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Considerada invasiva, saiba  os três momentos em que a colonoscopia se torna uma aliada decisiva da saúde

Com cerca de 53 mil novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil, exame é fundamental para o diagnóstico precoce

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 30 de maio de 2026 às 17:00

O exame de colonoscopia ajuda a diagnosticar o câncer colorretal precocemente (Imagem: Roman Zaiets | Shutterstock)
O exame de colonoscopia ajuda a diagnosticar o câncer colorretal precocemente  Crédito: Imagem: Roman Zaiets | Shutterstock

Algumas das principais doenças do aparelho digestivo têm avançado no país. O câncer colorretal, por exemplo, passou de 45 mil novos casos por ano, entre 2023 e 2025, para 53 mil no triênio seguinte.Já os pólipos intestinais, que podem evoluir para tumores, afetam até 20% da população. E as doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, aumentaram cerca de 15% em nove anos.

Apesar de sua evolução, o câncer colorretal pode ser detectado precocemente, antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas, por meio da colonoscopia. “O exame tem se consolidado como uma das principais ferramentas da medicina para prevenção, diagnóstico e acompanhamento de doenças intestinais”, afirma o diretor médico da Ferring, Sérgio Teixeira. 

Thyago da Silva Severino por Reprodução

Realizado sob sedação endovenosa, o procedimento permite que o paciente durma durante toda a avaliação, sem dor ou desconforto. Com duração de 20 a 60 minutos, o exame analisa a porção final do intestino delgado, o intestino grosso (cólon) e o reto, identificando lesões, inflamações e tumores.

Como a colonoscopia pode ser uma aliada em diferentes situações:

  • Câncer colorretal
    Mesmo antes dos primeiros sintomas, a colonoscopia pode identificar lesões iniciais e tumores em estágio precoce. Isso é especialmente relevante porque o câncer colorretal, quando diagnosticado precocemente, apresenta taxas de cura entre 90% e 95%.
    Atualmente, existe uma estimativa de 127 mil mortes por câncer colorretal no país entre 2026 e 2030, o que representa alta de 181% para homens e 165% para mulheres, em comparação ao início dos anos 2000.
    “A colonoscopia, feita com a devida regularidade e sob orientação médica adequada, pode ajudar a reverter essa situação”, afirma Sérgio. Além disso, o exame permite a remoção de pólipos, lesões benignas que podem evoluir para câncer ao longo do tempo, interrompendo esse processo antes que se torne uma doença maligna.

  • Pólipos intestinais
    Os pólipos intestinais são alterações relativamente comuns, especialmente em pessoas acima dos 50 anos. A condição afeta até 20% da população, sendo a idade um dos principais fatores de risco. Embora muitos sejam benignos e não apresentam sintomas, alguns têm potencial de transformação em câncer.
     A colonoscopia permite não apenas identificar esses pólipos, mas também removê-los durante o próprio exame, na maioria dos casos. Apenas em situações específicas, geralmente relacionadas à localização ou às características da lesão, pode ser necessária intervenção cirúrgica. A reincidência dos pólipos gira em torno de 30%, frequentemente em áreas diferentes do intestino.

  •  Doenças inflamatórias intestinais
    O exame também é essencial na investigação de doenças inflamatórias intestinais (DII), como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Essas condições podem causar sintomas como diarreia crônica, dor abdominal e presença de sangue nas fezes. A colonoscopia permite avaliar a extensão da inflamação, orientar o diagnóstico e monitorar a resposta ao tratamento.

 Quando a colonoscopia é indicada?

  • A colonoscopia pode ser indicada, em linhas gerais, em três condições:
  • Para investigar sintomas: Quando a pessoa apresenta sinais e sintomas como sangramento nas fezes, alterações persistentes no hábito intestinal (diarreia ou constipação), dor abdominal frequente, anemia sem causa aparente ou perda de peso inexplicada.
  • Para prevenção, especialmente do câncer de intestino: A recomendação geral é que pessoas sem sintomas e sem histórico familiar iniciem o rastreamento a partir dos 45 anos, com repetição conforme orientação médica. No entanto, alguns perfis exigem atenção antecipada:  Histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos;- Presença de doenças inflamatórias intestinais;- Síndromes hereditárias relacionadas ao câncer de intestino;- Histórico pessoal de radioterapia no abdômen ou na pelve.
  • Para tratar algumas condições: Em alguns casos, a colonoscopia também pode ser utilizada para controlar sangramentos no intestino grosso ou aliviar obstruções.

Vale destacar que, especialmente para câncer colorretal, alguns fatores de risco podem ser controlados ou evitados, como obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e excesso de álcool. Para todos esses casos, é essencial buscar avaliação e acompanhamento com um especialista, como o gastroenterologista ou coloproctologista, para orientação adequada e cuidado contínuo da saúde intestinal.