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Perla Ribeiro
Publicado em 19 de maio de 2026 às 14:28
Sentir dor de cabeça e tratar o incômodo com um analgésico é um hábito comum entre os brasileiros. Muitas vezes, o sintoma é encarado como algo passageiro, associado ao estresse, ao cansaço ou à rotina intensa. No entanto, especialistas alertam que a cefaleia pode ter diferentes causas e, em alguns casos, indicar condições que exigem investigação médica. >
Estima-se que cerca de 95% dos brasileiros terão pelo menos um episódio de dor de cabeça ao longo da vida. Além disso, aproximadamente 70% das mulheres e 50% dos homens convivem com o problema ao menos um dia por mês. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, cerca de 13 milhões de brasileiros sofrem com cefaleia crônica diária, quadro caracterizado pela ocorrência de dor de cabeça em pelo menos 15 dias por mês. Para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico e do tratamento adequado, o dia 19 de maio marca o Dia Nacional de Combate à Cefaleia.>
Dor de cabeça pode ser sintoma de graves doenças
Para o neurologista do Hospital São Luiz Morumbi, da Rede D'Or, Márcio Sueto, ainda existe um equívoco comum em relação ao tema. “Os pacientes costumam acreditar que a dor de cabeça é um sintoma secundário, quando, na maioria das vezes, ela é o principal, e muitas vezes, o único sinal clínico”, explica. O especialista destaca que existem mais de 150 tipos de cefaleia, divididas entre primárias e secundárias.>
Os tipos mais comuns de cefaleia>
As cefaleias primárias são aquelas em que a dor de cabeça é a própria doença. Entre as mais frequentes estão:>
Cefaleia tensional: Costuma ser menos intensa, afeta os dois lados da cabeça e provoca sensação de pressão ou aperto. Náuseas e sensibilidade à luz são menos comuns.>
Enxaqueca (migrânea): Dor de forte intensidade, geralmente pulsátil, que costuma atingir um lado da cabeça e pode ser acompanhada de náuseas, além de sensibilidade à luz, ao som e ao esforço físico.>
Cefaleia em salvas: Considerada uma das dores mais intensas, caracteriza-se por crises súbitas e lancinantes, geralmente localizadas ao redor de um olho, com duração entre 15 minutos e três horas.>
Já as cefaleias secundárias surgem como consequência de outra condição clínica, como sinusites, infecções ou alterações neurológicas.>
“Nesses casos, tratar apenas a dor pode mascarar ou até agravar um problema maior. Por isso, é fundamental identificar a causa e seguir protocolos específicos de avaliação”, ressalta o neurologista.>
O protocolo MINAS: quando a dor exige atenção imediata>
Para facilitar a identificação de sinais de alerta, especialistas utilizam o protocolo MINAS , que ajuda a reconhecer situações que exigem atendimento imediato:>
O especialista também recomenda avaliação médica quando a dor se torna frequente, mesmo em pacientes já diagnosticados com enxaqueca. “A persistência da dor sem acompanhamento adequado pode atrasar o diagnóstico de doenças graves ou contribuir para a cronificação do quadro”, alerta. Segundo ele, dores de cabeça crônicas também podem comprometer a qualidade de vida, afetando o sono, a saúde mental e a rotina dos pacientes.>
Prevenção e os riscos da automedicação>
Hábitos como desidratação, noites mal dormidas, alimentação inadequada e excesso de estresse estão entre os principais gatilhos para crises de cefaleia. “No caso da enxaqueca, que tem forte componente genético e hereditário, esses fatores podem desencadear as crises. Ajustes no estilo de vida ajudam a reduzir a frequência dos episódios”, explica. Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de analgésicos. O consumo frequente e sem orientação médica pode provocar a chamada cefaleia por uso excessivo de medicação, conhecida como efeito rebote.>
“Esse quadro leva a um estado de sensibilização cerebral, com dores frequentes, refratárias e de tratamento mais complexo. O problema cria um ciclo difícil de interromper: na tentativa de aliviar a dor, a pessoa recorre novamente ao medicamento, o que intensifica o chamado efeito rebote e favorece a cronificação do quadro”, destaca o médico. Nesses casos, o tratamento exige a suspensão gradual ou interrupção do uso dos analgésicos, mediante acompanhamento médico.>
Apesar dos desafios, avanços terapêuticos vêm ampliando as opções de tratamento, especialmente para pacientes com enxaqueca. “A dor de cabeça não deve ser normalizada, principalmente quando é frequente, intensa ou interfere na rotina. Cada caso precisa de diagnóstico preciso e cuidado individualizado”, finaliza.>
Reconhecido como um dos hospitais mais modernos da América Latina, o Hospital São Luiz Morumbi, da Rede D'Or, é referência em alta complexidade, reunindo corpo clínico renomado, tecnologia de ponta e atendimento integrado e seguro. A unidade conta com pronto-socorro adulto e pediátrico, além de excelência em diversas especialidades e cirurgia robótica.>