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Doenças inflamatórias intestinais aumentam em três vezes o risco de ansiedade e depressão; entenda

Manutenção do tratamento mesmo fora do período de crise favorece o controle da doença

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 7 de maio de 2026 às 14:31

Imagem Edicase Brasil
O acompanhamento médico é importante para o diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais  Crédito: (Imagem: Ground Picture | Shutterstock)

As doenças inflamatórias intestinais (DII), como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, vêm ganhando relevância no Brasil não apenas pelo aumento de casos, mas também por novas evidências associadas aos impactos amplos na saúde e na qualidade de vida dos pacientes. O avanço dessas condições crônicas reforça a necessidade de atenção contínua e abordagem integrada.

Estudo recente realizado pela Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, mostra que pacientes com doenças inflamatórias intestinais apresentam até três vezes mais chances de desenvolver sintomas de ansiedade, depressão e distúrbios do sono, especialmente durante períodos de atividade da doença. A relação vai além do impacto emocional de conviver com uma condição crônica e envolve também mecanismos biológicos, ligados ao chamado eixo intestino-cérebro.

O trabalho, que ganhou destaque na última edição da Semana Brasileira das Doenças Inflamatórias Intestinais (6ª SEBRADII), reforça a necessidade de uma abordagem integrada no cuidado, que considere não apenas os sintomas gastrointestinais, mas também a saúde mental dos pacientes. O manejo adequado das DII pode contribuir para reduzir esses impactos, enquanto o suporte psicológico adequado também pode influenciar positivamente o curso da doença.

Além disso, dados recentes compilados pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia, a partir do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, do Ministério da Saúde, apontam que as internações por doenças inflamatórias intestinais cresceram 61% no Brasil nos últimos dez anos. O aumento pode refletir tanto maior incidência quanto agravamento dos casos, além de desafios no diagnóstico precoce e no manejo contínuo da doença².

Esse crescimento também acende um alerta para o sistema de saúde, já que as DII estão associadas a internações frequentes, procedimentos complexos e uso de terapias de alto custo. A ampliação do diagnóstico e o acompanhamento adequado são fatores essenciais para evitar complicações e reduzir a necessidade de hospitalizações.

As doenças inflamatórias intestinais apresentam maior concentração em faixas etárias mais jovens, especialmente entre 20 e 29 anos, grupo que reúne o maior volume de internações relacionadas à condição no Brasil, segundo análise recente de dados epidemiológicos. Esse perfil reforça que as DII não são doenças restritas a idosos, mas atingem principalmente pessoas em início ou pleno desenvolvimento de suas atividades profissionais e acadêmicas³.

Esse padrão etário amplia o impacto da doença para além da saúde individual. Ao afetar especialmente a população em idade produtiva, as DII estão associadas a prejuízos na qualidade de vida, afastamentos do trabalho, queda de produtividade e impactos na trajetória educacional, sobretudo em casos com diagnóstico tardio ou controle inadequado da doença.

O que pode estar por trás desse avanço?

Especialistas apontam que o aumento de casos de DII está associado a mudanças no estilo de vida e no ambiente. Entre os principais fatores estão a alimentação rica em ultraprocessados, o estresse crônico, alterações na microbiota intestinal e o uso frequente de antibióticos. Esses elementos, combinados, podem contribuir para o desequilíbrio do sistema imunológico e o surgimento de doenças inflamatórias4.

“Por se tratar de doenças crônicas, as DII exigem acompanhamento contínuo, mesmo fora dos períodos de crise. A interrupção do tratamento ou o controle inadequado pode levar à progressão da doença, aumento das complicações e maior risco de hospitalizações”, afirma Sérgio Teixeira, diretor médico da Ferring no Brasil. O acompanhamento regular, aliado à adesão ao tratamento e ao monitoramento dos sintomas, é fundamental para manter a doença sob controle, preservar a qualidade de vida e reduzir o impacto a longo prazo.