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Ferramenta de IA detecta câncer de pâncreas até três anos antes do diagnóstico

Ele identifica sinais sutis da doença antes que tumores possam ser vistos, quando o tratamento de cura ainda pode ser possível

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 9 de maio de 2026 às 10:00

Câncer no pâncreas
Câncer no pâncreas Crédito: Reprodução

Um modelo de inteligência artificial (IA) desenvolvido pela Mayo Clinic pode ajudar especialistas a detectar câncer no pâncreas em tomografias computadorizadas do abdômen de rotina até três anos antes do diagnóstico. Ele identifica sinais sutis da doença antes que tumores possam ser vistos, quando o tratamento de cura ainda pode ser possível.

As descobertas, publicadas na revista médica Gut, representam um marco dos esforços de pesquisa de muitos anos da Mayo Clinic que permitem a detecção mais precoce de um dos tipos mais letais de câncer. O estudo valida esse modelo de IA de próxima geração usando dados e fluxos de trabalho que refletem a prática clínica, incluindo tomografias computadorizadas de várias instituições, sistemas de aquisição de imagem e protocolos.

Os pesquisadores usaram o modelo de IA para analisar quase 2 mil tomografias computadorizadas, inclusive de pacientes diagnosticados posteriormente com câncer no pâncreas, todos interpretados originalmente como sendo normais. O sistema, chamado de Radiomics-based Early Detection Model (REDMOD), identificou 73% desses cânceres em fase pré-diagnóstica com tempo mediano de cerca de 16 meses antes do diagnóstico, quase o dobro da taxa de detecção de especialistas que analisam os mesmos exames sem a ajuda de IA.

A vantagem foi ainda maior em estágios iniciais da doença. Em exames feitos mais de dois anos antes do diagnóstico, a IA identificou quase três vezes mais casos precoces de câncer que não seriam detectados de outra forma.

O câncer no pâncreas continua sendo um dos cânceres que mais matam por raramente apresentar sinais detectáveis nos estágios iniciais. Mais de 85% dos pacientes são diagnosticados após a doença ter se espalhado e as taxas de sobrevida de cinco anos continuam abaixo dos 15%, de acordo com o National Cancer Institute (Instituto Nacional do Câncer). A previsão é que, até 2030, ele será a segunda principal causa de morte relacionada ao câncer nos EUA.

“O maior obstáculo para salvar vidas que perdemos para o câncer no pâncreas é a incapacidade de identificar a doença quando ainda pode ser curada”, declara o autor sênior Ajit Goenka, radiologista e especialista em medicina nuclear da Mayo Clinic. “Esta IA agora consegue identificar a característica do câncer em um pâncreas aparentemente normal e pode fazer isso de modo confiável ao longo do tempo e em diferentes contextos clínicos.”

O REDMOD mede centenas de características de imagem quantitativas que descrevem textura e estrutura tecidual, identificando alterações biológicas conforme o câncer começa a se desenvolver. O modelo foi projetado para analisar tomografias computadorizadas realizadas por outros motivos, principalmente em pacientes de alto risco, como aqueles com diabetes de início recente, e identificar um risco elevado antes do aparecimento de qualquer massa visível.

A operação do modelo é automática, sem necessidade de preparação manual demorada. A equipe validou o modelo em tomografias computadorizadas realizadas em várias instituições, sistemas de imagem e protocolos, demonstrando um desempenho consistente além de um único conjunto de dados.

As previsões do modelo também permaneceram estáveis ao longo do tempo. Em pacientes com vários exames, a IA produziu resultados consistentes com meses de intervalo, apoiando sua utilização para o monitoramento longitudinal e detecção precoce.

Os pesquisadores estão avançando seu trabalho em testes clínicos por meio da inteligência artificial para a detecção precoce do câncer no pâncreas (AI-PACED). Este estudo prospectivo avalia como os médicos podem integrar a detecção orientada por IA no atendimento de pacientes com risco elevado. O estudo combina análise de IA de exames de imagem de rotina com acompanhamento longitudinal para avaliar o desempenho, incluindo detecção precoce, falsos-positivos e desfechos clínicos.

Esta pesquisa faz parte da iniciativa Precure da Mayo Clinic, cujo objetivo é prever e prevenir a doença identificando as primeiras alterações biológicas no corpo antes do aparecimento dos sintomas. Ela também reflete a estratégia Clinical Impact da Mayo Clinic, que acelera a transformação da descoberta em atendimento aos pacientes.

O estudo foi apoiado pelo National Institutes of Health, pela Hoveida Family Foundation, pelo Mayo Clinic Comprehensive Cancer Center e pelo Champions for Hope Pancreas Cancer Research Program da Funk-Zitiello Foundation.