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Perla Ribeiro
Publicado em 15 de maio de 2026 às 12:45
O Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nessa quinta-feira (14) aponta alta incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todos os estados: já são mais de 57 mil casos registrados no ano, 26.338 (45,7%) com resultado positivo para vírus respiratório. O aumento de SRAG ocorre principalmente, nas crianças menores de 2 anos e é impulsionado pelo vírus sincicial respiratório (VSR), um dos causadores da bronquiolite. >
Pediatras orientam a saber identificar quadros graves e ter a vacinação como aliada. “As condições típicas do outono, como o ar mais seco e a maior permanência em ambientes fechados, favorecem a transmissão de vírus. Nas crianças, esse impacto tende a ser mais significativo, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e as vias respiratórias possuem características anatômicas e funcionais que favorecem o aparecimento de infecções”, explica a pediatra do Hospital Santa Catarina - Paulista, Patrícia Rolli. >
Pesquisadores do Laboratório de Alergia e Acarologia da Ufba, coordenado pela profa. Carina Pinheiro, têm patentes de biologia molecular para reduzir alergias respiratórias
Historicamente, entre 64% e 70% das internações por bronquiolite no Brasil ocorrem entre outono e inverno. Bebês menores de 1 ano concentram a maior parte dos casos e são também os mais vulneráveis às formas graves. Diante desse cenário, a orientação é clara: observar a evolução dos sintomas e buscar atendimento ao notar sinais de piora. >
“Doenças respiratórias são esperadas, mas não devem ser subestimadas. A maioria dos casos pode ser cuidada em casa com atenção e hidratação, mas é preciso reconhecer os sinais de alerta, especialmente em bebês. Vacine, higienize as mãos, amamente sempre que possível e, diante de dúvidas sobre a respiração, procure ajuda”, recomenda a especialista.>
De resfriado a bronquiolite>
A bronquiolite é uma condição típica da primeira infância (especialmente bebês abaixo de 2 anos). Pode ser causada por vários vírus, sendo o principal agente o VSR. Na maioria dos casos, as infecções começam de forma leve, com sintomas semelhantes aos de um resfriado comum, como coriza, espirros e febre baixa. No entanto, em bebês e crianças pequenas, esse quadro pode evoluir rapidamente. >
Geralmente começa como um resfriado, mas entre o terceiro e o quinto dia pode surgir dificuldade respiratória. O pico costuma ocorrer entre o quinto e o sétimo dia e pode exigir internação. Identificar sinais de agravamento é essencial. “Se a respiração parece diferente do habitual, mais acelerada ou com esforço, é preciso buscar atendimento”, orienta a médica Patrícia. Bebês menores de 3 meses, prematuros e crianças com doenças crônicas fazem parte do grupo de risco e exigem atenção redobrada. >
Sinais de alerta:
Pneumonia: atenção aos sinais>
A pneumonia é uma das principais complicações das infecções respiratórias e pode surgir após quadros virais, comprometendo diretamente os pulmões. “Ela costuma se manifestar com febre persistente, prostração e aumento da frequência respiratória, mesmo quando a criança não está com febre”, explica a pediatra do Hospital Santa Catarina - Paulista, Simone Aguiar.>
Entre os sinais de alerta estão:
“A vacinação é a estratégia mais eficaz para reduzir a incidência de pneumonias bacterianas graves. O cumprimento das doses da Vacina Pneumocócica Conjugada, além da vacinação anual contra a Influenza, que também previne complicações virais que evoluem para pneumonias bacterianas secundárias, devem estar sempre atualizadas”, reforça a médica Patrícia Rolli.. >
O que realmente ajuda a proteger>
Uma das novidades deste ano é a ampliação das estratégias de prevenção contra o VSR no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2025, gestantes passaram a ter acesso à vacina que protege o bebê durante a gestação. “É uma mudança com potencial de reduzir cerca de 28 mil internações e casos graves”, afirma Patrícia Rolli. Já em 2026 crianças prematuras e com comorbidades passam a contam com um anticorpo específico contra o VSR.>
Além da vacinação, medidas simples continuam sendo fundamentais, como: higienizar as mãos com frequência, fazer lavagem nasal com soro fisiológico, manter a criança bem hidratada, evitar contato com pessoas doentes, manter ambientes ventilados e não expor crianças à fumaça de cigarro. A pediatra Simone Aguiar enfatiza que esses são cuidados básicos, mas que fazem diferença na prevenção e na recuperação das crianças.>
Quanto ao que não se deve fazer, as médicas pontuam que um dos erros mais comuns é medicar a criança sem avaliação e indicação médica. Bronquiolite e resfriados são doenças virais. Para estes casos, os antibióticos não funcionam e ainda podem causar resistência bacteriana. Outra conduta comum, e inadequada, é o uso de corticoides ou “bombinhas” por conta própria, os quais não têm benefício comprovado e podem gerar efeitos colaterais. >