vítima que participava de uma tradicional corrida na capital baiana, na Barra. O caso trouxe à tona não apenas novas ocorrências, mas também os pontos considerados mais arriscados para quem pratica o esporte.

Há 16 anos organizando corridas, o treinador Jardel Moura, que comanda uma assessoria esportiva que leva o seu nome, contou que, após a divulgação da foto, recebeu uma enxurrada de mensagens de atletas relatando que os “falsos corredores” costumam agir com mais frequência em determinados trechos da orla.

Falsos corredores atacam na orla de Salvador por reprodução

Ironicamente, a maioria dos casos acontece próximo a áreas militares, sem que isso intimide os criminosos. “Esses locais costumam estar mais desertos”, afirma Jardel. O primeiro trecho apontado como perigoso compreende a via em frente a toda a extensão do Comando da Aeronáutica, na Avenida Oceânica, em Ondina.

“Geralmente, os ataques são feitos por duplas. O criminoso usando trajes de corredor se aproxima da vítima, de preferência alguém que esteja sozinha e carregando algum objeto de valor. Depois de pegar os pertences, corre em direção a uma moto, onde o comparsa acompanha tudo à distância, e fogem”, relata o treinador.

Outro trecho considerado perigoso vai do Quartel de Amaralina até o início da Pituba. Já o terceiro ponto mais crítico da orla está na Boca do Rio, na Avenida Octávio Mangabeira, em frente ao MultiShop.

Para evitar novos episódios, Jardel diz que tem orientado os atletas a mudarem hábitos. “A orientação é não correr com objetos de valor. Até alianças pedimos para retirar. Também orientamos que os treinos sejam feitos em grupo, porque isso dificulta a ação dos marginais”, declara.

Assaltos

Os celulares continuam sendo os objetos mais desejados pelos ladrões. No entanto, na orla de Salvador, eles deixaram de ser os únicos alvos. Criminosos passaram a mirar também equipamentos usados por corredores e ciclistas, principalmente os de maior valor agregado. Relógios inteligentes, bicicletas esportivas, fones de ouvido sem fio e até tênis de corrida entraram na lista dos itens mais cobiçados durante os assaltos.

Nesses casos, a modalidade criminosa é a tradicional: os suspeitos cercam as vítimas e anunciam o assalto. Geralmente, atuam em dupla ou trio e, em algumas situações, afirmam estar armados. Os objetos roubados acabam sendo revendidos, na maioria das vezes, em sites de compra e venda.

Entre os produtos mais visados estão os smartwatches da marca Garmin, bastante utilizados por atletas para monitoramento de desempenho físico. Dependendo do modelo, os relógios podem custar entre R$ 1,4 mil e R$ 8 mil. Bicicletas de alta performance também despertam o interesse dos criminosos e podem ultrapassar os R$ 20 mil.

Fones de ouvido premium e tênis importados usados em corridas de rua também passaram a chamar a atenção dos assaltantes. Muitos desses produtos são revendidos no mercado informal e em plataformas digitais por preços abaixo do valor original.

A situação tem feito corredores e ciclistas mudarem a rotina, evitando ostentar acessórios de maior valor durante os treinos.