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Perla Ribeiro
Publicado em 20 de maio de 2026 às 15:04
Sintomas como ganho de peso, cansaço persistente e alterações de humor costumam ser rapidamente associados a problemas na tireoide. Embora essas manifestações possam, de fato, estar relacionadas a disfunções da glândula, a interpretação isolada desses sinais pode levar a equívocos no diagnóstico e atrasar a identificação de outras condições de saúde. >
De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), as doenças da tireoide estão entre as mais comuns na prática clínica, especialmente em mulheres. Ainda assim, a presença de sintomas inespecíficos não é suficiente para confirmar alterações hormonais, sendo necessária avaliação médica e exames laboratoriais específicos.>
“A tireoide tem um papel importante na regulação do metabolismo, mas nem todo ganho de peso ou sensação de cansaço está relacionado a ela. Esses são sintomas amplos, que podem ter diferentes origens e precisam ser avaliados dentro de um contexto clínico”, afirma a endocrinologista Maria Amélia, da clínica Atma Soma.>
Quando a tireoide está envolvida>
A tireoide é uma glândula localizada na região do pescoço, responsável pela produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que atuam no controle do metabolismo, da temperatura corporal e de diversas funções orgânicas. Alterações na produção desses hormônios podem levar a dois quadros principais: o hipotireoidismo, quando há redução da atividade da glândula, e o hipertireoidismo, quando há produção excessiva.>
Segundo dados da World Health Organization, distúrbios da tireoide afetam milhões de pessoas em todo o mundo, sendo mais prevalentes entre mulheres e com aumento de incidência ao longo do envelhecimento. No caso do hipotireoidismo, os sintomas mais comuns incluem cansaço, ganho de peso, intolerância ao frio, pele seca e constipação. Já no hipertireoidismo, podem ocorrer perda de peso, ansiedade, irritabilidade, insônia e aumento da frequência cardíaca.>
“Esses quadros costumam apresentar um conjunto de sinais que evoluem de forma progressiva. A avaliação não deve se basear em um sintoma isolado, mas na combinação de manifestações clínicas associadas aos resultados dos exames hormonais”, explica Maria Amélia.>
Nem tudo é tireoide>
Apesar da associação frequente, grande parte dos sintomas atribuídos à tireoide tem outras causas. Fatores como privação de sono, estresse crônico, sedentarismo, alimentação inadequada e alterações hormonais ao longo da vida podem gerar manifestações semelhantes.>
Além disso, condições metabólicas, como resistência à insulina, e transtornos de saúde mental, como ansiedade e depressão, também podem estar por trás de sintomas como fadiga e alterações de humor. “A tendência de atribuir sintomas comuns à tireoide pode gerar uma falsa expectativa de diagnóstico simples. Quando os exames estão normais, é importante ampliar a investigação para outros sistemas que podem estar envolvidos”, afirma a endocrinologista.>
De acordo com a SBEM, o diagnóstico de doenças tireoidianas deve ser feito a partir da dosagem de hormônios como TSH e T4 livre, além da avaliação clínica. Em alguns casos, exames de imagem, como a ultrassonografia, também podem ser indicados.>
Avaliação integrada evita diagnósticos imprecisos>
A interpretação adequada dos sintomas passa por uma abordagem clínica que considere o organismo de forma integrada. Isso inclui analisar hábitos de vida, histórico de saúde e fatores hormonais e metabólicos que podem influenciar o quadro. “A tireoide é uma peça importante, mas ela não explica tudo. Muitas vezes, o que se observa é um conjunto de fatores que, somados, levam à queda de energia, alterações de peso e impacto no humor”, explica Maria Amélia.>
A endocrinologista destaca que a investigação precoce e o acompanhamento médico são fundamentais para evitar tanto o subdiagnóstico quanto o tratamento inadequado. “O mais importante é entender o que o corpo está sinalizando e conduzir a avaliação de forma criteriosa, sem simplificar sintomas que podem ter origens diversas”, conclui.>
Diante de sintomas persistentes, a recomendação é buscar orientação médica para uma avaliação individualizada, evitando associações automáticas que podem não refletir a causa real do quadro.>