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Thais Borges
Publicado em 28 de maio de 2026 às 09:43
Poucos suplementos têm tanta popularidade no universo esportivo e fitness quanto o whey protein e a creatina. Enquanto o whey protein (a proteína do leite) movimentou um mercado estimado em cerca de US$ 43 milhões em vendas no Brasil em 2025, segundo a consultoria Mordor Intelligence, a creatina registra aproximadamente 918 mil pesquisas mensais no Google no país, de acordo com dados divulgados pela Growth Supplements no ano passado. >
Os dois são usados para auxiliar o desempenho e a recuperação muscular antes ou depois da prática de exercícios físicos: o whey protein é derivado do soro do leite e atua na recuperação muscular, além de complementar a ingestão diária de proteínas e a creatina é mais associada à melhora da performance em treinos. No entanto, nas últimas semanas, os produtos passaram a ser tema de debate nas redes sociais: poderiam crianças consumir whey protein e creatina?>
A discussão teve início após a influenciadora fitness Carol Borba mostrar os suplementos sendo consumidos pela filha de três anos. A repercussão entre seguidores e especialistas reacendeu uma discussão importante diante da popularização desses produtos e sobre a partir de qual idade é seguro e saudável consumir suplementos. >
Creatina
De acordo com o médico nutrólogo Gustavo Silva, professor de pós-graduação da Afya Educação Médica Curitiba, não há indicação para o uso rotineiro por crianças e adolescentes saudáveis pela Sociedade Brasileira de Pediatria, mas que casos específicos podem ser acompanhados por um profissional da saúde.>
“Nessa fase da vida, deve-se priorizar a construção de um comportamento alimentar diversificado, que atenda às necessidades nutricionais de desenvolvimento. Para essa fase, a recomendação é de 0,85 a 0,95g de proteína por quilo de peso, por dia. Isso pode ser facilmente atingido com uma alimentação equilibrada”, diz o médico.>
No entanto, quanto aos contextos específicos, ele cita o exemplo de adolescentes que podem usar o whey para ajudar no ganho de massa muscular, especialmente quando as necessidades proteicas não são supridas apenas com a alimentação. “A creatina, por outro lado, pode ser utilizada para melhora de desempenho em adolescentes atletas, principalmente naqueles de alta performance”, pondera.>
Além disso, boa parte desses produtos proteicos se encaixa na categoria de alimentos ultraprocessados, com presença de aromatizantes, conservantes e edulcorantes. Assim, não são adequados para substituir uma refeição e podem levar a uma relação disfuncional com a alimentação. >
Segundo o médico nutrólogo, o excesso de proteínas pode levar à sobrecarga de órgãos, principalmente dos rins e do fígado. Da mesma forma, o consumo excessivo de calorias pode contribuir para o aumento de peso, aumentando a predisposição de acúmulo de gordura e o risco de obesidade infantil.>
“A Sociedade Brasileira de Pediatria defende que o foco dos pais deve ser a construção do comportamento alimentar com ‘comida de verdade’, como carnes, ovos, leite, leguminosas, frutas e outros alimentos minimamente processados”, enfatiza. >
Carol Borba revelou que costuma dar whey protein para a filha
Ele pontua que, nos primeiros dois anos de vida, pode ser feita uma suplementação profilática de vitamina , além de ferro dos seis aos 24 meses, para prevenir carências nutricionais, e Ômega 3 para crianças que consomem pouco peixe. “Em caso de jovens atletas que precisam atingir a meta proteica adequada, o whey e a creatina podem ser boas opções. Nesses casos, é importante consultar um pediatra, para entender a necessidade de cada suplemento”, reforça.>